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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Tribos e tribunais

Via Treta via Slepix via Harpias.
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segunda-feira, 16 de julho de 2012

PROCESSO DE SELEÇÃO PROFISSIONAL


Estão abertas vagas para o processo seletivo de profissionais para atuar nas seguintes áreas:

  • Assessoria Técnica em formação.
  • Assessoria Técnica.

Veja o Edital.
Contato:  tdh@tdhbrasil.org

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sexta-feira, 6 de julho de 2012

A Sociedade dos Filhos Órfãos: entrevista com Sergio Sinay

Na semana em que os brasileiros comemoram o Dia das Mães, o psicólogo e jornalista argentino Sergio Sinay concedeu entrevista à Agência Brasil sobre o seu mais recente livro A Sociedade dos Filhos Órfãos.

A obra, recentemente traduzida e lançada no Brasil, propicia às mães e aos pais uma reflexão profunda sobre o tipo de relacionamento que mantêm com os filhos. Na avaliação de Sinay, é cada vez mais comum, nos tempos atuais, que pais e filhos se percam em relações de consumo e de interesse – nas quais os pais compensem suas falhas e ausências com presentes (alguns caros); e os filhos, por sua vez, tenham tendência a se tornar adultos utilitaristas, ou seja, que só mantenham relações humanas que tragam interesse e em que haja possibilidade de tirar vantagem.
“Ter um filho é um acidente biológico. Transformar essa peripécia em um fato transcendente e significativo, em um ato pleno de sentido, em uma contribuição ao aperfeiçoamento da vida humana e planetária, em um acontecimento espiritual que vai além do pessoal é um processo que requer consciência, compromisso, responsabilidade e amor”, escreve Sergio Sinay em seu livro. A seguir os principais trechos da entrevista do autor à Agência Brasil.
Agência Brasil: A sociedade dos filhos órfãos é um sinal de falta de amor?
Sergio Sinay: Não creio que seja falta de amor, mas a má maneira de demonstrar o amor. Muitos pais acreditam que amor se demonstra comprando coisas para os filhos, que o amor se demonstra com objetos, ou que o amor se demonstra convertendo-se em amigo dos filhos. Como pais, nossa missão não é ser amigo dos nossos filhos, mas ser pais. Nossos filhos vão encontrar os amigos entre seus pares no colégio, no clube, nas suas práticas esportivas. Não estamos aqui para isso, mas para conduzi-los, para transmitir-lhes valores morais, modelos de relação com outras pessoas; modelos onde nossos filhos aprendam a tratar as pessoas como se fossem fim e não meio ou instrumentos.
ABr: O que isso quer dizer?
Sinay: Estamos vivendo um momento em que as pessoas se relacionam de maneira utilitária: “se tu me serve, então me relaciono contigo” ou “se deixasse de me servir, te abandono”. Isso se passa entre os casais, ocorre entre sócios, entre amigos e ocorre, muitas vezes, entre pais e filhos. Os pais esperam que os filhos correspondam as suas expectativas. Se o pai jogou mal futebol quer que o filho seja um Neymar, pelo menos. E também acontece o contrário. Se o pai foi um grande médico, também quer que o filho seja médico e continue sua carreira. Os pais estão se esquecendo que os filhos são pessoas que devem ajudar a crescer. Muitas vezes querem que os filhos tenham sucesso, tornem-se grandes empresários, mas não se preocupam como vão se tornar como pessoas.
ABr: Há um problema no comportamento dos pais?
Sinay: Muitos têm comportamento igual ao de um adolescente que pensa que só tem direitos, mas não tem deveres. Os pais delegam às escola, à internet, aos avós. Alguns pais querem viver como se fossem solteiros ou como se não tivessem filhos e ter tempo para fazer as suas coisas. Sentem que os filhos são como uma carga, matriculam os filhos em colégios caros e quando o colégio chama os pais para falar sobre os filhos, protestam com o colégio porque, se pagam tão caro, a escola não deve chamá-los. Mas criar os filhos não é a função da escola, isso continua a ser obrigação dos pais.
ABr: Além da educação, o dinheiro está intermediando mais coisas na relação pais e filhos?
Sinay: Como a tecnologia nos oferece muitas coisas atrativas, muitos pais estão preocupados em comprar. Dedicados ao consumo se esquecem dos filhos e acreditam que a criação se paga matriculando em um bom colégio, comprando presentes e levando em viagens à Disney... Na realidade os filhos precisam de outras coisas. Os filhos pedem computadores, celulares, viagens quando não recebem amor. Os filhos que recebem amor e sentem a presença dos seus pais são meninos que pedem pouco. Todos esses pais amam seus filhos, mas estão amando mal. O amor não chega a seus filhos. Chega a ausência, mas não o amor.
ABr: O senhor é argentino e o livro agora é traduzido no Brasil. Esse comportamento é universal?
Sinay: Assim como a globalização tem coisas boas, tem coisas más. O mundo segue sendo grande, mas se comunica rapidamente. Há tendências que se espalham muito rápido. Essa forma de criar os filhos se globalizou. Creio que com algumas diferenças nacionais se dá em todo o mundo. Fiz conferências sobre esse tema no México e na Espanha e os pais que assistiram relataram problemas com os filhos iguais aos que ouvi na Argentina: drogas, violência, falta de amor, baixo rendimento escolar, obesidade infantil, e até crianças com enfermidades de adultos, como diabetes e problemas com insônia. É um problema grave porque, no futuro, essas crianças serão dirigentes das empresas, chefes de Estado etc. Que classe de adultos serão essas crianças que estão órfãs do que mais necessitam?
ABr: Esses adultos serão tão infantis e despreparados para a paternidade como seus pais de hoje?
Sinay: Em todas as gerações, ninguém está preparado para ser pai. Somente podemos ser pais quando temos filhos. Não podemos estudar antes, só podemos aprender quando já temos filhos. Aí está a grande oportunidade. Não importa os pais que tivemos, mas os pais que queremos ser. Há pessoas que tiveram pais autoritários e agora não querem aos seus filhos dar algum limite. Isso não pode ser. Isso é criar olhando para os seus pais e não olhando para os filhos. Não podemos usar nossos filhos para resolver problemas que tivemos com nossos pais.
ABr: Para que servem os “limites”?
Sinay: Para fazer dos filhos pessoas que tenham valores, que sejam capazes de tomar boas decisões na vida, para que sejam livres, o que não quer dizer não ter obstáculos. Impor limites significa ensinar as crianças a saber escolher. Para estabelecer limites não é preciso ser autoritário, pode ser com carinho, com firmeza, com doçura, com amor.
ABr: O senhor disse anteriormente que alguns pais querem ser “amigos” dos filhos. Qual o problema? O que quis dizer?
Sinay: Quando eu digo que não tem que ser amigos, não estou dizendo que devam ser frios. Mas que sejam próximos e recordando sempre que as relações entre pais e filhos não são relações como a do casamento ou outras. Todas as relações humanas, à exceção das com os filhos, se dão entre pessoas que já estavam no mundo, já existiam, já viviam. A única relação que não é assim é a de pais e filhos. Se os pais não criam os filhos não há a relação. Entre amigos, as responsabilidades são iguais, mas entre pais e filhos não são iguais. Temos que ensinar valores e ensinar uma vida que não seja só comer e dormir, mas ter uma vida que faça sentido.
ABr: Fazer “sentido”? Como assim?
Sinay: Meu filho tem que deixar o mundo um pouco melhor do que encontrou, assim como eu tenho que ter feito isso antes. Como pai, faço o meu filho uma boa pessoa dedicando-me a ele. Já estou deixando o mundo um pouco melhor do que encontrei e minha função de pai ganha um sentido. A paternidade é uma viagem de ida que não termina nunca.
ABr: Por que escreveu o livro?
Sinay: Os filhos que são órfãos porque perderam os pais vivem uma tragédia, mas podem encontrar adultos que os ame. O que é muito mais triste é ser órfão quando os pais estão vivos. Quando os pais estão na mesma casa, no mesmo lugar. Trabalhei muito com famílias e garotos de 12 e 13 anos, de pais separados, desaparecidos ou que não se dão bem. Era necessário dizer essas coisas. Temos que usar a palavra para melhorar o mundo. Pode ser um livro que ajude pais e filhos a deixarem de ser órfãos.

FONTE:  http://exame.abril.com.br/estilo-de-vida/livros/noticias/livro-analisa-sociedade-dos-filhos-orfaos-de-pais-vivos?page=1&slug_name=livro-analisa-sociedade-dos-filhos-orfaos-de-pais-vivos

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segunda-feira, 21 de maio de 2012

A Velhice: Notas sobre a dor, a “cor” e a delícia de ser o que é.


             

          A Velhice: Notas sobre a dor, a “cor” e a delícia de ser o que é.


“A tragédia da velhice consiste não no fato de sermos velhos, mas sim no fato de ainda nos sentirmos jovens”. Oscar Wilde




  Ubiracy de Souza Braga*
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* Sociólogo (UFF), Cientista Político (UFRJ), Doutor em Ciências junto à Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Professor Associado da Coordenação do curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Ceará (UECE).




                                              
A velhice é um processo individual (Freud), simultaneamente social (Marx), cultural (Morgan/Engels) e de evolução natural (Darwin), indiscutível e inevitável sobre a morte (Ariès), para qualquer ser humano, dando sentido (Weber) e forma à vida (Simmel). Nessa fase sempre ocorrem mudanças biológicas, fisiológicas, psicossociais, econômicas e políticas que compõe o cotidiano (Lukács/Heller) da vida das pessoas. Em muitas culturas e civilizações, principalmente as orientais, o velho, o idoso é visto com respeito e veneração, representando uma fonte de experiência, de seu valioso saber acumulado ao longo dos anos, da prudência e da reflexão. Enquanto em outras, o idoso tem como representação social estigmas (Goffmann) como: “o velho”, “o ultrapassado” e psicologicamente falando: “a falência múltipla do potencial do ser humano”.
Tese: Estudos recentes têm demonstrado cada vez com maior clareza do ponto de vista técnico-metodológico (pesquisa empírica) e científico (discursivo) que, o avanço da idade não determina a deterioração da inteligência, pois ela está associada à educação, ao padrão de vida, a vitalidade física, mental e emocional. Também é preciso perder o preconceito (cf. Arendt, 2009) sobre a idade cronológica das pessoas. Vale fazer um alerta importante, talvez, só na América do Sul estima-se que no início deste novo milênio mais de 30 milhões de pessoas estarão com idade acima de 60 anos. No Brasil, só o Estado de São Paulo representará quase três milhões de pessoas ou cerca de 8% dessa população. O aumento desta população tende a expandir ainda mais nas próximas décadas, o que justifica o interesse e a preocupação da sociedade e do governo em criar ações para tratar questões ligadas à velhice.
            No dia 17 de agosto de 1986, o jornal O Estado de São Paulo, por ocasião do falecimento de Mãe Menininha do Gantois e da grande presença de pessoas em seu sepultamento, escreveu em seu Editorial: “a importância exagerada dada a uma sacerdotisa de cultos afro-brasileiros é a evidência mais chocante de que não basta ao Brasil ser catalogado como a oitava economia do mundo, se o País ainda está preso a hábitos culturais arraigadamente tribais”. Dois pesos e duas medidas: a) o preconceito étnico e racial; b) o preconceito sobre a velhice; c) o preconceito contra o fato de ser mulher, para lembrarmo-nos de John Lennon & Yoko Ono que advertiam: “woman is the nigger of the world”, publicado em seu álbum “Sometime in new york city” (1972).
            Maria Escolástica da Conceição Nazaré (Salvador, 10 de fevereiro de 1894 - 13 de agosto de 1986), conhecida como Mãe Menininha do Gantois, foi uma Iyálorixá brasileira, filha de Oxum (cf. Prandi, 1995a; 1995b; 2001). Nasceu em 1894, no dia de Santa Escolástica, na Rua da Assembleia, entre a Rua do Tira Chapéu e a Rua da Ajuda, no Centro Histórico de Salvador, tendo como pais Joaquim e Maria da Glória. Descendente de escravos africanos, ainda criança foi escolhida para ser Iyálorixá do terreiro Ilê Iyá Omi Axé Iyamassê, fundado em 1849 por sua bisavó, Maria Júlia da Conceição Nazaré, cujos pais eram originários de Agbeokuta, sudoeste da Nigéria. Foi apelidada Menininha, talvez por seu aspecto franzino. “Não sei quem pôs em mim o nome de Menininha… Minha infância não tem muito o que contar… Agora, dançava o candomblé com todos desde os seis anos”.
Foi iniciada no culto dos orixás de Keto aos 8 anos de idade por sua tia-avó e madrinha de batismo, Pulchéria Maria da Conceição (Mãe Pulchéria), chamada Kekerê - em referência à sua posição hierárquica, Iyá kekerê (Mãe pequena). Menininha seria sua sucessora na função de Iyalorixá do Gantois. Com a morte repentina de Mãe Pulchéria, em 1918, o processo de sucessão foi acelerado. Por um curto período, enquanto a jovem se preparava para assumir o cargo, sua mãe biológica, Maria da Glória Nazareth, permaneceu à frente do Gantois. Foi a quarta Iyálorixá do Terreiro do Gantois e “a mais famosa de todas as Iyálorixá brasileiras”. Iyalorixá ou Iyá (mãe) ou ainda, Yalaorixá é uma sacerdotisa e chefe de um terreiro de Candomblé Ketu. Iyá no dialeto Yorubá (cf. Sodré, 1979; 2002) significa (mãe), bem como a junção Iyaiyá (mamãe) ou Iaiá, tendo o mesmo significado de mamãe, senhora, forma carinhosa de falar com a mãe, ou senhora da fazenda muito usada pelos escravos. Palavra utilizada em muitos segmentos das religiões afro-brasileiras, principalmente no Candomblé.
Sucessora de sua mãe, Maria da Glória Nazareth, foi sucedida por sua filha, Mãe Cleusa Millet.
“Minha avó, minha tia e os chefes da casa diziam que eu tinha que servir. Eu não podia dizer que não, mas tinha um medo horroroso da missão (...): passar a vida inteira ouvindo relatos de aflições e ter que ficar calada, guardar tudo para mim, procurar a meditação dos encantados para acabar com o sofrimento”.
            Em assim sendo, dado que o preconceito se antecipa ao juízo recorrendo ao passado, sua justificação temporal se limita aos períodos da história - em termos quantitativos a maior parte dela - em que o novo é relativamente raro e o velho predomina no tecido político e social. Em nossa utilização geral, afirma Arendt,
“a palavra ´juízo` tem dois significados que se devem distinguir com clareza, mas que se confundem sempre que falamos. Juízo significa, primeiramente, organização e subsunção do individual e particular  ao geral e universal, procedendo-se então a uma avaliação ordenada com a aplicação de parâmetros pelos quais se identifica o concreto e de acordo com decisões. Por trás de todos esses juízos há um prejulgamento, um preconceito. Somente o caso individual é julgado, não o próprio parâmetro ou a questão de ele ser ou não uma medida adequada do objeto que está sendo medido. Num dado momento, emitiu-se um juízo sobre o parâmetro, mas agora esse juízo foi adotado, tornando-se, por assim dizer, um meio para se emitirem futuros juízos. Mas juízo pode significar algo totalmente diferente e sempre significa de fato quando nos confrontamos com algo que nunca vimos e para o que não temos nenhum parâmetro à disposição. Esse juízo que não conhece parâmetro só pode recorrer à evidência do que está sendo julgado, e seu único pré-requisito é a faculdade de julgar, o que tem muito mais a ver com a capacidade de discernir do que com a capacidade de organizar e subordinar. Tais juízos sem parâmetros nos são bastante familiares quando se trata de questões de estética e gosto, que, como observou Kant, não se podem ´discutir`, mas de que se pode, seguramente, discordar e concordar. Na nossa vida cotidiana isso se verifica sempre que dizemos, em face de uma situação desconhecida, que fulano ou beltrano fez um juízo correto ou equivocado” (cf. Arendt, 2009: 154-155). 
Melhor dizendo, em toda crise histórica, são os preconceitos os primeiros a se esboroar e deixar de ser confiáveis, de forma que é essa pretensão de universalidade que distingue muito claramente ideologia de preconceito (sempre parcial por natureza). A ideologia afirma peremptoriamente que não devemos mais nos fiar em preconceitos - declarados como literalmente inapropriados. A falta de padrões no mundo moderno - a impossibilidade de formar novos juízos sobre o que aconteceu e o que acontece todos os dais com base em padrões sólidos, reconhecidos por todos, e de subsumir esses eventos a princípios gerais bem conhecidos, assim como a dificuldade, estreitamente associada, de se proverem princípios de ação para o que deve acontecer agora - tem sido frequentemente descrita como niilismo inerente à nossa época, como desvalorização de valores, uma espécie de crepúsculo dos deuses, uma catástrofe na ordem moral do mundo. Todas essas interpretações pressupõem tacitamente que só se pode esperar que os seres humanos emitam juízos se tiverem parâmetros, que a faculdade de julgar não é, portanto, mais do que a habilidade de consignar casos individuais aos seus lugares corretos e adequados dentro de princípios gerais aplicáveis e sobre os quais estão todos de acordo.
Historicamente foi o médico francês Jean Marie Charcot, em 1867, o primeiro a apresentar um trabalho científico sobre a chamada “terceira idade”. Seu Estudo clínico sobre a senilidade e doenças crônicas procurava destacar a relevância dos estudos sobre o envelhecimento, centrando-se em suas causas e consequências para o organismo humano. Foi um dos maiores clínicos e professores de Medicina da França e juntamente, com Guillaume Duchenne, o fundador da moderna neurologia. Charcot tornou-se um “hábil” hipnotizador, e utilizava essa técnica para induzir no paciente as manifestações próprias da histeria, uma doença mental com variada sintomatologia psíquica, acompanhada de manifestações físicas como enrijecimento do corpo característico da doença.
Escólio: Assim, Hegel que parte da consciência comum, não podia situar como princípio primeiro uma dúvida universal que só é própria da reflexão filosófica. Por isso mesmo ele segue o caminho aberto pela consciência e a história detalhada de sua formação. Ou seja, a Fenomenologia vem a ser uma história concreta da consciência, sua saída da caverna e sua ascensão à Ciência. Daí a analogia que em Hegel “existe de forma coincidente entre a história da filosofia e a história do desenvolvimento do pensamento”, mas este desenvolvimento é necessário, como força irresistível que se manifesta lentamente através dos filósofos, que são “instrumentos de sua manifestação”. Assim, preocupa-se apenas em definir os sistemas, sem discutir as peculiaridades e opiniões dos diferentes filósofos. Na determinação do sistema, o que o preocupa é a categoria fundamental que determina o todo do sistema, e o assinalamento das diferentes etapas, bem como as vinculasses destas etapas que conduzem à síntese do espírito absoluto.
Todo conhecer, todo aprender, toda visão, toda ciência, inclusive toda atividade, não possui nenhum outro interesse além do aquilo que “é em si”, no interior, manifestar-se desde si mesmo, produzir-se, transformar-se objetivamente. Nesta diferença se descobre toda a diferença na história do mundo. Os homens são todos racionais. O formal desta racionalidade é que o homem seja livre. Esta é a sua natureza. Isto pertence à essência do homem. O europeu sabe de si, é objeto de si mesmo. A determinação que ele conhece é a liberdade. Ele se conhece a si mesmo como livre. O homem considera a liberdade como sua substância. Se os homens “falam mal de conhecer é porque não sabem o que fazem” (cf. Žižek, 1990; 1992; 1998). Conhecer-se, converter-se a si mesmo no objeto (do conhecer próprio) e o fazem relativamente poucos. Mas o homem é livre somente se sabe que o é. Pode-se também em geral falar mal do saber, como se quiser. Mas somente este saber libera o homem. O conhecer-se é no espírito a existência. Portanto isto é o segundo, esta é a única diferença da existência (Existenz) a diferença do separável. O Eu é livre em si, mas também por si mesmo é livre e eu sou livre somente enquanto existo como livre.
            No âmbito da filosofia, Simone de Beauvoir (cf. Braga, 2011a) procurou refletir sobre a exclusão dos idosos, mas do ponto de vista de que sabia que iria se tornar um deles, como quem pensava o próprio destino. Para ela, um dos problemas da sociedade capitalista está no fato de que cada indivíduo percebe as outras pessoas como meio para a realização de suas necessidades: proteção, riqueza, prazer, dominação. Desta forma, nos relacionamos com outras pessoas priorizando nossos desejos, pouco compreendendo e valorizando suas necessidades. Em seu livro, a pensadora demonstra que há uma duplicidade nas relações que os mais jovens têm com os idosos, uma vez que, na maioria das vezes, mesmo sendo respeitado por sua condição de pai ou de mãe, trata-se o idoso como uma espécie de ser inferior, tirando dele suas responsabilidades ou encarando-o como culpado por sobrecarga de compromissos que imputa a filhos ou netos.
            Do ponto de vista literário e filosófico, as suas obras oferecem “uma visão sumamente reveladora de sua vida e de seu tempo”. Em seu primeiro romance, A convidada (1943), explorou os dilemas existencialistas da liberdade, da ação e da responsabilidade individual, temas que abordou igualmente em romances posteriores como O sangue dos outros (1944) e Os mandarins (1954), obra pela qual recebeu o Prêmio Goncourt e que é considerada a sua obra-prima. As teses existencialistas, segundo as quais “cada pessoa é responsável por si própria”, introduzem-se também em uma série de quatro obras autobiográficas, além de Memórias de uma moça bem-comportada (1958), destacam-se: A força das coisas (1963) e Tudo dito e feito (1972). Entre seus ensaios críticos cabe destacar principalmente: a) O Segundo Sexo (1949), onde se detém numa profunda análise sobre o papel das mulheres na sociedade; b) A velhice (1970), sobre o processo de envelhecimento, onde teceu críticas apaixonadas sobre a atitude da sociedade para com os anciãos; e last but not least, se já não é um truísmo, A cerimônia do adeus (1981), onde evocou a figura de seu companheiro de tantos anos, o filósofo existencialista Jean-Paul Sartre.
            Diz um provérbio que “teme mais a morte aquele que mais temeu a vida”. Trata-se de uma clara alusão ao aumento das dificuldades adaptativas incrementada com o passar dos anos para algumas pessoas. Se, em tempos anteriores quando todas as circunstâncias existenciais eram mais satisfatórias, quando toda potencialidade vital era plena, quando o futuro era ainda distante e quando a solidão não tinha sido experimentada, mesmo assim a pessoa passava por momentos de franca dificuldade adaptativa, no envelhecimento então, quando se fazem sentir todas as dificuldades, a capacidade adaptativa anterior só pode mesmo estar piorada. As características trazidas pelo indivíduo à vida (sua constituição) se tornarão mais exuberantes com o envelhecimento e, se o indivíduo viveu desadaptadamente durante fases mais prematuras de sua existência, certamente envelhecerá mais desadaptadamente ainda. As pulsões e paixões reprimidas ao longo da vida não encontram mais na velhice energia suficiente para mantê-las em repressão e eclode na consciência um triste e amargo culto ao passado, com suas frustrações, seus pecados, suas angústias e seus rancores.
Antítese: A exaltação da juventude, com notável predomínio dos valores estéticos sobre tantos outros valores, “revela o velho como o grande vilão do mundo moderno e muitas vezes como um objeto de repulsa e rejeição social”. Na mídia, notadamente em filmes de grande bilheteria e de aventura contagiante, normalmente o herói não tem mais de 18 anos, os bandidos estão sempre na faixa dos 35 a 40 anos e os discretos velhinhos não passam de figuras cômicas que dão o toque de humor à cena de tensão. Os valores estéticos estão tão enraizados culturalmente no comportamento das pessoas que um ato de afeto e carinho entre dois idosos, como por exemplo, o caso de um beijo, é capaz de provocar atitudes de desprezo, jocosidade e até reprovação. O mesmo ato, tendo adolescentes como protagonistas, encontra receptividade social extraordinariamente maior.
Com o modelo midiático americanista (cf. Noble, 1977) que herdamos na propaganda então nem se fala. Todos os produtos vinculados ao prazer tais como: refrigerantes (Coca-Cola), cosméticos, alimentos em geral, carros (Ford), viagens, etc., têm jovens atléticos e formosos como atores aparentemente sociais para sua promoção. Para as pessoas de meia idade ficam as propagandas de supermercados, imóveis, planos de saúde e seguradoras. Ou seja, as coisas não relacionadas ao prazer, mas de vital importância aos demais membros da sociedade. Os idosos, quando aparecem, só o fazem quando é necessário um clima cômico ou caricatural, daí reiterar-se mais uma vez a questão do desprezo, da solidão, da angústia, do preconceito do ponto de vista deste estrato social.  
A sociedade contemporânea é exclusivamente alicerçada na produtividade, na meritocracia (cf. Braga, 2011b), no lucro imediato e na utilidade social da pessoa. Cada um de nós foi reduzido a uma mera “função social” e, dentro desta conjuntura das “funções sociais”, não restou sequer um espaço social para o velho. No filme de Elio Petri, La Clase Operaria Va in Paradiso (ITA, 1971), Lulu Massa é um operário consumido pelo capital e cujo trabalho estranhado consome sua vida. A fábrica adota sistema de quotas (metas) que intensifica a produção. Lulu é o operário-padrão da fábrica, sendo hostilizado pelos outros companheiros de chão de fábrica. Após perder um dedo na máquina, Lulu adota uma atitude critica ao modelo de exploração, confrontando a gerencia. Os operários (situação e oposição sindical) contestam as cotas. Após uma greve, Lulu é demitido. Depois de negociações, ele consegue ser readmitido na fábrica, voltando à linha de produção e reintegrando-se ao coletivo de trabalho. Por conta da mobilização operária, o sistema de cotas é revisto pela direção da fábrica. Deste modo, podemos caracterizar a estrutura lógico-explicativa da analise critica do filme de Elio Petri a partir de dois importantes eixos: primeiro, a produção de mais-valia relativa (Marx), com a inovação técnico-organizacional do capital, desvalorização da força de trabalho como mercadoria, degradação do trabalho vivo (saúde do trabalhador) e resistência contingente e necessária do proletariado etc. Segundo, capital consome trabalho vivo e trabalho estranhado consome vida. Os dois eixos explicativos da estrutura narrativa do filme constituem os traços essenciais do que seria a chamada precarização (e precariedade) do trabalho no capitalismo globalizado.
Até palavras como tradicional, conservador e ortodoxo, inexplicavelmente adquiriram teor pejorativo. É como se o novo “devesse ser obrigatoriamente bom e melhor”. E é assim que o idoso, considerado um peso social, frustra-se com a subtração de seu espaço existencial, anteriormente vivido com plenitude e sucesso. Experimenta uma profunda reação do sentimento da perda sem nada a substituir o objeto perdido: o seu valor como pessoa. Desta forma, mesmo indivíduos relativamente equilibrados emocionalmente durante a vida pregressa, com a velhice tendem a descompensar.
No plano heurístico da totalidade/globalidade com esse background aparentemente se compreende que nações até a pouco denominada “jovens”, entre as quais se destaca o Brasil, já não podem mais ostentar esse pomposo adjetivo sem que sejam feitas  algumas importantes distinções.  Ao mesmo tempo em que cresce a pressão dos jovens para ocupar seu lugar na sociedade, cresce também o número de pessoas idosas que se sentem descartadas não só do mercado de trabalho, mas da própria sociedade. À insegurança sentida pelos jovens no que se refere ao seu futuro, corresponde a insegurança das pessoas que ultrapassam a idade produtiva. Essa nova configuração  levanta logo uma série de questionamentos, seja na linha de identificação dos fatores que a provocaram e a continuam mantendo, seja na linha  dos desafios e medidas que se colocam com premência em relação ao presente e ao futuro não muito distante.   Toda essa problemática tem profunda incidência de cunho ético-político. O século XXI traz consigo outro aspecto nem sempre devidamente contemplado ao menos no contexto das nações ditas emergentes: o do rápido e expressivo envelhecimento da população.
A originalidade do processo de envelhecimento da população brasileira não se manifesta apenas por coordenadas histórico-culturais, nem somente pela freada brusca da natalidade. Uma análise atenta e cuidadosa que propicie uma plena busca de superação dos problemas não pode esquecer muitos outros fatores sociais que remetem para a história das pessoas, comparativamente às pessoas com deficiência têm sido caracterizadas por diversos paradigmas no decorrer da história da humanidade os quais resistem ao longo dos séculos, tendo provocado consequências históricas, benéficas ou não, na vida dessas pessoas, claro que naturalmente sempre entendidas dentro de um contexto sócio-político e cultural. Concretamente isso significa que a história pessoal, com sua multiplicidade de variáveis, pode ser marcada de maneira predominante por emoções e afetos positivos ou negativos.
Enfim, a sociedade, em todas as culturas, tem atravessado diversas fases no que se refere às práticas sociais. Ela começou praticando a exclusão social de pessoas que por causa das condições atípicas não lhe pareciam pertencer à maioria da população. Em seguida desenvolveu o atendimento segregado dentro de instituições, passou para a prática da integração social e recentemente adotou a filosofia da inclusão social para modificar os sistemas sociais gerais. O livro: Idosos no Brasil - Vivências, desafios e expectativas na terceira idade, organizado pela professora Anita Liberalesso Néri e coeditados pela Editora Fundação Perseu Abramo e pelas Edições SESC, reúne análises aprofundadas dos dados da pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo em parceria com o Serviço Social do Comércio - SESC (Nacional e São Paulo). A pesquisa, em seu caráter meritório é uma das mais amplas já realizadas no Brasil sobre os idosos, em análise  comparativa interagiu com 2.136 pessoas com mais de 60 anos, e também 1.608 jovens e adultos de 16 a 59 anos, residentes em 20 municípios pequenos, médios e grandes das cinco regiões do país.
 Assinados por reconhecidos estudiosos da chamada “terceira idade”, os artigos escritos especialmente para o livro analisam a realidade e as expectativas dessa parcela cada vez maior da população em relação a escolaridade, discriminação social, garantia dos direitos, saúde, discriminação racial, família, cultura e lazer, produtividade e renda, entre outros cruzamentos. Numa abordagem mais original, analisam também, sempre a partir dos resultados obtidos na pesquisa, a autoimagem dos idosos, assim como a imagem que deles têm os mais jovens, compondo um retrato surpreendente e fidedigno da terceira idade no Brasil. Ao final do livro, como apoio à leitura dos textos, gráficos e tabelas trazem um resumo substancial da pesquisa. A divulgação desses dados e de suas análises, ao proporcionar a rediscussão do papel do idoso na família, nos grupos de convívio e em outros espaços sociais, tem como objetivo sensibilizar a sociedade em geral, e também, mais especificamente, dar subsídios para que governantes, gestores, gerontólogos e geriatras reformulem políticas públicas e ampliem serviços e equipamentos para que os idosos possam usufruir com dignidade e novas possibilidades de realização essa etapa de suas vidas.
Finalmente, no conto de Stanislaw Ponte Preta (1923-1968): “A Velha Contrabandista”, diz que era uma velhinha que sabia andar de lambreta. Todo dia ela passava pela fronteira montada na lambreta, com um bruto saco atrás da lambreta. O pessoal da Alfândega - tudo malandro velho - começou a desconfiar da velhinha. Um dia, quando ela vinha na lambreta com o saco atrás, o fiscal da Alfândega mandou-a parar. A velhinha parou e então o fiscal perguntou assim pra ela: - Escuta aqui, vovozinha, a senhora passa por aqui todo dia, com esse saco aí atrás. Que diabo a senhora leva nesse saco? A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam e mais outros, que ela adquirira no odontólogo, e respondeu: - É areia! Aí quem sorriu foi o fiscal. Achou que não era areia nenhuma e mandou a velhinha saltar da lambreta para examinar o saco. A velhinha saltou, o fiscal esvaziou o saco e dentro só tinha areia. Muito encabulado, ordenou à velhinha que fosse em frente. Ela montou na lambreta e foi embora, com o saco de areia atrás.
 Mas o fiscal desconfiado ainda. Talvez a velhinha passasse um dia com areia e no outro com muamba, dentro daquele maldito saco. No dia seguinte, quando ela passou na lambreta com o saco atrás, o fiscal mandou parar outra vez. Perguntou o que é que ela levava no saco e ela respondeu que era areia, uai! O fiscal examinou e era mesmo. Durante um mês seguido o fiscal interceptou a velhinha e, todas às vezes, o que ela levava no saco era areia. Diz que foi aí que o fiscal se chateou: - Olha, vovozinha, eu sou fiscal de alfândega com 40 anos de serviço. Manjo essa coisa de contrabando pra burro. Ninguém me tira da cabeça que a senhora é contrabandista. - Mas no saco só tem areia! - insistiu a velhinha. E já ia tocar a lambreta, quando o fiscal propôs: - Eu prometo à senhora que deixo a senhora passar. Não dou parte, não apreendo não conto nada a ninguém, mas a senhora vai me dizer: qual é o contrabando que a senhora está passando por aqui todos os dias? - O senhor promete que não “espáia”? - quis saber a velhinha. - Juro - respondeu o fiscal. - É lambreta.
Bibliografia geral consultada:
BRAGA, Ubiracy de Souza, “Simplesmente: Simone Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir”.http://cienciasocialceara.blogspot.com.br/2011/09/simplesmente-simone-lucie-ernestine.html; Idem, “A ´obesidade mental` da meritocracia no Brasil”. http://cienciasocialceara.blogspot.com.br/2011/12/obesidade-mental-da-meritocracia-no.html; ARENDT, Hannah, A promessa da política. 2ª edição. Rio de Janeiro: DIFEL, 2009; PRANDI, Reginaldo, “Dei africani nell’ odierno Brasile: Introduzzione sociologica al candomblé”. In: Luisa Faldini Pizzorno (org.), Solto le acque abissali. Firenze: Aracne, 1995a; Idem, “Raça e Religião”. In: Novos Estudos CEBRAP, n° 42, julho de 1995b; Idem, Mitologia dos Orixás. São Paulo: Companhia das Letras, 2001; SODRÉ. Muniz Araújo Cabral, O Dono do Corpo. Rio de Janeiro: Codecri, 1979; Idem, Corpo de Mandinga. Manati, 2002; GOFFMANN, Erving, Manicômios, conventos e prisões. São Paulo: Perspectiva, 1974; BOSI, Ecléa, Memória e Sociedade: Lembranças de Velhos. São Paulo: T. A. Queiroz, 1979; ŽIŽEK, Slavoj, Ils ne savent pas ce qu’ils font (Le sinthome ideólogique). Paris: Point Hors Ligne, 1990; Idem, Eles Não Sabem o Que Fazem. O sublime objeto da ideologia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1992; Idem, Die Nacht der Welt Pyschoanalyse und Deutscher Idealismus. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1998; ENGELS, Friedrich, “A origem da família, da propriedade privada e do Estado”. In: Obras Escolhidas. Volume 3. São Paulo: Editora Alfa-Omega, [s.d].; BEAUVOIR, Simone de, A velhice. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1990; BOBBIO, Norberto, O tempo da memória: De senectute e outros escritos autobiográficos. Rio de Janeiro: Campus, 1997; BARROS, Myriam Moraes Lins de (org.), Velhice ou terceira idade? Estudos antropológicos sobre identidade, memória e política. Rio de Janeiro: Editora Fundação Getúlio Vargas, 1999; NOBLE, David, América by design - Science, Technology and the Rise Corporate Capitalism. New York: Alfred A. Knopf Editeur, 1977; MOTTA, Flávia de Mattos, Velha é a vovozinha. Identidade feminina na velhice. Santa Cruz do Sul: Editora da UNISC, 1998; OLIVEIRA,  P. S, Vidas compartilhadas. Cultura e coeducação de gerações na vida cotidiana. São Paulo: Hucitec, 1999; DEBERT, Guita Grin (org.), Antropologia e velhice. Textos didáticos, IFCH/UNICAMP, n.13, 1998; Idem, & GOLDSTEIN, Donna (org.), Políticas do corpo e o curso da vida. São Paulo: Sumaré, 2000; BALLONE, G. J., “Alterações Emocionais no Envelhecimento”. http://gballone.sites.uol.com.br/geriat/andropausa.html, 2002; SILVA, Vera Maria Tietzmann, “Lendo sobre a velhice: resenha”. In: Revista da UFG, Vol. 5, No. 2, dez 2003, on line: www.proec.ufg.br; GRÜN, Anselm, A sublime arte de envelhecer. Petrópolis (RJ): Editora Vozes, 2007; ANTUNES, João Lobo, “Dignidade”. In: Memória de Nova Iorque e outros ensaios. Lisboa: Gradiva, 2002; pp. 178-191; ARIÈS, Philippe, “A morte invertida”. In: O homem perante a morte - II. Publicações Europa-América, 1988; 309-358; Idem, Sobre a história da morte no ocidente desde a idade média. 2ª ed. Lisboa: Teorema, 1989; pp. 137-190; CASTRO, Dana, La mort pour de faux et la mort pour de vrai. Paris:Albin Michel, 2000; SILVEIRA, Renato da, Candomblé da Barroquinha, Editora: Maianga ISBN 8588543419; CARNEIRO, Edison, Candomblés da Bahia. Salvador: Editora Museu do Estado da Bahia, 1948, 1954; Editora Martins Fontes, 1961; NÉRI, Anita Liberalesso (org.), Idosos no Brasil: Vivências, desafios e expectativas na terceira idade. Editora: SESC, 2007; 288 páginas, entre outros.

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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Chamada de Artigos para a revista Juventude.br


A revista Juventude.br vem por meio desta realizar chamada para artigos para suas próximas edições.

Serão aceitos artigos que versem sobre os temas dos dossiês ou sobre outros temas ligados à juventude, suas práticas, sociabilidade, cultura, participação política, formas de ação coletiva e memória. Também serão aceitas resenhas de livros recentes ou clássicos ligados aos temas acima mencionados.

Os dossiês dos próximos dois números e as datas limites para envio de artigos e resenhas são os seguintes:

Número 12 – Dossiê temático: “Educação e trabalho” - Data limite para envio de artigos: 23 de junho.

Número 13 – Dossiê temático: “Políticas públicas e juventude” - Data limite para envio de artigos: 01 de outubro.

Os artigos deverão ser enviados até o dia 20 de outubro para o e-mail: revistajuventude.br@cemj.org.br . Devem ter até 20 laudas digitadas com fonte Time News Roman 12 e espaço 1,5. As resenhas não devem ultrapassar 5 laudas.

A revista Juventude.br é uma publicação do Centro de Estudos e Memória da Juventude voltada para o debate e a divulgação de pesquisas sobre a juventude. Pretende ser um elo entre a produção acadêmica e os movimentos juvenis, aprofundando a reflexão sobre a condição juvenil no Brasil e favorecendo as possibilidades de sua transformação.

A revista é distribuída gratuitamente para lideranças e organizações juvenis cadastradas pelo CEMJ e pode também ser acessada através da internet:http://www.cemj.org.br/nossosProjetos_RevistaJuventude_br.asp


Os Editores.

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quinta-feira, 29 de março de 2012

Aula Inaugural do semestre 2012.1 do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Ceará (UFC). Palestra intitulada "Antropologia dos circuitos juvenis", proferida no dia 20 de março de 2012 pelo professor livre docente José Guilherme Magnani.













Valeu Daniel Valentim :)


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quinta-feira, 22 de março de 2012

Dica para os dias de prova

via VastoMundo

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19.03.2012 - Edital do Programa de Extensão Universitária (ProExt) apoia temática de Juventude


Instituições públicas de ensino superior podem apresentar programas e projetos de extensão universitária com o tema Juventude pelo Programa de Apoio à Extensão Universitária (Proext).

O edital voltado para as instituições de ensino superior foi lançado este mês pelo Ministério da Educação (MEC) e as propostas podem ser enviadas até o dia 14 de abril. A verba para cada programa é de R$ 150 mil e para projeto, R$ 50 mil. Os recursos do Proext são destinados para a melhoria das condições de gestão das atividades acadêmicas de extensão das instituições públicas de educação superior e para o estímulo ao desenvolvimento social e espírito crítico dos estudantes. O edital pode ser acessado no portal do Ministério da Educação (MEC) .

Linhas temáticas  - As instituições devem orientar a construção de propostas com foco na inclusão social e dentro de 16 linhas temáticas, entre elas, desenvolvimento rural; pesca e aquicultura; cultura e arte; redução das desigualdades sociais e combate à extrema pobreza; geração de trabalho e renda por meio do apoio e fortalecimento de empreendimentos econômicos solidários; promoção da igualdade racial; mulheres e relações de gênero.

A linha temática Juventude prevê ações de: a) Pesquisa-ação voltada às diversas áreas do conhecimento com enfoque na juventude negra brasileira e/ou na juventude com deficiência; b) Pesquisa-ação voltada a alfabetização de jovens e/ou elevação de escolaridade considerando as especificidades dos jovens na faixa etária de 18 a 29 anos.

Prazos - As propostas devem ser apresentadas até 14 de abril. Os resultados serão divulgados no dia 12 de junho, e a execução dos projetos acontecerá em 2013. As instituições interessadas em participar devem apresentar as propostas por meio da plataforma eletrônica Sigproj .

edital

Fonte:
Coordenação-Geral de Direitos Humanos – CGDH
Diretoria de Políticas de Direitos Humanos e Cidadania
Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão - SECADI
Ministério da Educação - MEC
(61) 2022-9206


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domingo, 11 de março de 2012

Por os jovens costumam tirar fotos em espelhos ou em banheiros ou, ainda, nos dois e postar no facebook?



Essa pergunta me veio de um dos leitores do Café com Sociologia. Existem diversas possibilidades de respostas, mas, buscarei - me apropriando da Sociologia - dar uma “resposta” pelo menos orientadora a uma reflexão.

Vivemos em uma sociedade onde a vida torna-se cada vez mais privada. O individualismo marcante de nossa sociedade tem levado os jovens a se fecharem em seu mundo, embora o ser humano tenha tendência à interagir com outros indivíduos. A internet acaba sendo uma espécie de “válvula de escape” para essa individualidade que o perturba. Perturba porque o que somos, só somos a partir do outro que é o nosso parâmetro. Buscamos ser muita coisa só porque do outro (não teria porque usar roupas novas e caras sem que as pessoas soubessem; ser bonito sem ser visto...). Vivemos o momento do "apareço logo existo!" Mesmo em um mundo tão tendencioso à privacidade essa é a realidade.

Mas se o jovem só será algo a partir do outro, como lhe dar com o individualismo?

A saída tem sido a interação social por meio das redes virtuais de relacionamento. Por meio de tais redes o jovem consegue manter sua individualidade de forma pública. Como assim? Simples: se mantendo em meu mundo real individualizado e, ao mesmo tempo, participando de um outro mundo mais social, porém, mais seguro que aquele. Mais seguro por que sua publicidade de certa forma é controlável. Pode escolher quem e o que quer compartilhar. Isso nas relações sociais cara-a-cara não é tal fácil. Pode ter centenas de amigos e deixar de ter tais amigos em poucos cliques. Mas qual a relação disso com fotos em espelhos e banheiros?

O individualismo fez com que o jovem se sinta mais seguro quando estar só. Estando só, no banheiro ou no quarto, cria-se um cenário propício à auto fotografia sem constrangimentos, sem ninguém para avaliá-lo. Assim, em seu mundinho individual se sente seguro para fazer tantas poses quanto for necessária para uma foto classificável como boa (que em meu ver são sempre horríveis, principalmente aquelas acompanhadas de biquinhos... rsrsrs). Não tendo nenhum parâmetro não precisará se preocupar com “micos”. Feitas as poses terá a possibilidade de publicizar no facebook a foto escolhida, tida como a melhor. Essa publicização ocorre de modo controlado... a qualquer sinal... qualquer comentário indesejado... a foto poderá ser retirada do compartilhamento. Essa postura aponta que a coletividade só é realizável devido a possibilidade de, ao menor sinal de perigo, retornar a “individualidade segura”. Assim, aparece para existir!

Em suma, não seria possível se expor no mundo real pagando micos carregados de poses e biquinhos... melhor recorrer ao espelho!

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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Infográfico explica diferenças entre as gerações

Se você anda boiando nessa conversa de conflito de gerações, eis um infográfico que vai ajudar a compreender o movimento histórico envolvendo o passar do bastão da juventude entre Baby Boomers, Geração X e Millennials:

Leia mais em: ((( TRETA )))  

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Contrariando o nu na festa “pop”, do Rock in Rio. O sonho acabou!


Contrariando o nu na festa “pop”, do Rock in Rio. O sonho acabou!

Ubiracy de Souza Braga*


__________________
* Sociólogo (UFF), Cientista Político (UFRJ), Doutor em Ciências junto à Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Professor Associado da Coordenação do curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Ceará (UECE).





Em meio a milhares de camisetas negras, a cor predominante na noite do metal no Rock in Rio, grupos de evangélicos respondiam ao slogan do evento. “Por Um Mundo Melhor? Só Jesus”, diziam as faixas espalhas pelo local na noite de ontem (25) na Cidade do Rock. A noite do metal teve como principal atração a banda Metallica, além do grupo Slipknot, Sepultura e Motörhead. Em meio à mensagem dos evangélicos (cf. Braga, 2007; 2010), outras mais sombrias estampavam as camisetas dos presentes, com frases como “o martelo da justiça vai te esmigalhar” e “perder toda a esperança é alcançar a verdadeira liberdade”.
Caveiras também eram imagens comuns na noite de ontem. Al Qaeda, a seleção da Alemanha, o Cristo Redentor e “Seu Madruga” também decoraram as roupas dos fãs de heavy metal no Rock in Rio.Algumas bandas menos cotadas tiveram que tocar clássicos do gênero para agradar ao ressabiado público “metaleiro”. Outras apelaram para estripulias físicas, como um salto de quase quatro metros para ganhar os fãs de vez.Mas, segundo informações do G1, o Metallica não decepcionou a maioria das cem mil pessoas que estiveram na Cidade do Rock para ver a banda. Foram mais de duas horas e diversos hits de diferentes fases da banda de heavy metal. Um dos maiores sucessos, “Enter Sandman”, levou a plateia ao delírio.
            No Palco Sunset, sob o céu nublado e tempo ameno, houve o encontro de Matanzae B Negão, seguido por Korzus com o The Punk Metal Allstars. No mesmo palco, o Angra dividiu o show com a ex-vocalista do Nightwish, a finlandesa Tarja Turunen. Quem encerrou o Palco Sunset, com 1h30 de atraso por causa de problemas técnicos, foi o Sepultura com o grupo de percussão francês TamboursduBronx, que tiveram ainda a participação de Mike Patton, do Faith No More. Já no Palco Mundo, as bandas de menos renome só se saíram bem tocando covers: os paulistanos do Glória, hostilizados pelo público, optaram por um tributo a banda Pantera, e os nova-iorquinos do CoheedandCambria, apesar de bem recebidos, só ganhou o público ao fazer uma versão de “The Trooper”, do Iron Maiden, o que dispensa-nos de comentários.
            Enquanto milhares se preparam para os shows como de Katy Perry, Rihanna, Red Hot Chili Peppers, mais de 300 jovens evangélicos vestem a camisa de “Jesus” para evangelizar no Rock in Rio, o público do Rock in Rio Lisboa em 2010.O grupo é o “Juventude Vitória em Cristo” da igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo cujos membros vestem a camiseta: “Um mundo melhor, só com Jesus”, prontos para trazer para Cristo os jovens do Rock in Rio. O lugar de encontro é na Advec do Recreio, e os participantes se munem com blusas, faixas e panfletos, para realizar o trabalho evangelístico em sinais de trânsito, em ruas próximas à Cidade do Rock e em frente ao local do show.

Foto: Reuters

O anarquismo (cf. Woodcock, 1962; 2002) desde seu surgimento possui diversas associações com as artes, particularmente com a música e a literatura. A influência do pensamento libertário não é sempre diretamente relacionada a um conjunto de imagens específicas ou figuras públicas, mas pode ser vista em certa instância, em torno da “libertação máxima dos seres humanos em conjunto ou individualmente, em relação ao seu poder de expressão, criatividade e imaginação”. É necessário, porém, não permitir que o caráter intelectual que gira entorno das obras acabe gerando discriminações, seja dentro ou fora do meio artístico.O anarco-pacifismo, também conhecido como “anarquismo pacifista” apesar de classicamente não se colocar no campo do anarquismo, é assim chamado por alguns adeptos da “ação direta”por ter algumas proximidades com o projeto libertário.
Esta linha de intervenção posiciona-se contra qualquer tipo de violência como meio de se concretizar a transformação social radical, e tem como um dos principais conceitos a desobediência civil.O seu maior predecessor foi Henry David Thoreau, que através de seu trabalho “A Desobediência Civil” influenciou homens como Liev Tolstói e Mahatma Gandhi. O maior expoente dessa linha foi Tolstói, mas o “próprio nunca se reivindicou anarquista e seus seguidores na Rússia”. Eles eram principalmente camponeses, e baseavam-se em uma interpretação do cristianismo que rejeitava qualquer autoridade coerciva. Eles eram ativos pela Rússia e seguiam uma dieta vegetariana estrita. Foram inicialmente perseguidos pelo Estado Czarista, por recusarem sua autoridade. Após a Revolução Bolchevique, foram alvos de repressão, por recusarem esse governo assim como o anterior. A maioria deles foi morta no governo de V.I. Lenin e Joseph Stalin.
Se jamais houve um verdadeiro individualista, foi Henry David Thoreau. Como lembrou seu amigo, o poeta, ensaísta e filósofo Ralph Waldo Emerson, “ele não foi feito para nenhuma profissão; nunca se casou; viveu sozinho; nunca foi à igreja; nunca votou; recusava-se a pagar tributos ao Estado; não comia carne; não bebia vinho; nunca conheceu o uso do tabaco; e, embora fosse um naturalista, não usava armadilha ou arma”. Ele escolheu, sabiamente para si mesmo, sem dúvida, ser “bacharel do pensamento e da natureza”. Ele não tinha “nenhum talento para a riqueza, e sabia ser pobre sem o menor sinal de sujeira ou deselegância”. Emerson poderia ter acrescentado que Thoreau condenou a guerra e ajudou escravos fugidos. O poeta americano Walt Whitman confidenciou que “uma coisa em Thoreau o mantém muito próximo de mim: refiro-me à sua falta de leis - sua discordância - o fato de seguir absolutamente seu próprio caminho, quaisquer que sejam as consequências”.
Historicamente falando, recorde-se que o anarquismo tinha ganhado raízes em Ascona desde que em 1869 o célebre anarquista russo Mikhail Bakunin tinha vindo residir para aqui como refugiado político. Também pouco tempo depois começaram a chegar outros refugiados com projetos distintos, como o de fundar um convento laico com o nome de Fraternitas, por iniciativa de teósofos como Alfredo Pioda e Franz Hartmann, justamente nas montanhas de Ascona, que receberiam então, mais tarde, o nome de Monte Verità.Em novembro de 1900, Ida Hofmann(feminista, anarquista, professora de piano nascida na Áustria em 1864), Henry Oedenkoven (1875-1935), Gustav Gräser, LotteHattemer, Karl Gräser y Jenny Hofmann decidem criar uma comunidade autárquica e libertária que os afastasse da civilização. Chamaram ao seu projeto de Cooperativa Vegetariana Monte Verità. Escolheram Ascona porque descobriram que na região residiam grupos isolados que viviam quase que em clandestinidade. Além disso, discordavam profundamente do rumo que as sociedades ocidentais estavam a tomar. Decidiram então adoptar a chamada “terceira via”, conhecida na Alemanha como Lebensreform, ou “Reforma da vida”, que tinha como antecedente o pensamento de Bernstein.
Muitos jovens da pequena burguesia europeia que não desejavam transformações profundas na economia sentiram-se atraídos por este projeto. Tal foi o caso do casal Ida Hofmann e Henry Oedenkoven, ela professora e, ele, jovem herdeiro. Também as ideias de Karl Graser influenciaram o grupo. Graser preconizava que as reformas de vida se devia inspirar no livro Émile, de Jean Jaques Rousseau, bem como na ideia de Tolstoi, para quem o homem deve seguir aquilo que a sua consciência determina.O irmão de Karl, o poeta e pintor Gustav Graser, com 21 anos, e a irmã de Ida, Jenny, foram os dois elementos mais radicais de todo o grupo. Gustav tinha pertencido a vários círculos boêmios da Alemanha. Mais tarde, Hermann Hesse converter-se-ia num dos seus discípulos.
Na região sul dos Alpes suíços, o Ticino, localiza-se vários lagos da Suíça italiana, entre eles o Lago Maggiore, imponente pela sua extensão e por se achar encravado no coração dos Alpes. Chegar às aldeias ribeirinhas do lago é como aterrar numa espécie de oásis, no meio de uma paisagem tropical, cujos grandes picos se refletem na superfície brilhante dos lagos. No século XIX, várias povoações estabeleceram-se ao seu redor, entre elas a comunidade de Ascona. A região está dotada de um clima subtropical muito diferente das temperaturas extremas do resto da Suíça. A riqueza mineral é enorme e dá ao lugar um magnetismo especial que propicia o aparecimento de inumeráveis lendas. A região adquiriu um prestígio de paraíso terrestre, quase mágico. E rapidamente começou a receber refugiados políticos e pensadores que fugiam da atribulada vida das grandes cidades europeias, ao que contribuía a tradicional neutralidade Suíça face aos conflitos do resto da Europa.
Um lendário personagem do Monte Verità foi o médico anarquista Dr. Raphael Friedeberg, que atraiu, a partir de 1905, uma colónia de outros anarquistas. Tinha sido militante do Partido Socialdemocrata Alemão, e pensou em Ascona como o local ideal para criar uma comunidade anarco-reformista baseada no conceito criado por ele mesmo: o psiquismo histórico. Esta ideia postulava que a libertação do indivíduo podia dar-se a partir de uma educação não coerciva, livre do dogmatismo sócio religioso da burguesia. Friedeberg desenvolveu a medicina natural ao longo de 35 anos, e nunca deixou de polemizar com a medicina científica, apesar da fama e do prestígio desta. Outros anarquistas ligados ao Monte Verità foram Erich Musham Fritz Brupbacher, Kropotkine, Ernst Frick, o boémio psicanalista JohanesNohl, o psicanalista austríaco Otto Gross, que procurou fundar no Monte Verità um matriarcado naturista e comunista.
Erich Müsham tornou-se, no entanto, num crítico ferrenho da comunidade. Para ele havia uma terrível contradição no objetivo de criar uma colónia autárquica inspirada em princípios comunistas. Quando observava a convivência no grupo, alertava: “Todas as colónias comunistas que não se apoiem numa orientação revolucionária socialista terminarão no fracasso, sobretudo quando os laços que unem os participantes são tão insignificantes como os princípios vegetarianos”. Em 1909 Monte Verità contava cerca de 200 residentes e um número aproximado de opiniões. A maioria eram seguidores do teosofismo, enquanto uma parte minoritária estava próxima do antroposofismo de Rudolf Steiner. Ainda que Ida e Henry não fossem teosóficos, partilhavam também o interesse pela mitologia e reencontro das religiões orientais, sobretudo o hinduísmo e budismo.A criação em 1910 da Escola da Nova Vida, dirigida por Rudolf vonLaban e da sua ajudante Mary Wigman, trouxe ao Monte Verità uma fase de grande ebulição artística; a escola estava próxima da ideia da reforma do corpo e do espírito que preconizava Hofmann. Nesses anos o dadaísmo não deixou de marcar presença com a chegada de Hans Arp e da sua mulher Sophie Taeureb.
Os habitantes de Ascona deram aos monteveritanos o nome de “balabiott”, que significa “dançam nus”. Alguns velhos habitantes recordam: “Aqueles nórdicos (alemães, suíços, holandeses, ingleses) faziam festas durante noites inteiras, e durante as quais dançavam despida uma espécie de dança árabe”. Entrar no Monte Verità era proibido para as crianças e jovens de Ascona; para os adultos, aquele local era para os loucos, endiabrados, monstros, seres sujos que viviam em pequenas cabanas como carneiros.Apontadas com ainda maior temor eram as mulheres que não eram poupadas a adjetivos: “a endiabrada”, “a puta”, “a cabra negra”, “a impudica”.O Município acabou por proibir as pessoas em circular em Ascona com “minifraldas” porque os “balabiott”, quando desciam ao povoado, traziam túnicas largas atadas à cintura, e quando não havia ninguém em redor desatavam-nas deixando à vista as pernas e o corpo.
Quando Mohandas Gandhi estava estudando Direito na Inglaterra, conheceu Henry Salt, biógrafo de Thoreau. Por volta de 1907, Gandhi se opunha a leis na África do Sul que impediam que indianos viajassem, comerciassem e vivessem livremente, e um amigo lhe deu uma cópia de Desobediência civil, que ele leu enquanto esteve preso por três meses em Pretoria. Ele reconheceu que “as ideias de Thoreau me influenciaram grandemente. Adotei algumas delas e recomendei o estudo de Thoreau a todos os amigos que me ajudavam na causa da Independência da Índia. O nome do meu movimento foi retirado do ensaio de ThoreauSobre o dever da desobediência civil. (...) Até ler aquele ensaio, nunca havia encontrado uma tradução apropriada em inglês para a palavra indiana Satyagraha (...). Não há dúvidas de que as ideias de Thoreau influenciaram enormemente meu movimento na Índia”. Harding relatou que Gandhi “sempre carregou uma cópia [de Desobediência civil] consigo nas várias vezes em que foi preso”. Havia um panfleto em Nova Délhi, Henry David Thoreau: The Man Who MouldedtheMahatma’sMind (“Henry David Thoreau: o homem que moldou as ideias do Mahatma”).

Manifestação anárquicade 600 pessoas nos Alpes Suíços, no inverno, contra o aquecimento global.
Do ponto de vista da contracultura os “hippies”, ou no singular, hippie, eram parte do que se convencionou chamar “movimento de contracultura dos anos 1960”, tendo relativa queda de popularidade nos anos 1970 nos EUA, embora o movimento tenha tido muita força em países como o Brasil somente na década de 1970. Uma das frases idiomáticas associada a este movimento foi a célebre máxima “Paz e Amor” (“Peace and Love”) que precedeu a expressão “Ban theBomb”, a qual criticava o uso de armas nucleares. Gerald Holtom, um designer politicamente correto enquanto objetor à Segunda Guerra Mundial convenceu o DAC (DirectActionCommitteeAgainst Nuclear War - comitê de ação direta contra a guerra nuclear) londrino de que se um elemento visual fosse utilizado que simbolizasse o desarmamento nuclear, o protesto daquela sexta-feira santa de 1958 surtiria mais efeito no mundo. Foi assim que surgiu o símbolo “Ban theBomb” (“proíba a bomba”), ou “Paz e Amor” como ficou conhecido entre nós no Brasil.
O Festival de Woodstock foi uma celebração à chegada da Era de Aquário, e nada representava melhor do que isso, o significado dessa Nova Era. Ou melhor, outro evento que culminou em 20 de julho de 1969, carregava em si o mesmo simbolismo: a chegada do Homem (da Humanidade) à Lua. Outra utopia que se tornava realidade. O homem saltou de seu último limite terrestre, a conquista do Everest, em 1953 (Edmund Hillary e TenzingNorgay), para o espaço exterior, o lançamento do primeiro satélite artificial, o Sputnik (1957), e as primeiras naves do programa espacial soviético. E com a motivação da Guerra Fria, os anos 60 dão início a uma nova utopia. Em 1961, o presidente John Kennedy, lança o desafio de colocar astronautas na Lua ainda na década de 60. Isso é muito pós-moderno. Sua morte não modificou o roteiro do Programa Apollo – principalmente a Apollo 8 (representa a partida, porque colocou humanos além da órbita terrestre baixa); a Apollo 11 (representa a chegada, o objetivo alcançado); e a Apollo 13, pela epopeia que foi o retorno à Terra - que teve 17 missões, todas bem sucedidas (menos a Apollo 13, que mostrou a todos o nível de aventura que eram aquelas viagens).  Os soviéticos mudaram seu programa por causa do fracasso de seus foguetes para missão desse porte e passaram a investir em voos de longa duração em órbita baixa, que se mostrou muito eficaz nas experiências de permanência no espaço e suas implicações no organismo humano. Não há nada mais representativo do simbolismo da Era de Aquário do que a imagem da própria Terra flutuando no imenso vazio, vista do espaço.

Quando a imagem foi divulgada aqui na Terra, o poeta Archibald MacLeish escreveu no jornal “New York Times”: “Ver a Terra como ela realmente é, pequena e azul e bela naquele eterno silêncio em que flutua, é ver-nos como viajantes juntos sobre a Terra, irmãos nesse brilhante afeto em meio ao frio eterno – irmãos que agora se sabem realmente irmãos”. No livro “Nascer da Terra: como o homem viu a Terra pela primeira vez”, 2008, Robert Poole acredita que esse evento “é o nascimento espiritual do movimento ambientalista”, porque “é o momento em que o sentimento da era espacial deixou de ser o que ela significava para o espaço para ser o que significa para a Terra”.O Festival de Woodstock foi projetado para 50.000 pessoas, chegaram 500.000 jovens,daí o caos nas rodovias (os 160 km de estrada que liga Nova York a Bethel eram percorridos em mais de 8 horas, com gente abandonando seus carros nos acostamentos (sic) e seguindo a pé) e na “infra” geral de produção, como alimentação e toaletes, compensados pela constelação de artistas que se apresentaram e pelo espírito de confraternização e da filosofia de paz e amor.
Ipso facto, John Lennon ganhou notoriedade mundial como um dos fundadores do grupo de rock britânico The Beatles. Na época da existência dos Beatles, John Lennon formou com Paul McCartney o que seria uma das melhores e mais famosas duplas de compositores de todos os tempos, a dupla Lennon/McCartney. John Lennon foi casado com Cynthia Powell, e com ela teve o filho Julian. Em 1966, conheceu a artista plástica japonesa Yoko Ono. Em 1968, Lennon e Yoko produziram um álbum experimental, “Unfinished Music No.1: TwoVirgins”, que “causou controvérsia por apresentar o casal nu, de frente e de costas, na capa e contracapa”. A partir deste momento, John e Yoko iniciariam uma parceria artística e amorosa. Cynthia Powell pediu o divórcio no mesmo ano, alegando adultério. Em 1969, o casal se casou se já não é um truísmo, numa cerimônia privada no rochedo de Gibraltar. Usaram a repercussão de seu casamento para divulgar um evento pela paz, chamado de “Bed in”, ou “John e Yoko na cama pela paz”, como um resultado prático de sua lua-de-mel, realizada no Hotel Hilton, em Amsterdã. No final do mesmo ano, Lennon comunicou aos seus parceiros de banda que estava deixando os Beatles, daí a expressão: “o sonho acabou”! Ainda no mesmo período, Lennon devolveu sua medalha de Membro do Império Britânico à Rainha Elizabeth,“como uma forma de protesto contra o apoio do Reino Unido à guerra do Vietnã, o envolvimento do Reino Unido no conflito de Biafra” e lastbutnotleast, o fraco desenvolvimento de ColdTurkey nas paradas de sucesso.
De outra parte, as questões ambientais, a prática de nudismo, e a emancipação sexual eram ideias respeitadas recorrentemente por estas comunidades. Adotavam um modo de vida comunitário, tendendo a uma espécie de socialismo-anarquista ou estilo de vida nômade e à vida em comunhão com a natureza, negavam o nacionalismo e a Guerra do Vietnã, bem como todas as guerras, abraçavam aspectos de religiões como o budismo, hinduísmo, e/ou as religiões das culturas nativas norte-americanas e estavam em desacordo com valores tradicionais da classe média americana e das economias capitalistas e totalitárias. Eles enxergavam o patriarcalismo, o militarismo, o poder governamental, as corporações industriais, a massificação, o capitalismo, o autoritarismo e os valores sociais tradicionais como partem de uma “instituição” única, e que não tinha legitimidade.
Do ponto de vista da etno-musicologia, vale lembrar que houve um crescimento no interesse popular ao anarquismo ocorrido durante os anos 1970 no Reino Unido após o nascimento do punk rock, em particular os gráficos influenciados pelo situacionismo do artista Jamie Reid, que desenhava para os Sex Pistols e o primeiro single da banda, “Anarchy in the UK”. No entanto, enquanto que a cena punk inicial adotava imagens anarquistas principalmente por seu valor de choque, a banda Crass pode ter sido a primeira banda punk a expor ideias anarquistas e pacifistas sérias. O conceito do anarcopunk foi assimilado por bandas como Flux of Pink Indians e Conflict. O co-fundador do Crass, Penny Rimbaud, disse que sentia que os anarcopunks eram representantes do punk verdadeiro, enquanto que bandas como os Sex Pistols, The Clash e The Damned eram nada mais do que “fantoches da indústria musical”.

A cidade de Pamplona, no Norte da Espanha (2002).
Enquanto passavam os anos 1980, dois novos subgêneros da música punk evoluíram do anarcopunk: crust punk e d-beat. O “crust punk”, e seus pioneiros foram as bandas Antisect, Sacrilege e Amebix. Osd-beat eram uma forma de música punk “mais bruta e rápida”, e foi criada por bandas como Discharge e The Varukers. Um pouco depois, na mesma década, o grindcore desenvolveu-se do anarcopunk. Semelhante com o “crust punk”, porém ainda mais extremo musicalmente (utilizava blast beats e vocais incompreensíveis), seus pioneiros foram Napalm Death e Extreme Noise Terror. Paralelamente ao desenvolvimento desses subgêneros, muitas bandas da cena hardcore punk dos Estados Unidos tinham a ideologia anarquista, incluindo MDC e Reagan Youth.
A cultura jovem tem sido muito diversificada se ramificando em tribos num universo social muito diverso que foi desde o superficialismo e consumismo até a militância ambientalista e antiglobalizante. A expressão nas roupas e através de tatuagens e piercings também foram marcantes, bem como o consumo de drogas com o surgimento do ecstasy ligado a cultura de música eletrônica o aumento no consumo de maconha na classe média. No Brasil o jovem se viu envolvido cada vez mais com sexo em idade precoce e também tem sido vitima do aumento da violência nos grandes centros urbanos.Os anarquistas também apreciam muito a arte anônima e urbana. A intervenção urbana, grafite, pichação consciente, arte sabotagem e terrorismo poético tem uma ligação muito forte e profunda com os conceitos da anarquia.Além de ser uma ação direta, ou como se dizia em sua origem: “assalto ao céu”, entra em choque com as leis e expressa livremente uma opinião, sendo que a arte não ter nome a faz com que ela seja de todos e para todos. Geralmente isso envolve mensagens diretas ou indiretas que expõe toda a sociedade a uma realidade atual através de algo inusitado. Dependendo do artista e das circunstâncias, essas atividades podem ser inofensivas assim como podem ser um pouco mais extremas, chegando a atos de vandalismo, invasão e roubo para fins artísticos.

Foto: Woodstock Diares (1969)
Pessoas da região cooperaram com doações de frutas, sanduíches e enlatados, o que não significava de forma alguma que esses alimentos chegariam ao seu destino, por causa de fatores como o tráfego, para citar apenas um. Todos os espaços da fazenda foram tomados. A cobertura médica teve a participação de 70 médicos e 36 enfermeiras, que realizaram mais de 6.000 atendimentos, sendo que os casos mais graves eram levados de helicópteros para os hospitais. Morreram 3 pessoas, sendo 1 caso de overdose de heroína, 1 atropelamento por trator e 1 por crise aguda de apendicite. Houve também o nascimento de 2 crianças. 600 homens cuidaram do policiamento, entre seguranças contratados e policiais voluntários, que diante de tal situação, tiveram que fechar os olhos para os excessos de consumo de drogas e sexo livre.

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Idem, “FiódorDostoiévski e a psicologia de seus personagens”. Disponível em: http://cienciasocialceara.blogspot/2011/08;
Woodstock Diares - 30th anniversary Edition (1969- 2009). Escólio: Contém cenas de naturismo, uso das chamadas drogas ilícitas (maconha, cocaína etc.), a representação do pacifismo do “flowerpower” e críticas à guerra imperialista norte-americana de invasão ao povo vietnamita;
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 entre outros.