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terça-feira, 16 de julho de 2013

O Puzzle do Asilo Político de Edward Snowden.

                                    O Puzzle do Asilo Político de Edward Snowden.   

                                                               Ubiracy de Souza Braga*

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* Sociólogo (UFF), cientista político (URFJ), doutor em Ciências junto à Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Professor Associado da Coordenação do curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Ceará.




“É fácil contratar terceiros para realizar o serviço pelos quais não se deseja aceitar responsabilidade”. Dianne Feinstein, presidente do Comitê de Inteligência no Senado norte-americano (20.08.2009).            
                                  
            Escólio: Edward Snowden, 29 anos (foto), ex-técnico da CIA que trabalhou como consultor da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos da América, assumiu a responsabilidade pelos recentes vazamentos sobre a espionagem norte-americana. O técnico revelou voluntariamente que é a fonte utilizada pelo jornal britânico: The Guardian e norte-americano The Washington Post, que revelaram dois programas de espionagem que permitem consultar diariamente registros de ligações nos Estados Unidos e extrair informação de servidores de gigantes da internet com o objetivo de espionar estrangeiros suspeitos de terrorismo. – “Tenho a intenção de pedir asilo a qualquer país que acredite na liberdade de expressão e se oponha a que a privacidade global seja a vítima”, afirmou Snowden. Isto é importante e relativamente novo.
A Central Intelligence Agency, mais conhecida pela sigla CIA, é uma agência de inteligência civil do governo dos Estados Unidos responsável por investigar e fornecer informações de segurança nacional para os senadores daquele país. A CIA também se engaja em atividades secretas, a pedido do presidente dos Estados Unidos. É a sucessora da “Agência de Serviços Estratégicos” (OSS), formada durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) “para coordenar as atividades de espionagem entre os ramos das Forças Armadas dos Estados Unidos”. A principal função da CIA “é coletar informações sobre os governos estrangeiros, corporações e indivíduos, e para aconselhar políticas públicas”. A agência realiza operações clandestinas e ações paramilitares, e exerce influência na política externa através da sua Divisão de Atividades Especiais.
            De acordo com a ABC News, atuais e ex-policiais da CIA tem revelado detalhes do Programa de Tortura criado pelo governo de George Bush e implementado pela CIA. Entre as várias técnicas de tortura visando “quebrar” o prisioneiro, incluem-se: afogamento, choques elétricos, espancamentos, ameaças contra a pessoa e contra a família, estupros e ameaças de estupros, e várias outras. As estratégias de tortura da CIA foram desenvolvidas ao longo de anos e mais recentemente resultaram do trabalho para a CIA de vários profissionais que se dedicaram a desenvolver métodos de tortura. Entre estes se destacam os psicólogos militares James Elmer Mitchell e Bruce Jessen que estão atualmente sob investigação. As técnicas de tortura adotadas pela CIA se baseiam, entre outros, em experimentos feitos pelo psicólogo Martin Seligman “em que cachorros eram colocados em jaulas e submetidos a choques elétricos severos até o ponto em que os animais já não apresentavam qualquer capacidade de resistir aos choques elétricos”. Essa técnica de tortura foi denominada “aprendizado em impotência” (“learned helplessness”). Muitas das outras técnicas de tortura utilizadas pela CIA constituem degradação e humilhação de acordo com a Convenção de Direitos Humanos das Nações Unidas.
                                              Foto: Der Spiegel (cf. Braga, 2011).
Em 23 de junho 2013, o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Equador, Ricardo Patiño, informou pelo Twitter que Edward Snowden “pediu asilo político” ao Equador, “que posteriormente não foi processado por dúvidas e complexidade”. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, ofereceu asilo em seu país em 1º de julho 2013, “mas exigiu que para isso Edward Snowden parasse de divulgar segredos norte-americanos”. Em reação, Snowden retirou o pedido de asilo a Rússia. Entretanto enviou pedidos de asilo a 21 países, entre eles: Alemanha, Áustria, Bolívia, Brasil, China, Cuba, Finlândia, França, Índia, Itália, Irlanda, Países Baixos, Nicarágua, Noruega, Polônia, Espanha, Suíça e Venezuela. No dia 5 de julho, Nicolás Maduro, presidente da Venezuela anunciou “a aceitação do pedido de asilo político de Snowden”. Dia 6 de julho, Evo Morales, presidente da Bolívia, oferece asilo humanitário a Snowden, “como resposta ao impedimento que o seu avião teve de sobrevoar países europeus”. Em 23 de junho de 2013, Snowden embarcou em um avião comercial da Aeroflot, trecho Hong Kong-Moscou. Na manhã de 24 de junho de 2013, “perdeu-se sua pista na área de trânsito do Aeroporto Internacional Sheremetyevo”, que se localiza em Moscou, capital da Rússia.                                                       
O “direito de asilo”, também conhecido como “asilo político”, representa uma antiga instituição jurídica segundo a qual uma pessoa está sendo perseguida por: a) suas opiniões políticas, b) situação racial, ou, c) convicções religiosas no seu país de origem pode ser protegida por outra autoridade soberana, quer a Igreja, como no caso dos santuários medievais, quer em país estrangeiro. Não se deve confundir o asilo político com o moderno ramo do “direito dos refugiados” (cf. Braga, 2011a; 2011b; 2011c; 2011d; 2011e; 2011f; 2013), que trata de fluxos maciços de populações deslocadas, enquanto que o direito de asilo se refere a indivíduos isoladamente e costuma ser outorgado caso a caso, como veremos adiante. Os dois institutos podem ocasionalmente coincidir, visto que cada refugiado pode requerer o asilo político individualmente. Segundo a Convenção das Nações Unidas relativa ao Estatuto dos Refugiados, mais conhecida como Convenção de Genebra de 1951, “refugiado é toda a pessoa que, em razão de fundados temores de perseguição devido à sua raça, religião, nacionalidade, associação a determinado grupo social ou opinião política, encontra-se fora de seu país de origem e que, por causa dos ditos temores, não pode ou não quer regressar ao mesmo”.
O direito de asilo tem origem numa longa tradição ocidental, embora já fosse reconhecida pelos egípcios, gregos e judeus. Na filosofia, por exemplo, Descartes asilou-se nos Países Baixos, Voltaire na Inglaterra, Hobbes na França, Marx em Luxemburgo, França e na Inglaterra e assim por diante. Cada um daqueles Estados outorgou a sua proteção a estrangeiros perseguidos. Segundo alguns analistas políticos, o surgimento no século XX, de tratados bilaterais de extradição teriam mitigado os efeitos do direito de asilo, embora os Estados procurem limitar a extradição prevista em tratado aos casos de crime comum, o que exclui motivos de perseguição política, religiosa ou étnica, exceto no caso norte-americano com relação ao ódio aos povos árabes. O seu dia foi estabelecido no dia 20 do mês de junho de cada ano, a ser livremente comemorado em cada país conforme a sua legislação local, pelo ACNUR -Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados. Este organiza uma série de eventos sobre o tema durante toda a semana.
            Para tanto devemos observar do ponto de vista das esferas de ação política que o refúgio, visa proteger aquele que abandonou seu país porque sua vida e liberdades estavam em perigo, por questões religiosas, raciais ou políticas. Sua solicitação começa na Polícia Federal, onde o solicitante preenche um vasto questionário. Em seguida, é entrevistado no Conare - Comitê Nacional para os Refugiados, órgão vinculado ao Ministério da Justiça, a quem cabe decisão final. Asilo e refúgio não estão sujeitos à reciprocidade e protegem indivíduos de qualquer nacionalidade. Nos dois casos, o beneficiado recebe documento de identidade e carteira de trabalho, além de ter os direitos civis de estrangeiro residente no país. Francisco Rezek, por exemplo, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), conceitua extradição:  
“como a entrega, por um Estado a outro, e a pedido deste, de pessoa que em seu território deva responder a processo penal ou cumprir pena. Cuida-se de uma relação executiva, com envolvimento judiciário de ambos os lados: - o governo requerente da extradição só toma essa iniciativa em razão da existência do processo penal – findo ou em curso – ante sua Justiça; e o governo do Estado requerido (...) não goza, em geral, de uma prerrogativa de decidir sobre o atendimento do pedido senão depois de um pronunciamento da Justiça local”.
            Entre nós é bem conhecido o caso do italiano Tommaso Buscetta nascido em Agrigento, em 13 de julho de 1928 e morto em Nova Iorque, 4 de abril de 2000. Foi um dos mais importantes membros da “Cosa Nostra”, a máfia siciliana. Do ponto de vista jurídico trata-se de um “arrependido”, ou seja, aquele indivíduo que colaborou com a Justiça delatando companheiros e informando o juiz Giovanni Falcone sobre as estruturas da organização e seus esquemas de corrupção de políticos. Nasceu numa família muito pobre sendo a mãe dona-de-casa, o pai vidraceiro, casou-se aos dezesseis anos e para ganhar “a vida” deu início a uma série de atividades ditas ilegais, como o comércio clandestino de fichas para o racionamento da farinha, distribuídas durante o vinteno fascista. Esta função o tornou bastante célebre também em Palermo, onde não obstante a pouca idade foi cognominado Don Masino. No fim da Segunda Guerra Mundial (1940-1945), vai para Nápoles e depois para Buenos Aires, onde abrira uma vidraria: os escassos resultados econômicos do seu trabalho o obrigam, em 1957, a voltar a Palermo.
Ali nos anos 1960 Buscetta relaciona-se com o clã de Luigi Rigotto e inicia o contrabando de tabaco, que se interrompe em .....

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

MASTURBAÇÃO SOCIOLÓGICA: AS DUAS FACES DA MOEDA

Recentemente, Luis Nassif publicou em seu blog o artigo intitulado "O financiamento da masturbação sociológica pelo CNPQ", criticando o que ele chama de "masturbação sociológica".

O autor tece severas críticas citando a pesquisa de Jorge Ventura de Morais e Túlio Velho Barreto, da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), onde os autores analisam o debate no mundo futebolístico acerca do uso ou não de tecnologias para dirimir dúvidas sobre lances considerados polêmicos.

No seu perfil no facebook  Jorge Ventura de Morais disse o seguinte:

Car@s,
Na última 2a.-feira, ao final da tarde, fui surpreendido pelo aviso de um amigo que o notório blogueiro Luis Nassif havia pinçado um artigo meu, em co-autoria com Túlio Velho Barreto (Fundaj), para criticar o que ele denominava de "financiamento da masturbação sociológica" pelo CNPq (eis o link: http://advivo.com.br/blog/luisnassif/o-financiamento-da-masturbacao-sociologica-pelo-cnpq).
Lá fui vilipendiado pelo blogueiro e por alguns internautas. Já enviei duas mensagens expondo as razões do meu trabalho, mas o blogueiro, numa prática lastimável, não publicou nenhuma das duas.
Devo dizer que o blogueiro em questão recortou - à moda da Veja, que ele mesmo critica - partes de artigo antigo, fez comentários jocosos e disse ser este o projeto de pesquisa que ora desenvolvo financiado pelo CNPq.
Como tem havido colegas da academia criticando o STF pela interpretação elástica da lei no caso do mensalão, gostaria de escutar o que dizem deste tribunal de exceção a que foi submetido pelo blogueiro financiado por dinheiro da CEF.

Um internauta comentou no perfil eletrônico do Professor 
Jorge Ventura :

"... eu estou enganado, ou testemunhei aqui no FB (Facebook), há poucos dias, algum entrevero entre você e o Nassif? Utilizar o próprio blog, de grande visibilidade, para montar uma pegadinha e levar a cabo uma vingançazinha por incidente de feicebuque dá a medida do cara - e dá também o que pensar sobre até onde não irá quando tratar de assunto 'importante'..."



Já estamos agendando entrevista com o Professor 
Jorge Ventura de Morais.
Vamos aguardar.
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sábado, 11 de agosto de 2012

A construção social dos estereótipos dos países

O canal das gringas, WOKITOKI, fez uma analise de como as pessoas veem cada país usando apenas videos que circulam na internet e com um limite de 2 minutos, o resultado foi interessante ...




Bunda, Samba, Favela, Burrice, Samba, Futebol, Porrada e Samba, Isso e Mais isso. Pois é.


Vodka, Transito, Vodka, Vodka, Transito com vodka, Bizarrices, Bizarrices a base de Vodka…


Vacas, Pessoas, Muitas pessoas, Elefantes, Dancinhas, Cobras e Trabalhadores ninjas…


Água, Protestos, Terremotos, Policiais, Porrada, Protestos com policiais e porradas…


Gordos, Gordices, Peitos, Armas, Peitos gordos, Burrices, Porrada, Armas, Gordos armados…

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terça-feira, 26 de junho de 2012

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Google cria ferramenta de acesso a museus




Para quem gosta de arte, o Google lançou, no início do mês, a ferramenta Art Project (www.googleartproject.com), que permite que o internauta faça passeios virtuais pelos principais museus do mundo. Graças ao mesmo mecanismo usado no Street View -recurso de busca que disponibiliza imagens panorâmicas de ruas de países como Estados Unidos, Japão e Brasil-, é possível visitar as galerias como se estivesse dentro delas, movimentando-se em todas as direções, com visão de 360 graus. 

Por meio do recurso, cerca de 17 mil obras, de mais de 480 artistas, podem ser vistas no computador. Elas pertencem a museus como o Metropolitan Museum of Art, de Nova York (EUA); o museu Van Gogh, de Amsterdã (Holanda); o Palácio de Versalhes, de Versalhes (França); e a National Gallery, de Londres (Inglaterra). Até o momento, são 17 museus de 11 cidades, em nove países. Segundo o Google, mais galerias serão incluídas. A ferramenta surgiu como parte da campanha Projetos 20%, que incentiva o funcionário do Google a dedicar um quinto de sua jornada a pensar em iniciativas que possam se tornar produtos.

A equipe responsável passou 18 meses fotografando e catalogando os espaços dos museus e as coleções. Cada imagem tem 7 bilhões de pixels (uma câmera digital comum tem, em média, 10 mil pixels). Isso faz com o internauta consiga ampliar os detalhes das obras. Em alguns quadros, como O Quarto, de Van Gogh, é possível perceber as pinceladas do artista e, até mesmo, pequenas fissuras na tela.

No link Create an Artwork Collection, o internauta pode incluir as obras de que mais gosta em sua própria coleção de arte, além de comentá-las e compartilhá-las nas redes sociais. (da Folhapress)


Saiba mais sobre o recurso em: www.googleartproject.com

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Documentário: Intervozes - Levante sua voz

Vídeo produzido pelo Intervozes Coletivo Brasil de Comunicação Social com o apoio da Fundação Friedrich Ebert Stiftung remonta o curta ILHA DAS FLORES de Jorge Furtado com a temática do direito à comunicação. A obra faz um retrato da concentração dos meios de comunicação existente no Brasil.


Roteiro, direção e edição: Pedro Ekman

Produção executiva e produção de elenco: Daniele Ricieri

Direção de Fotografia e câmera: Thomas Miguez

Direção de Arte: Anna Luiza Marques

Produção de Locação: Diogo Moyses

Produção de Arte: Bia Barbosa

Pesquisa de imagens: Miriam Duenhas

Pesquisa de vídeos: Natália Rodrigues

Animações: Pedro Ekman

Voz: José Rubens Chachá


CC - Alguns direitos reservados

Você pode copiar, distribuir, exibir e executar a obra livremente com finalidades não comerciais.

Você pode alterar, transformar ou criar outra obra com base nesta.

Você deve dar crédito ao autor original.
Intervozes - Levante sua voz parte 1





Intervozes - Levante sua voz parte 2

sábado, 6 de novembro de 2010

Sala, copa e cozinha


Por Michel Blanco . 05.11.10


Uma jovem estudante de Direito, desalentada com a vitória da petista Dilma Rousseff, ganhou fama ao clamar no Twitter o afogamento de nordestinos em benefício de São Paulo. O ódio da moça brotou em meio a uma campanha difamatória que irrigou expedientes eleitoreiros. Se na TV o marketing cuidou de dar boa aparência aos candidatos, na internet a coisa foi feia. Levante a mão quem não recebeu um único spam desqualificando os votos da população assistida pelo Bolsa Família. Sobre tal corrente, a psicanalista Maria Rita Kehl disse o que tinha de ser dito – e foi punida por isso. Assim estávamos na campanha…
A xenofobia da estudante paulista, no entanto, não é retrato das tensões do momento. É uma fotografia embolorada, guardada num fundo de armário, agora trazida à tona. Quem triscou fogo nos spams sabia que o ódio fermentava. Bastava uma faísca. Se tiver estômago, pode ler uma coletânea de tweets odientos — e odiosos — no Diga não à Xenofobia. A menina não está só.
A maioria dessas mensagens parte de jovens de mais ou menos 25 anos. O que leva a supor que muitos deem vazão a preconceitos ruminados à hora do jantar em família, da festinha do sobrinho ou do churrasco da faculdade. Está aí boa parte da festejada geração da internet, que confunde vida real com a vida em rede, mas se sente imune às consequências de atos online. Mostram os dentes no Twitter como se estivessem a salvo da luz do dia, como se não fosse dar nada. Mas deu, mano.
A moça que gostaria de afogar um nordestino em São Paulo acabou ela mesma por submergir. Deletou seu perfil ante a repercussão do caso, que lhe rendeu a protocolação de uma notícia-crime pela OAB de Pernambuco no Ministério Público Federal em São Paulo. O escritório de advocacia onde estagiava apressou-se em dizer que ela não despacha mais por lá. O caso foi parar até nas páginas do britânico Telegraph. Vários outros “bacanas” seguiram os passos da menina e desapareceram do Twitter. Talvez arrependidos do um ato impensado, da ausência completa de reflexão ou, mais provável, da ameaça de punição legal. Quem sabe ainda há tempo para deixar as trevas.
Ironicamente, o aguardado uso da internet nas eleições ajudou a liberar o que há de mais retrógrado entre nós (embora o poder transformador da rede esteja muito além disso). Parecemos recuar 50 anos em relação a direitos civis. Houve até o retorno de mortos-vivos, grupos pouco representativos e de triste memória. Não bastasse o proselitismo religioso, a ação das militâncias, oficiais e oficiosas, a campanha na internet descambou para baixaria geral. Conhecido o resultado da eleição presidencial, viria o pior: o insulto aos eleitores, desclassificando-os.
Enfim, é uma questão de classe; não de compostura. Uma parte dos jovens que se julgam classe A levantou-se da sala de jantar para reinstaurar a separação da copa e da cozinha, sem se dar conta de que a divisão dos cômodos já não é tão sólida. O que move tanto ódio? Passionalidade do clima eleitoral não é o suficiente.
Nunca na história deste país (tá, essa foi só para provocar) se falou tanto em classes C e D e E. Estão todos os dias na imprensa; chamam atenção pelo crescente poder de consumo. E é a isto que a noção de classes parece se resumir hoje: consumo. Talvez esteja aí a raiva dessa moçada, muito mais identificada com bens do que com valores.
Identificar-se por aquilo que se consome pressupõe um sentimento de exclusividade. “Eu tô dentro e eles, fora”. Uma concepção de vida alimentada e também confrontada pela massificação do consumo. A tensão desponta quando “eles”, os esfarrapados, começam a ter o que “eu” tenho. A exclusividade mingua, e o povão chega chegando, sentando ao seu lado no avião. É preciso descolar novos meios para diferenciar uns dos outros. A desqualificação é um deles.
Um dos legados desta eleição embalada por baixarias é uma tensão que parece escapar da acomodação sobre a imagem construída pelo mito fundador nacional. Descobrimos um pensamento ultra-conservador no Brasil, e ele pôs a cabeça para fora. Seria um exagero, no entanto, dizer que o país está dividido. Mas é igualmente um equívoco considerar que a identidade nacional sai ilesa – por definição, ela é lacunar, ao pressupor a relação com o outro. O que queremos de nós mesmos?
Mas na cabeça dessa moçada raivosa, nada disso seria necessário, e a harmonia se restabeleceria desde que todos estivessem nos lugares “certos”. Assim, estão prontos para experimentar o que consideram desenvolvimento e mal esperam a ocasião para pôr à mesa de alguma congregação do Tea Party uma iguaria nacional: uma saborosa broa de milho feita pela mãos da preta dócil que serve a casa.

fonte: http://colunistas.yahoo.net/posts/6225.html

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Sociólogo fala sobre o ciberespaço e o uso das redes sociais

 Steve Fuller questiona como alguém pode se entregar no ciberespaço, já que a maioria das pessoas usa nomes falsos. Ele diz que o ciberespaço é usado como válvula de escape e traz segurança às pessoas.