Mostrando postagens com marcador sexualidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sexualidade. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

A Ironia de Gabriela: “uma puta deputada”

                                          A Ironia de Gabriela: “uma puta deputada”.

Ubiracy de Souza Braga*



_____________________
* Sociólogo (UFF), cientista político (UFRJ), doutor em ciências junto à Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Professor Associado do curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Ceará (UECE).



            Escólio: A ex-prostituta Gabriela Leite, que em 2005 lançou a grife Daspu, menção irônica (cf. Kierkegaard, 2005; Facioli, 2010) à Daslu, então a maior loja de artigos de luxo do País, morreu nesta quinta-feira, 10/10/2013, à noite no Rio de Janeiro, vítima de câncer no pulmão, aos 62 anos. Gabriela prostituiu-se na “Boca do Lixo”, em São Paulo, na Vila Mimosa, no Rio de Janeiro, e em Belo Horizonte. Em 1987 organizou o 1º Encontro Nacional de Prostitutas e em 1992 fundou a ONG Davida. Ela cursou Filosofia na Universidade de São Paulo (USP) e em 2009 lançou “Filha, mãe, avó e puta”, livro em que narra sua vida. Em 2010 Gabriela foi candidata a deputada federal pelo PV – Partido Verde, mas infelizmente não se elegeu.A ativista, que passava por quimioterapia para tratamento do câncer, dá nome ao projeto de lei de autoria do deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) que “propõe a regularização dos profissionais do sexo”. O projeto é analisado em uma comissão da Câmara dos Deputados e se passar o país fará jus à sociedade mais justa e igualitária.
Em muitos países, chamam-se deputados aos representantes do povo “eleitos para o Parlamento”. Um deputado, no Parlamento, tem poder legislativo, isto é, no Parlamento os deputados decidem se aprovam ou não decretos-lei ou mesmo leis. Deputados também fazem perguntas ao governo, de caráter geral ou não, de forma a averiguar o seu trabalho. Qualquer pessoa em tese pode ser eleita para o mandato de deputado, desde que pertença a um partido político e reúna um número mínimo de votos. Quantos mais votos tiver o partido, maior número de deputados pode eleger para o Parlamento.Teoricamente todos os deputados que pertencem ao mesmo partido deveriam exercer o mesmo voto sobre uma matéria: chama-se a isto “disciplina de voto”.Em suma, um deputado é alguém eleito pelo povo para representá-lo no Parlamento e a quem o povo que o elegeu confia as decisões sobre variados assuntos.
                                  

           
            Historicamente a Boca do Lixo surge como uma região não oficial do centro da cidade de São Paulo caracterizada por ter se tornado um polo da indústria cinematográfica nas décadas de 1920 e 1930, quando empresas como a Paramount, a Fox e a Metro se instalaram na região. Durante as décadas seguintes, essas companhias atraíram distribuidoras, fábricas de equipamentos especializados, serviços de manutenção técnica e outras empresas do ramo cinematográfico para as redondezas, o que transformou a Boca em um verdadeiro reduto do cinema independente brasileiro, desvinculado dos incentivos governamentais. Durante aqueles anos, era comum ver homens guiando carroças carregadas de latas de filmes pelas vias públicas. A Boca está localizada no bairro da Luz, em um quadrilátero que inclui a Rua do Triumpho e suas adjacências. Nos anos 1990, parte desse quadrilátero veio a ser chamada de Cracolândia (cf; Braga, 2012) e se tornou uma das regiões mais degradadas da cidade de São Paulo. Algumas fontes citam a região como sendo o fim da rua Augusta. Enquanto São Paulo tinha a Boca do Lixo, o Rio de Janeiro tinha o Beco da Fome.
Muitos cineastas, como Carlos Reichenbach, Luiz Castelini, Alfredo Sternheim, Juan Bajon, Cláudio Cunha ou Walter Hugo Khouri, tinham clara proposta autoral em seus filmes, mas a produção da Boca “ficou mesmo caracterizada pelos filmes baratos e que tinham forte apelo sexual”. Ela floresceu e se expandiu na pornochanchada dos anos 1970, com musas como Helena Ramos, Sandra Bréa, Vanessa Alves, Patrícia Scalvi, Nicole Puzzi, Zilda Mayo. Comédias, dramas, policiais, faroestes, filmes de ação e de kung fu, terror, entre outros, foram gêneros explorados pelo cinema da Boca, sem deixar de lado o uso restrito do erotismo. Produtores como Antônio Polo Galante, David Cardoso, Nelson Teixeira Mendes, Juan Bajon, Cláudio Cunha, Aníbal Massaini Neto, entre outros, ficaram milionários com esse tipo de cinema.Alguns tiveram sucesso de bilheteria, entre os quais “A Viúva Virgem”, de Rovai, e “Giselle”, de Victor di Mello. Em raras exceções, esses filmes eram sucesso entre a crítica, que preferia os filmes mais voltados à questão social, de diretores surgidos no chamado “Cinema Novo” e nos anos 1970, integrados à Embrafilme, que produzia filmes com incentivo estatal. O fim da ditadura militar golpista no Brasil em 1984 trouxe de volta o filme de sexo explícito, o que acabou matando simbolicamente essa indústria cinematográfica.
Gabriela Leite, a mais destacada lutadora pelos direitos civis das prostitutas brasileiras, morreu de câncer, no Rio de Janeiro. Paulistana e de família tradicional, ela abandonou, com 22 anos, os cursos de Filosofia e Sociologia da Universidade de São Paulo (USP) para imergir, por opção, na chamada “Boca do Lixo”, antiga região de São Paulo de grande concentração de garotas de programas, na década de 1970. Hoje [em agosto de 2012], aos 61 anos, ela rejeita o termo “ex-prostituta” em suas apresentações. E com razão, pois Gabriela está muito ativa no movimento de defesa dos direitos das prostitutas, tendo fundado, inclusive, uma ONG em 1992, a Davida. Uma das principais conquistas até agora foi a inclusão, em 2002, da ocupação “trabalhador do sexo”, na Classificação Brasileira das Ocupações (CBO), permitindo que prostitutas possam se registrar no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), como autônomas, e garantir uma aposentadoria futura. Autora do livro “Filha, mãe, avó e puta – A história de uma mulher que decidiu ser prostituta”, da editora Objetiva e que já foi transformada em peça teatral, “Gabriela”, que luta contra um câncer, acaba de ser uma das contempladas do Prêmio “Trip Transformadores 2012”. Foi uma homenagem ao fato de ter lançado, anos antes, a grife Daspu – uma provocação à luxuosa Daslu e, ao mesmo tempo, uma cooperativa de produção de roupas constituída por ex-prostitutas que não seguiram no mercado do sexo por conta da idade. 
            Direitos civis são as proteções e privilégios de poder pessoal dados a todos os cidadãos por lei. Direitos civis são distintos de “direitos humanos” ou “direitos naturais”, também chamados “direitos divinos”. Direitos civis são direitos que são estabelecidos pelas nações limitados aos seus limites territoriais, enquanto direitos naturais ou humanos são direitos que muitos acadêmicos dizem que os indivíduos têm por natureza ao nascer. Por exemplo, o filósofo John Locke (1632-1704) argumentou que os direitos naturais da vida, liberdade e propriedade deveriam ser convertidos em direitos civis e protegidos pelo Estado soberano como um aspecto do contrato social. Outros argumentaram que as pessoas adquirem direitos civis como um presente inalienável da divindade ou em um tempo de natureza antes que os governos se formaram. Leis garantindo direitos civis podem ser escritas, derivadas do costume ou implicadas. Nos Estados Unidos e na maioria dos países continentais europeus, as leis de direitos civis em sua maior parte são escritas.
Exemplos de direitos civis e liberdades incluem o direito de ser ressarcido em caso de danos por terceiros, o direito à privacidade, o direito ao protesto pacífico, o direito à investigação e julgamento justos em caso de suspeição de crime e direitos constitucionais mais generalistas, como o direito ao voto, o direito à liberdade pessoal, o direito à liberdade de ir e vir, o direito à proteção igualitária e, ainda, o habeas corpus, o direito de permanecer em silêncio (i. e. não responder a questionamento), e o direito a um advogado; estes últimos três são designados na constituição Norte-Americana para garantir que aqueles acusados de algum crime estão assegurados de seus direitos. Ao passo que as civilizações emergiram e formalizaram através de constituições escritas, alguns dos direitos civis mais importantes foram passados aos cidadãos. Quando esses direitos se descobriram mais tarde inadequados, movimentos de direitos civis surgiram como veículo de exigência de proteção igualitária para todos os cidadãos e defesa de novas leis para restringir o efeito de discriminações presentes.
A Câmara dos Deputados do Brasil, assim como o Senado Federal, faz parte do Poder Legislativo da União. São 513 deputados, que através do voto proporcional, são eleitos e exercem seus cargos por quatro anos. Atualmente seu presidente é o deputado Henrique Eduardo Alves, filiado ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) do estado do Rio Grande do Norte. A Câmara dos Deputados está localizada na Praça dos Três Poderes,
na capital federal.À Câmara dos Deputados compete privativamente: eleger os membros do Conselho da República e autorizar a abertura de processo contra o presidente da República e seus ministros. Juntamente com o Senado forma o Congresso Nacional, cabendo a esta instituição: a aprovação, alteração e revogação de Leis; autorização ao Presidente para a declaração de guerra; sustar atos do Poder Executivo; julgar as contas do Presidente da República; dentre outras funções, enumeradas no capítulo I, título IV, da Constituição Federal de 1988.
Segundo o artigo 80 da Constituição brasileira o presidente da Câmara dos Deputados é o segundo na linha de sucessão do presidente da República, logo após o vice-presidente, sendo chamado em caso de impedimento ou vacância de ambos os cargos. Isso ocorre para dar a maior legitimidade possível a decisão, pois os deputados são considerados representantes do povo e os senadores representantes dos estados. Após esse assumem o presidente do Senado Federal e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF).A Câmara dos Deputados tem mais de 15 mil funcionários e, segundo recente publicação, 1371 destes temsalários maiores do que R$28 mil por mês.Sobre o regime de trabalho está em curso a apresentação do Projeto de Lei n. 6071/2013, pela Deputada Aline Corrêa (PP-SP), que: “Acrescenta artigo à Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, a fim de dispor sobre a jornada de trabalho em regime de doze horas de trabalho por trinta e seis de descanso”.
Além disso, a renomada revista inglesa The Economist escolheu o Brasil como tema para uma extensa reportagem de capa em sua edição mais recente, onde busca explicações para uma pergunta pertinente: por que, mesmo dispondo de potencial interno invejável e atravessando conjunturas externas favoráveis, o Brasil não decola, nem consegue acompanhar o ritmo de crescimento dos outros países ditos emergentes, apresentando o pior desempenho entre eles? A matéria, de ótimo conteúdo jornalístico, foi taxada pelos assessores do Planalto e a militância petista como uma espécie de encomendaoposicionista para desmerecer o governo Dilma Rousseff, tendo em vista a crítica localizar-se em deputados do PSDB, quando não se trata de uma análise profunda dos fatores que ora travam o nosso desenvolvimento e que podem ser resumidos em duas vertentes básicas: o foco único no palanque, na perpetuação do poder partidário, na reeleição da presidente-candidata e, mais grave, a tentativa ideológica de transpor para o Brasil um modelo bolivarianode gestão pública, ignorando a grandeza, a história social e a diversidade cultural e política da nação.
Com o cabelo curto, cara de menina e silhueta perfeita, Sylvia Kristel foi escolhida como atriz para o papel principal de “Emmanuelle”, do diretor Just Jaeckin, que virou um sucesso mundial de bilheteria. Quando protagonizou o filme, Kristel tinha apenas 22 anos. Por obrigações contratuais, Kristel participou em papéis mais ou menos importantes em várias sequências de “Emmanuelle” (1974), tais como: “Emmanuelle 2” (1975), “Adeus, Emmanuelle” (1977) e “Emmanuelle 4” (1984). Apesar das tentativas de se afastar do cinema erótico para trabalhar com nomes importantes do cinema francês, sua imagem ficou marcada positivamente, pela personagem que a tornou famosa. A atriz holandesa de maior fama no panorama do cinema internacional até hoje, ficou conhecida e acabou eternamente marcada por seu primeiro filme, “Emmanuelle”, de 1974. O longa-metragem, dirigido por Just Jaeckin, é uma adaptação do livro (foto) de mesmo nome escrito por Emmanuelle Arsan.

Foto: Dutch actress Sylvia Kristel, best known for the 1974 erotic French film: “Emmanuelle”.
Não queremos perder de vista analogamente que Sylvia Kristel, nascida em Utrecht, em 28 de setembro de 1952 - Amsterdã, em 17 de outubro de 2012, foi uma atriz, diretora e modelo holandesa, mais conhecida pelo filme “Emmanuelle”. Iniciou seu trabalho como modelo aos 17 anos, mas “inicialmente planejava ser professora”. Musa de uma época em que erotismo (cf. Márquez, 1972), a pornografia e o orgasmo (cf. Reich, 1974a; 1974b; 1978; Marchi, 1974; Baker, 1980; Boadela, 1985) eram quase sinônimos no cinema, a atriz holandesa Sylvia Kristel morreu na noite de quarta-feira, aos 60 anos, em Amsterdã. Tornou-se conhecida mundialmente interpretando a personagem principal na série de filmes “Emmanuelle”. Mas a sua estreia se dá com o filme: Naakt over de schutting (1973). Em 1974, aos 21 anos, a atriz personificou “Emmanuelle”, em filme homônimo, grande sucesso na França, sobretudo pelo teor erótico. Melhor dizendo, em seu ersatz colocou o erotismo no centro da história social do cinema. Segundo o site especializado em cinema IMDb, “o filme garantiu US$ 100 milhões em bilheteria ao redor do mundo”. 
As teses de Foucault e Pasolini sobre a constituição do dispositivo discursivo da sexualidade encontram-se referenciadas em uma dupla crítica - histórica e metodológica - à hipótese repressiva da sexualidade. Esse, o nó górdio entre Foucault na filosofia e Pasolini na arte cinematográfica em que pretendemos uma aproximação conceitual. Píer Paolo Pasolini era um artista solitário. Antes de ficar famoso como cineasta tinha sido professor, poeta e novelista. Entre seus livros mais conhecidos estão Meninos da Vida, Uma Vida Violenta e Petróleo (livro). De porte atlético e estatura média, Pasolini usava óculos com lentes muito grossas. Em 26 de janeiro de 1947 escreveu uma declaração polêmica para a primeira página do jornal Libertà: “Em nossa opinião, pensamos que, atualmente, só o comunismo é capaz de fornecer uma nova cultura”. Após a sua adesão ao PCI - Partido Comunista Italiano, participou de várias manifestações e, em maio de 1949, participou do Congresso da Paz em Paris.
Em um caso e outro se quisermos insistir neste aspecto, vejamos. Surgem dois modos possíveis de interpretação do uso do verbo “saber”. Na primeira, “saber” está ligado à crença, saber implica crer. Em sentido amplo, crer também significa “ter por verdadeiro”. Assim, crer significa, por exemplo, ter algo por existente ou ter um enunciado por verdadeiro. Em outras palavras, crer significa aceitar a verdade e a realidade sem que seja necessário apresentar provas. Em última instância é possível afirmar, que crer implica “dar por acordado que o mundo existe”. Há, portanto, uma dimensão prática que liga o saber (Foucault) ao mundo manifestado no “crer” (Pasolini). Esta dimensão parece apontar para o segundo modo de interpretação do uso do verbo “saber”. Desta vez, ele pode ser associado a “poder” (Foucault). Dizer que “se sabe” é o mesmo que dizer que “se pode” (Pasolini). Aqui reside o ponto central da interpretação analítica que compreende o saber como habilidade e disposição. Melhor dizendo, se para Hegel, à existência na consciência, no espírito chama-se saber, “conceito pensante”. O espírito é também isto: “trazer à existência, isto é, à consciência”. Como “consciência em geral”, tenho eu um objeto; uma vez que eu existo e ele está na minha frente. Mas enquanto o Eu é o objeto de pensar, é o espírito precisamente isto: “produzir-se, sair de si, saber o que ele é”.
Nisto consiste a grande diferença: o homem sabe o que ele é. Logo, em primeiro lugar, ele é real. Sem isto, a razão, a liberdade não são nada. O homem é essencialmente razão. O homem, a criança, o culto e o inculto, é razão. Ou melhor, a possibilidade para isto, para ser razão, existe em cada um, é dada a cada um.Todo conhecer, todo aprender, toda visão, toda ciência, inclusive toda atividade, não possui nenhum outro interesse além do aquilo que “é em si”, no interior, manifestar-se desde si mesmo, produzir-se, transformar-se objetivamente. Nesta diferença se descobre toda a diferença na história do mundo. Os homens são todos racionais. O formal desta racionalidade é que o homem seja livre. Esta é a sua natureza. Isto pertence à essência do homem. O europeu sabe de si, é objeto de si mesmo. A determinação que ele conhece é a liberdade. Ele se conhece a si mesmo como livre. O homem considera a liberdade como sua substância. Se os homens “falam mal de conhecer é porque não sabem o que fazem”. Conhecer-se, converter-se a si mesmo no objeto (do conhecer próprio) e o fazem relativamente poucos. Mas o homem é livre somente se sabe que o é. Pode-se também em geral falar mal do saber, como se quiser. Mas somente este saber libera o homem. O conhecer-se é no espírito a existência. Portanto isto é o segundo esta é a única diferença da existência (“Existenz”) a diferença do separável. O Eu é livre em si, mas também por si mesmo é livre e eu sou livre somente enquanto existo como livre.
                       


Em primeiro lugar, a ironia (cf. Kierkegaard, 2005; Facioli, 2010) é um instrumento de literatura ou de retórica que consiste em dizer o contrário daquilo que se pensa, deixando entender uma distância intencional entre aquilo que dizemos e aquilo que realmente pensamos. Na Literatura, a ironia é a arte de zombar de alguém ou de alguma coisa, com vista a obter uma reação do leitor, ouvinte ou interlocutor. Ela pode ser utilizada, entre outras formas, com o objetivo de denunciar, de criticar ou de censurar algo. Para tal, o locutor descreve a realidade com termos aparentemente valorizadores, mas com a finalidade de desvalorizar. A ironia convida o leitor ou o ouvinte, a ser ativo durante a leitura, para refletir sobre o tema e escolher uma determinada posição. O termo “ironia Socrática”, levantado por Aristóteles, refere-se ao método socrático. Neste caso, não se trata de ironia no sentido moderno da palavra.A ironia de situação é a disparidade existente entre a intenção e o resultado: quando o resultado de uma ação é contrário ao desejo ou efeito esperado. Da mesma maneira, a “ironia infinita” (“cosmicirony”) é a disparidade entre o desejo humano e as duras realidades do mundo externo. Certas doutrinas afirmam que a ironia de situação e a ironia infinita, não são ironias de todo. É também um estilo de linguagem caracterizado por subverter o símbolo que, a princípio, representa. A ironia, enfim, utiliza-se como uma forma de linguagem pré-estabelecida para, a partir e de dentro dela, contestá-la.É, sobretudo neste aspecto que entendemos a ironia de Gabriela Leite. Ora, vale lembrar queputa do ponto de vista da linguagem, pode representar um substantivo feminino; prostituta, um adjetivo feminino; com muita raiva e, lastbutnotleast, adverbio de intensidade; equivalente a muito, usado para alimentar a intensidade do adjetivo: - Ah que tédio, vou ali comer uma puta; - Haha, eu não paguei e ela ficou puta comigo!; - Nossa não pagar ela foi uma puta sacanagem!
De outra parte, a moda é um lugar de observação privilegiado para ver “funcionar o social” (cf. Lipovetsky, 1989). É apaixonante e cruel, porque se descobrem coisas que estão na moda em um ano e, no ano seguinte, têm de se renovar para alcançarem uma nova moda. Por outro lado, a moda não é favorável ao mito, porque é demasiado rápida. O mito precisa se instalar adquirir peso, criar tradições, por isso Amy Winehouse, como vimos noutro lugar, virou mito, já que não vivemos a aceleração da história, mas a aceleração da “pequena história”. É, portanto, precisamente com a crise do desejo que podemos encontrar mitos, porque é fixo, imóvel, agressivo, como fora o “mito de esquerda”, os ecos da ecologia para salvar a nossa casa, o planeta Terra (cf. Braga, 2012), a questão tópica do aborto, ou as lutas contra o racismo etc. O mal-estar e a crise da civilização de que falava Freud, é talvez uma crise do desejo.


Há pouco mais de um século Sigmund Freud (1972; 1996) desandou de vez o caldo ao descobrir o inconsciente e, com isso, afirmar que não somos exatamente aquilo que pensamos. Com o espelho do Narciso arranhado, tomou-se consciência de que tudo poderia ser motivo de dúvida. Na insegurança e desorientação das massas, o capitalismo globalizado fez sua mágica. Além do coelho, tirou da cartola casas, carros, videogames, roupas e tudo o mais para nos desviar o foco das angústias. Porém, isso tudo não passa de uma forma de abstração. Quando alguém fala que está em crise existencial, precisa descobrir qual o seu motivo, pois não há um sintoma nomeado como “crise existencial”, existe sim castrações de desejo no sujeito que o angustiam. Ipso facto, muitas pessoas sentem dificuldade ao tentar definir a razão de estarem insatisfeitas com a vida.
Do ponto de vista ideológico é fato que numa das primeiras cenas do filme:“Bruna Surfistinha”, a cafetina que a acolhe no prostíbulo ironicamente diz que ela teria sua carteira de trabalho registrada como profissional do sexo, com todos os direitos inerentes a qualquer trabalhador, o que causou espanto na personagem. Evidentemente isto não é possível porque a lei considera crime a exploração da prostituição, com pena de reclusão de um a quatro anos (crime de rufianismo). Entretanto, do ponto de vista político o Estado brasileiro reconhece desde 2002 “a profissão de prostituta”, ano em que o Ministério do Trabalho oficializou a profissão em sua Classificação Brasileira de Ocupações, item 5198, definindo quem a pratica como sendo:“a profissional do sexo, garota de programa, garoto de programa, meretriz, messalina, michê, mulher da vida, prostituta, puta, quenga, rapariga, trabalhador do sexo, transexual (profissionais do sexo) e travesti (profissionais do sexo)”. Isto permite que quem vive da prostituição possa recolher contribuições previdenciárias, como “profissional do sexo”, e garantir direitos comuns a todos os trabalhadores, como aposentadorias e auxílio doença.
                                  
O importante é entender que a crise existencial diz respeito à defesa do sujeito contra seu próprio desejo. Em resumo, entre solidão, aceitação sexual e problema familiar, a crise existencial nada mais é que um diálogo interno, sua autocrítica em comparação e relação a si mesmo e ao outro, pois na medida em que esse sujeito está de algum modo deserdado, esmagado pelas duas grandes estruturas psíquicas que mais retiveram a atenção da modernidade, a saber, a neurose e a psicose, o sujeito imaginário é um parente pobre dessas estruturas porque nunca é nem inteiramente psicótico, nem inteiramente neurótico, como ocorreu com o psicopata islamofóbico (cf. Braga, 2011a; 2011b) e autor do duplo atentado nestes dias na Noruega, Anders BehringBreivik, 32, que qualificou seu ato de “cruel, mas necessário”.O fenômeno histórico que aparenta revelar-se desse modo, há cinquenta anos, é o problema da “gregaridade” – é uma palavra nietzschiana. Os marginais multiplicam-se, reúnem-se, tornam-se rebanhos, pequenos é certo, ou rebanhos de qualquer maneira.
ParaRoland Barthes “a história atual é o desvio em direção à gregaridade: os regionalismos, por exemplo, são pequenas gregaridades que tentam reconstituir-se. Acredito agora que a única marginalidade verdadeiramente consequente é o individualismo. Mas há que se retomar esta noção de uma forma nova”.Dizia-se ainda que Sócrates fosse atopos, quer dizer “sem lugar”, inclassificável. É um adjetivo que relacionamos, sobretudo ao objeto amado, tanto mais que, enquanto sujeito apaixonado simulado no livro, não saberia me reconhecer como atopos mas, ao contrário, como uma pessoa banal cujo dossiê é bastante conhecido. Ou seja, sem tomar partido quanto ao fato de ser inclassificável, devo reconhecer que sempre trabalhei por repentes, por fases, e que há uma espécie de motor, que expliquei um pouco em Roland Barthes, que é o paradoxo. Quando um conjunto de posições parece reificar-se, constituir uma situação social pouco precisa, então efetivamente, por mim mesmo sem o pensar, sinto o desejo de ir em outra direção. E é nisso que, afirma Bathes,“eu poderia me reconhecer como um intelectual; a função do intelectual sendo ir sempre a outra direção quando as coisas pegam”.Referências bibliográficas:
Filme: “Os Cafajestes”, com Norma Bengell (1935/2013), apresenta a primazia da nudez frontal no cinema brasileiro. Norma Aparecida Almeida Pinto Guimarães d`ÁureaBengell, nascida no Rio de Janeiro, em 21 de fevereiro de 1935 e morta nesta cidade, em 9 de outubro de 2013, foi uma atriz, cineasta, produtora, cantora e compositora brasileira. Era filha única de um alemão, afinador de pianos, com uma jovem rica da zona sul carioca.Entrevista: “Gabriela Leite: contra preconceitos, a força da ironia”. Disponível no site: http://outraspalavras.net/destaques/11/10/2013; BRAGA, Ubiracy de Souza, “Para sempre Emmanuelle”. Disponível no site: http://cienciasocialceara.blogspot.com.br/2012/10/; Idem, “Notas sobre Michel Foucault e os Anarco-Ecologistas”. Disponível em: http://www.oreconcavo.com.br/2012/05/11/; Idem, “Píer Paolo Pasolini: Profeta e mártir do cinema”. Disponível em: http://www.oreconcavo.com.br/2012/03/25/; Idem, “Guerra de Sangue em Oslo, contra imigrantes e marxistas”. Disponível em: http://www.oreconcavo.com.br/2011/07/26/; Idem, “A Irmandade Muçulmana: história & ordem política”. In: http://www.oreconcavo.com.br/2011/02/25/; KIERKEGAARD, Soren,O conceito de ironia. Petrópolis (RJ), Brasil: Vozes, 2005; FACIOLI, Adriano,A ironia: considerações filosóficas e psicológicas. Curitiba (PR): Juruá, 2010; JABOR, Arnaldo, Porno Politica: Paixões e taras na vida brasileira. São Paulo: Editora Objetiva, 2006; 134 páginas; Artigo: “Morre ex-prostituta Gabriela Leite, criadora da Daspu”. In: http://www.estadao.com.br/noticias/; artigo: “O voo de galinha e os custos da candidatura”. In: http://www.antonioimbassahy.com.br/; LIPOVETSKY, Gilles, O Império do Efêmero. A moda e seu destino nas sociedades modernas. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 1989; BARTHES, Roland, O grau zero da escritura. São Paulo: Editora Cultrix, 1971; Idem, Mitologias. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1972; Idem, O grão da voz. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1995; FREUD, Sigmund, Obras Completas. Madrid: Editorial Biblioteca Neuva, 1972, 3 volumes; Idem, Obras psicológicas completas. Rio de Janeiro: Ed. Standard; Imago, 1996; PLATÃO, Fedro. 275-c a 276-d e “Carta VI”, 344-c. d.; Idem, Obras Completas. Madrid: Aguillar, 1977; Idem, Apologias a Sócrates. São Paulo: Martin Claret, 1999; NIETZSCHE, Friedrich, A Filosofia na Época trágica dos Gregos. São Paulo: Abril Cultural, 1974. (Obras Incompletas; Col. Os Pensadores); Idem, Sabedoria para depois de amanhã. São Paulo: Martins Fontes, 2005; Idem, A Vontade de Poder. Rio de Janeiro: Contraponto, 2008; FOUCAULT, Michel, Arqueologia do Saber. Petrópolis (RJ): Vozes, 1971; Idem, El Ordendel Discurso. Barcelona: Tusquets, 1973; Idem, “Genealogia e Poder”. In: Microfísica do Poder. 4ª edição. Rio de Janeiro: Graal, 1984; MÁRQUEZ, Gabriel García, La increíble y triste historia de la cândida Eréndira y de suabuela desalmada.Colombia: DeBols!llo, 1972; DE MARCHI, Luigi, Wilhelm Reich: Biografía de una idea. Barcelona: Península, 1974; REICH, Wilhelm, La Funcióndel Orgasmo. Buenos Aires: Paidós, 1974; Idem, O combate sexual da juventude. 2ª ed. Lisboa: Antídoto, 1978; BAKER, Elsworth F, O labirinto humano: as causas do bloqueio da energia sexual. São Paulo: Summus Editorial, MISSSE, Michel, O Estigma do Passivo Sexual. Rio de Janeiro: Achiamé/Socii, 1983; BOADELLA, David, Nos caminhos de Reich. São Paulo: Summus Editorial, 1985;entre outros.




sábado, 16 de fevereiro de 2013

Monólogos da Vagina


"The Vagina Monologues", que foi encenada pelas estudantes da Chatham. A peça é divertidíssima e, ao mesmo tempo que traz essa mensagem da mulher se descobrir e descobrir o prazer, alerta para assuntos como estupro e mutilação genital feminina. Consegui achar a série produzida pela HBO com a Eve Hensler, que entrevistou mais de 200 mulheres pra poder escrever a peça" Karina Menezes.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Para sempre Emmanuelle.



                                                Para sempre Emmanuelle.


                                                                                     Ubiracy de Souza Braga*

__________________

* Sociólogo (UFF), cientista político (UFRJ), doutor em Ciências junto à Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Professor Associado da Coordenação do curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Ceará (UECE).




                       “Mélodie d`amour chantait le cœur d`Emmanuelle/Qui bat cœur à corps perdu”. Pierre Bachelet

           

                            


   Dutch actress Sylvia Kristel, best known for the 1974 erotic French film “Emmanuelle”.

           

Com o cabelo curto, cara de menina e silhueta perfeita, Sylvia Kristel foi escolhida como atriz para o papel principal de “Emmanuelle”, do diretor Just Jaeckin, que virou um sucesso mundial de bilheteria. Quando protagonizou o filme, Kristel tinha apenas 22 anos. Por obrigações contratuais, Kristel participou em papéis mais ou menos importantes em várias sequências de “Emmanuelle” (1974), tais como: “Emmanuelle 2” (1975), “Adeus, Emmanuelle” (1977) e “Emmanuelle 4” (1984). Apesar das tentativas de se afastar do cinema erótico para trabalhar com nomes importantes do cinema francês, sua imagem ficou marcada positivamente, pela personagem que a tornou famosa. A atriz holandesa de maior fama no panorama do cinema internacional até hoje, ficou conhecida e acabou eternamente marcada por seu primeiro filme, “Emmanuelle”, de 1974. O longa-metragem, dirigido por Just Jaeckin, é uma adaptação do livro (foto) de mesmo nome escrito por Emmanuelle Arsan.

Sylvia Kristel, nascida em Utrecht, em 28 de setembro de 1952 - Amsterdã, em 17 de outubro de 2012, foi uma atriz, diretora e modelo holandesa, mais conhecida pelo filme “Emmanuelle”. Iniciou seu trabalho como modelo aos 17 anos, mas “inicialmente planejava ser professora”. Musa de uma época em que erotismo (cf. Márquez, 1972), a pornografia e o orgasmo (cf. Reich, 1974a; 1974b; 1978; Marchi, 1974; Baker, 1980; Boadela, 1985) eram quase sinônimos no cinema, a atriz holandesa Sylvia Kristel morreu na noite de quarta-feira, aos 60 anos, em Amsterdã. Tornou-se conhecida mundialmente interpretando a personagem principal na série de filmes “Emmanuelle”. Mas a sua estreia se dá com o filme: Naakt over de schutting (1973). Em 1974, aos 21 anos, a atriz personificou “Emmanuelle”, em filme homônimo, grande sucesso na França, sobretudo pelo teor erótico. Melhor dizendo, em seu ersatz colocou o erotismo no centro da história social do cinema. Segundo o site especializado em cinema IMDb, “o filme garantiu US$ 100 milhões em bilheteria ao redor do mundo”.  

                               


                                   Revista Status N. 01 Silvia Kristel - Ano. 1974.
            Não era dela a voz que se ouvia em “Emmanuelle”, de Just Jaeckin (1974), nem em “Emmanuelle a Antivirgem”, de Francis Giacobetti e Francis Leroi (1975), nem em “Good bye Emmanuelle”, de François Leterrier (1977); nesses filmes “ela foi um corpo sem voz”, foi dublada, o seu francês não era suficientemente confortável para os produtores. Fez filmes “sérios”, com Chabrol, Vadim, Robbe-Grillet, filmes em que podia ser “atriz”, mas quem os viu, quem se lembra? Ao telefone e na autobiografia “Nua”, editada em Portugal pela Ambar, a voz de Kristel, 54 anos, instala-nos numa terra que é dela própria: um país nebuloso de uma melancolia que é despertada, com humor, pelo desassombro. Isso foi o que a vida lhe impôs. É este o tom de “Nua”, curiosíssimo exemplo de “(auto)biografia de estrela” porque é um livro em permanente fuga aos cânones do gênero. E o mais curioso: se o livro é de Sylvia, porque é da sua vida e da sua memória que se trata, é um livro de Jean Arcelin: “um francês que sempre sonhou ser romancista, mas foi obrigado pela avó a ir para a universidade e a tornar-se rico e é hoje CEO da Crysler”, conta Sylvia. Foi ele que escreveu as palavras.

No Brasil a atriz fez o ensaio fotográfico de lançamento da revista Status (foto), em agosto de 1974, em plena ditadura militar. Intitulada de “Nua”, originalmente Undressing Emmanuelle, sua autobiografia “conta a história de alguém que lidou com a fama, o álcool, a cocaína, exploração, luxos, casamentos fracassados e ainda lutou contra um câncer”. No final de sua vida, Silvia Kristel se dedicou “a pintar quadros vivendo modestamente em Amsterdã”. Aqui no Brasil ele é exibido na emissora Band há muitos anos durante a madrugada de sábado para domingo, e se tornou um marco na adolescência de muitos garotos de classe média.

           

“Quando pensei escrever a minha autobiografia, tornou-se óbvio que tinha um problema: posso cantar, razoavelmente, posso ser actriz, posso mesmo pintar, mas não sou escritora. Contactei Jean Arcelin, e ele interessou-se pela minha história. Foram 12 fins-de-semana. Em Amesterdão, Bruxelas, Paris, Nice. Em cada encontro ele entregava-me 50 páginas. Eu rasgava-as. E falava. Ele tomava notas à mão, nunca gravava. Eu nunca tinha ido a um psiquiatra. Foi, então, como fazer análise pela primeira vez. Foi um confronto permanente comigo própria. Mais duro do que eu esperava”.

            “Nua” navega nas águas em que a memória e as suas escolhas são um frágil elo, mas é o único disponível. A narrativa não se impõe, deixa a pairar motivos. Sexo? Uma preguiça, sem culpa a mãe era católica, o pai protestante, mas os filhos iam à missa a troco de dinheiro para o cinema, e é assim que abre o livro: a adolescente a ser assediada pelo “tio” Hans, o homem que agitava uma “língua espessa, marmórea, cor-de-rosa e escura”, agitando-a como “uma serpente que silva”, o homem que tanto pousou o seu olhar, “como um abcesso”, no corpo da jovem, que a jovem queria mesmo que esse abcesso rebentasse. E o “tio” Hans, que não era tio, mas gerente do hotel da família onde Sylvia cresceu, foi despedido. É o máximo de sexo que vamos ter da vida deste ícone do erotismo, mas é a cena original, serve de eco ao resto, aos altos e baixos. “Em toda a gente os há, mas na minha vida os altos foram muito altos, os baixos muito baixos, fui de extremos”, aos outros homens e às drogas.

“Sou do signo Balança, sou pela paz e pela harmonia. Mas deixei-me envolver sempre pelo turbilhão de acontecimentos”. Mesmo a sua escolha como corpo de Emmanuelle, a personagem criada pela mulher de um diplomata francês, a euroasiática Emmanuelle Arsan, a partir das suas próprias aventuras de expansão sexual, aparece como manifestação dessa força involuntária que conduziu o destino de Sylvia: Arsan era baixa e morena, Kristel era alta e delgada, não fazia o gênero, por isso a autora nem quis conhecer a atriz pernalta. Essa espécie de passividade que se transforma em autoridade foi, diz-se, o que tornou Kristel querida das mulheres japonesas; vibraram com uma cena do filme em que Emmanuelle se torna “ativa” sobre o amante (cf. Misse, 1983).

É como se falasse sobre outro corpo, como se tivesse estado ausente de si própria naqueles anos, que a atriz se descreve envolvida por uma produção caótica, sem nexo, juntando gente da publicidade e da fotografia, como é sabido, o mundo de Just Jaeckin, o realizador de “Emmanuelle”, a ambição de capitalizar com o sexo nas bilheteiras depois do sucesso de “O Último Tango em Paris” (cf. Braga, 2011) e a caução artística (na rodagem, imagine-se, trabalharam colaboradores de François Truffaut, atores da Comédie Française...). Ou a presenciar as enormes filas de espectadores nos Champs-Elysées em Paris, o anúncio do triunfo retumbante de um filme de que nenhum dos envolvidos conseguia dizer que estava orgulhoso, pois hoje o discurso pode ser outro, a História deu caução.

De beleza ímpar, alta, magra e com um olhar quase transparente, a atriz Sylvia Kristel, que morreu aos 60 anos vítima de um câncer, rodou muitos outros filmes, mas foi uma só, e sempre Emmanuelle, personagem que a transformou em um mito erótico mundial nos anos 1970. Ela Marylin, Liz, Sophia, Scarlett, Angelina… o Lorelei Lee, Cleopatra, la condesa de Hong Kong, la Viuda Negra, Lara Croft, são “algunos de los personajes que las han consagrado como las mujeres más sensuales de la gran pantalla”. Era nesta época que a jovem Sylvia, “com um olhar entre o inocente e o malicioso”, aparecia sentada “numa exótica poltrona de vime e com um colar de pérolas sobre seus seios nus” (foto), para convidar o espectador aos mais ocultos e belos prazeres. O cinema francês é atualmente o mais dinâmico da Europa continente em termos de público, números de filmes produzidos e de receitas geradas por suas produções. A personagem de Arsan apareceu de várias formas diferentes nos últimos anos, incluindo uma série de ficção científica feita para tevê à cabo nos anos 1990 chamada “Emmanuelle in space”, estrelando a atriz e modelo estadunidense Krista Allen, na época em início de carreira. Embora Krista Allen, que depois foi estrela em Baywatch e em outros filmes, “tenha dito que se arrepende de seus filmes adultos no papel de Emmanuelle, ela continua sendo vastamente identificada com a personagem”.

A palavra que deu origem ao nome da cidade de Amsterdã vem do latim: Homines manentes apud Amestelledamme, ou seja, “homens que vivem próximo ao Amestelledamme”. Amestelledamme é “dam” (dique) do rio Amstel, cujo nome pode ser interpretado como ame (“água”) e stelle (“terra seca”). A data tradicional da fundação da cidade foi em 27 de outubro de 1275, quando retiraram a obrigação dos seus habitantes de pagar taxas associadas a passagem em pontes neerlandesas. No ano de 1300 foi concedido o direito oficial de cidade, e a partir do século XIV, Amsterdã começou a florescer como centro comercial, principalmente pelo comércio com outras cidades neerlandesas e alemãs, conhecidas como a Liga Hanseática. No século XVI, começou o conflito entre os neerlandeses e Filipe II de Espanha. Essa confrontação causou uma guerra que durou oitenta anos, e que finalmente deu aos Países Baixos sua Independência. Depois da ruptura com a Espanha, a república neerlandesa ia ganhando fama por sua tolerância com respeito a religiões. Entre outros, buscaram refúgio em Amsterdã judeus de Portugal e Espanha, comerciantes de Antuérpia, e huguenotes da França, perseguidos em seus países por sua religião.

Do ponto de vista da esfera de análise econômica, a gênese do capitalista industrial não se processou de um modo gradual como a do agricultor. É indiscutível para Marx e Engels, que muitos pequenos mestres de corporações e até pequenos artesãos mais independentes, ou mesmo trabalhadores assalariados, se transformaram em pequenos capitalistas e (através da extensão do trabalho assalariado e da correspondente acumulação) em capitalista. Na infância da produção capitalista, as coisas passaram em grande parte como na infância das cidades, onde a questão do saber qual dos servos evadidos devia ser o senhor e qual devia ser o servo foi muitas vezes decidida pela mais recente ou mais tardia de sua fuga. Para ambos, o passo de caracol deste método não correspondia de modo algum às exigências comerciais do novo mercado mundial que as grandes descobertas do fim do século XV tinham criado. Mas a Idade Média tinha deixado por herança duas formas distintas de capital, amadurecidas no interior das mais diversas formações econômicas, e que, antes do modo de produção capitalista, são consideradas de qualquer forma o capital usuário e o capital mercantil.

 A descoberta do ouro e da prata na América, a extirpação, escravização e enterramento das populações autóctones nas minas, o começo da conquista e pilhagem nas Índias Orientais, a transformação da África numa espécie de coutada para a caçada comercial à peles-negras assinalavam o despontar da era capitalista. Estes processos idílicos são e representam, pois o ponto mais importante da acumulação primitiva. No seu seguimento, vem a guerra comercial das nações europeias, que “tiene como teatro todo el globo terráqueo” (cf. Marx, 1973: 731). Daí ser possível admitir Marx como o precursor da crítica analítica da ideia em sua progênie, hoje comum, da globalização. Ela começa com a revolta da Holanda contra a Espanha, assume dimensões gigantescas com a guerra anti-jacobina da Inglaterra e continua ainda com as guerras do ópio contra a China etc. Marx refere-se noutro lugar que a “razão desta erupção foi indiscutivelmente proporcionada pelo canhão inglês que lançou à força sobre a China essa droga soporífera chamada ópio” (Marx, 1973; 1978). Sobre este aspecto vejamos o que nos diz Burns (1967):

“Entrementes, as potências europeias começavam a demarcar novas concessões para si mesmas no continente asiático. Muito antes de 1870 algumas nações européias se haviam empenhado em aventuras de conquistas territorial no Oriente. Já em 1582 os russos tinham atravessado os Urais e, em menos de um século, alcançaram o Pacífico. Em 1763, após eliminar os seus rivais franceses na posse da Índia, os ingleses começaram a subjugar e desenvolver esse país, cuja maior parte foi convertida, em 1858, em possessão da coroa britânica. Em consequência da chamada Guerra do Ópio (1842), a Inglaterra forçou os chineses a ceder Hong Kong, e poucos anos depois os franceses estabeleceram um protetorado na Indochina. Em 1858 a Rússia tomou posse de todo o território ao norte do rio Amur e pouco depois fundou a cidade de Vladivostok (Senhora do Ocidente), também em território extorquido à China” (cf. Burns, 1967: 753).

Nascida em 28 de setembro de 1952 em Utrecht, na Holanda, Sylvia, antes de ser um mito erótico, foi primeiro secretária, “Miss Televisão Europeia” e modelo de propaganda, profissão que lhe abriu as portas para o cinema, onde estreou com Niet Voor de Poesen, do diretor Fons Rademakers, em 1972. Posteriormente, vieram outros títulos, mas foi em 1973 - quando o cineasta francês Just Jaeckin lhe ofereceu o grande papel de sua vida, Emmanuelle -, que Sylvia alcançou a fama, a mesma “que a devorou como atriz e como mulher com o passar do tempo”. Considerado um dos filmes pontais do cinema erótico moderno, Emmanuelle batia recordes de bilheteria onde era exibido. Em Paris, por exemplo, “o filme se manteve por dez anos ininterruptos em cartaz”. Não há similar na história de gênero no cinema mundial. Isto é importante. No Brasil, os filmes de Emmanuelle ficaram famosos por sua exibição no bloco: “Cine Band Privé”, da Rede Bandeirantes durante os anos 1990 e começo dos anos 2000, com as séries estreladas por Marcela Walerstein e Krista Allen. Sylvia Kristel, a mais famosa “Emmanuelle” no país durante muito tempo, visitou o Brasil quando da liberação do seu filme de 1974, que aconteceu em 1979. Durante os compromissos promocionais, foi convidada e participou de algumas cenas da telenovela da rede Globo: “Espelho Mágico”, tendo como cicerone o personagem de Carlos Eduardo Dolabella.

Depois de estrear no cinema dito “erótico”, Sylvia gravou com Sigi Rothemund, Alain Robbe-Grillet e Jean-Pierre Mocky, sendo que em 1975, agora com Francis Giacobetti, a atriz foi convidada a protagonizar a primeira sequência de sua bem-sucedida personagem, Emmanuelle II (“Emmanuelle: L`antivierge”). Mais tarde, a atriz também participaria de filmes com Walerian Borowczyk, Roger Vadim, Claude Chabrol e Francis Girod. Contudo, sem conseguir se desprender do personagem que lhe deu fama, em 1977, Sylvia protagoniza Emmanuelle 3 (“Goodbye Emmanuelle”), dirigido nesta ocasião por François Leterrier. Neste mesmo ano, a atriz dá vida à infanta Isabel da Espanha no filme: “O Quinto Mosqueteiro”, de Ken Annakin. Em 1979, Sylvia viajou à Espanha para rodar “Camas Quentes” (1979), de Luigi Zampa, cujo elenco também contava com outros mitos eróticos do momento, como Ursula Andress e Laura Antonelli.

No final desse ano, a atriz holandesa se mudou para Hollywood. Lá, nos Estados Unidos, ela fez várias participações em séries de TV e pequenos papéis em filmes de pouco êxito nas bilheterias. Em 1980, ela participou do filme “O Amante de Lady Chatterley”, de Just Jaeckinar, sendo que, um ano depois, fez seu primeiro papel de cômico em “Express Train”, de Salvatore Samperi. Ainda em 1981, Sylvia atuou em: “Uma Professora Muito Especial”, de Alan Myerson, um filme que foi qualificado como pornográfico por várias associações ultraconservadoras familiares norte-americanas, a exemplo do que ocorre com Last Tango... Em 1983, Sylvia estrelaria a quarta sequência de Emmanuelle e, três anos depois, se casaria com P. Blot, que a dirigiu no filme Flamenco, rodado em 1987 nos arredores de Madri. No entanto, Emmanuelle não tinha sido esquecida e, entre 1992 e 1993, Sylvia voltou a protagonizar três filmes: “A Vingança de Emmanuelle”, “A Magia de Emmanuelle” e “O Amor de Emmanuelle”. Em 1995, a atriz resolveu se aventurar no teatro na peça: “Teu Gato Está Morto”, do americano James Kirkwood. Após esta experiência, sua carreira de atriz começa a declinar, como evidencia seu pequeno papel em: Perdóname (2001), do polêmico cineasta holandês Cyrus Frisch.  

                                     

Em 2006, Sylvia publicou sua autobiografia, Desnuda (“Nue”), na qual “confessava sua dependência em drogas e álcool”. Seis anos depois, quando seu ainda belo rosto não podia ocultar os excessos, a atriz sofreu um derrame cerebral que lhe levou ao hospital, onde ela foi diagnosticada, além disso, com um câncer de garganta, doença que fragilizou muito sua saúde. Unida desde muito jovem ao escritor Hugo Klaus, teve com ele um filho, Arthur, que nasceu em 1975. Entre 1977 e 1979, Sylvia esteve unida ao ator britânico Ian McShane e, em 1982, se casou secretamente em Las Vegas com o milionário americano Alan Turner, do qual se divorciou pouco antes de voltar à Europa. Em 1986, a atriz holandesa se casou em Paris com o produtor francês Philippe Blot. Nos últimos anos, Sylvia vivia em Amsterdã, na Holanda, onde ocasionalmente expunha suas pinturas.

Escólio: A personagem apareceu pela primeira vez no filme: “Io, Emmanuelle” em 1969 e era interpretada por Erika Blanc. Ela foi recriada mais tarde em 1974 no filme: “Emmanuelle” e era interpretada pela holandesa Sylvia Kristel, provavelmente a atriz mais famosa pelo papel. O filme ultrapassou as barreiras do que era aceitável em filmes na época, com suas cenas de sexo, estupro, masturbação, mile high club (“sexo em aviões”) e “uma cena onde uma dançarina fuma um cigarro com sua vagina usando técnicas de pompoarismo”. Diferentemente de outros filmes que tentavam evitar uma classificação adulta do MPAA - a gerência do controverso sistema de classificação de filmes por faixa etária. Este sistema é muito criticado tanto pelos mais conservadores que o consideram muito complacente, quanto pelos mais liberais que o consideram um meio de censura ou uma restrição à liberdade de expressão.


O primeiro filme de Emmanuelle abraçou o gênero e tornou-se um grande sucesso internacional. O filme é, até hoje, um dos mais bem-sucedidos filmes franceses e chegou a ser exibido nos cinemas locais por anos. Realizado pelo francês Just Jaeckin, “Emmanuelle” adaptou o romance homônimo de Marayat Bibidh Andriane e foi seguido de cinco outros filmes centrados na personagem – “Emmanuelle a Antivirgem” (1975), “Goodbye Emmanuelle” (1977), “Emmanuelle IV” (1984), “Emmanuelle V” (1987) e “Emmanuelle VI” (1993) -, além de vários telefilmes. O último, feito inteiramente em sua homenagem pelo seu sucesso e talento, foi “Para Sempre Emmanuelle”. Apesar de se ter destacado através do clássico softcore, Sylvia Kristel participou também em filmes de Claude Chabrol, Roger Vadim e Alain Robbe-Grillet.
                        
“Emmanuelle”: Música: Pierre Bachelet (1974):

“Mélodie d`amour chantait le cœur d`Emmanuelle/Qui bat cœur à corps perdu/Mélodie d`amour chantait le corps d`Emmanuelle/Qui vit corps à cœur déçu/Tu es encore/Presque une enfant/Tu n`as connu/Qu`un seul amant/Mais à vingt ans/Pour rester sage/L`amour étant/Trop long voyage/Mélodie d`amour chantait le cœur d`Emmanuelle/Qui bat cœur à corps perdu/Mélodie d'amour chantait le corps d`Emmanuelle/Qui vit corps à cœur déçu/L`amour à cœur/Tu l`as rêvé/L`amour à corps/Tu l`as trouvé/Tu es en somme/Devant les homes/Comme un soupir/Sur leur désir/Tu es si belle/Emmanuelle/Cherche le cœur/Trouve les pleurs/Cherche toujours/Cherche plus loin/Viendra l`amour/Sur ton chemin/Mélodie d`amour chantait le cœur d`Emmanuelle/Qui bat cœur à corps perdu/Mélodie d`amour chantait le corps d`Emmanuelle/Qui vit corps à cœur déçu”.

            Enfim, todo ano, durante a última semana de setembro, Utrecht se torna a capital Holandesa do cinema. É quando acontece o Nederlands Film Festival e quando o público e os profissionais amantes do cinema podem se concentrar única exclusivamente no cinema Holandês e em suas facetas. O Festival World Cinema Amsterdam 2011, mostra em sua segunda edição que veio para ficar e marcar a diferença, no circuito de Festivais de Cinema nos Países Baixos, sendo o único que dedica toda a programação exclusivamente aos países da América Latina, Ásia e África. Três extremos e uma “multiculturalidade” instigante é o que atraiu mais de 9 mil espectadores  em 12 dias ao Cinema Rialto em Amsterdam, onde aconteceu o Festival. Nesse período, o World Cinema Amsterdam exibiu o melhor do cinema independente e atual desses três continentes. Foram mais de 40 longas e curtas metragens com principal foco esse ano voltado para Índia, país escolhido como “cabeça de cartaz”. O Festival apresentou uma mostra competitiva na qual fez parte a já premiadíssima, mas ainda inédita no Brasil, longa-metragem Riscado, do Diretor e Roteirista Gustavo Pizzi, que claro, levou para casa uma Menção Honrosa Especial do Jury, que diz ter atribuído esse prêmio pela “honestidade impiedosa de seu protagonista, pela qualidade do roteiro  e pela direção versátil do Diretor”.

            Sendo uma das primeiras democracias parlamentares, os Países Baixos são um país moderno desde o seu início. Entre outras afiliações, o país é membro fundador da União Europeia (UE), da OTAN, da OCDE, da OMC e assinou o Protocolo de Quioto. Junto com a Bélgica e com Luxemburgo, o país constitui a União Econômica do Benelux. O país é palco de cinco tribunais internacionais: o Tribunal Permanente de Arbitragem, o Tribunal Internacional de Justiça, o Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia, o Tribunal Penal Internacional e o Tribunal Especial para o Líbano. Os quatro primeiros estão situados em Haia assim como a sede da agência da UE de informação criminal, a Europol. Isto levou a cidade a ser apelidada de “capital legal do mudo”. A Holanda é líder mundial no campo da arte e da cultura. Basta mencionarmos a variada arte clássica e contemporânea do Museu Van Gogh, Rijksmuseum, Real Galeria de Arte Mauritshuis, Bonnefantenmuseum Maastricht e Kunsthal Roterdã. Outrossim, da história e cultura holandesas na Casa de Anne Frank, Museu Histórico Judaico, Royal Delft, Museu de Amsterdã, Casa de Dick Bruna ou um dos vários outros museus.

De outra parte, finalizando, vale lembrar que a equipe laranja, algoz do Brasil nas quartas-de-final, já disputou outras duas decisões, em 1974 e 1978. Nas duas, perdeu para os anfitriões daqueles Mundiais. Na primeira, caiu para a Alemanha e, na segunda para a Argentina. Mas não foi só a Holanda que reviveu uma bela história. A chegada até a semifinal do Mundial de 2010 é a melhor campanha do Uruguai desde 1970, quando os bicampeões mundiais perderam nas semifinais para o Brasil. Até então, todas as Copas do Mundo que foram sediadas fora da Europa tiveram como campeão Brasil, Argentina ou Uruguai. O Brasil conquistou fora do velho continente quatro de seus títulos - apenas o primeiro, em 1958, foi obtido na Suécia. A segunda taça foi levantada no Chile (1962), a terceira veio no México (1970), o tetra saiu nos Estados Unidos (1994), e penta no Japão (2002). O aproveitamento europeu dentro do continente é extremamente alto: das dez Copas disputadas no continente, a única que não foi vencida por um time local foi justamente a de 1958, com o Brasil triunfando na Suécia. Nas quartas-de-final, o cenário da supremacia sul-americana fora da Europa parecia que iria se confirmar novamente. No entanto, todos os europeus venceram seus confrontos e conseguiram garantir o título para o continente.

A torcida holandesa invadiu a Cidade do Cabo para incentivar sua seleção contra o Uruguai na semifinal da Copa do Mundo. Em todas as partes da cidade foi possível notar o grande número de torcedores, que desde cedo já pareciam ter consumido boa quantidade de bebida alcoólica. A confiança da vitória estava estampada no rosto dos aficionados na equipe do técnico Bert Van Marwijik. Cantos típicos do país foram entoados a todo instante pelas avenidas que davam acesso ao estádio. O grande número de holandesas, quase todas loiras, chamava atenção dos demais turistas e sul-africanos pela beleza e simpatia. Vestidos com paletós, camisas, gravatas, calças e meias e até sapatos cor de laranja, os fãs de Sneijder, Robben e Cia desfilaram pelo centro e por pontos turísticos como Table Mountain e Waterfront. Um deles se destacou pelo fato de estar todo de laranja, mas com a camiseta da Seleção Brasileira, adversário que a “Laranja Mecânica” eliminou nas quartas-de-final. Bibliografia geral consultada:

Artigo: “Morre aos 60 anos a atriz Sylvia Kristel”. Disponível no site: http://www.jb.com.br/cultura/noticias/2012/10/18/; Artigo: “Atriz de Emmanuelle foi a musa de uma época em que erotismo e pornografia andavam juntos no cinema”. Disponível no site: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/cultura-e-lazer/segundo-caderno/noticia/2012/10/; BRAGA, Ubiracy de Souza, “Holanda: História, Política & Futebol”. Disponível em: http://secundo.wordpress.com/2010/07/09/holanda-historia-politica-futebol/; Idem, “Le Dernier Tango à Paris faz 40 anos”. http://espacoacademico.wordpress.com/2011/10/27/le-dernier-tango-a-paris-faz-40-anos/; MÁRQUEZ, Gabriel García, La increíble y triste historia de la cândida Eréndira y de su abuela desalmada. Colombia: DeBols!llo, 1972; DE MARCHI, Luigi, Wilhelm Reich: Biografía de una idea. Barcelona: Península, 1974; REICH, Wilhelm, La Función del Orgasmo. Buenos Aires: Paidós, 1974; Idem, O combate sexual da juventude. 2ª ed. Lisboa: Antídoto, 1978; BAKER, Elsworth F, O labirinto humano: as causas do bloqueio da energia sexual. São Paulo: Summus Editorial, 1980; BOADELLA, David, Nos caminhos de Reich. São Paulo: Summus Editorial, 1985; MISSSE, Michel, O Estigma do Passivo Sexual. Rio de Janeiro: Achiamé/Socii, 1983; STOLKINER, Jorge, Recontextualizando Reich. New York: Open Orgonomy, 2005; MARX, Karl e ENGELS, Friedrich, Sobre o Colonialismo. Lisboa: Editorial Estampa 1978, vol. I, p. 22 e ss; Idem, Sobre o Colonialismo. Ob. cit., vol. II, p. 157 e ss; MARX, Carlos, El Capital. Crítica de la Economía Política. Libro Primero. Buenos Aires: Editorial Cartago, 1973, vol. 1, cap. XXXI, “Genesis del Capitalista Industrial”; pp. 730-740; MARX, Carlos, Teorias de la Plusvalia. Madrid: Alberto Corazón Editor, 1974, vol. 1 e 2, “onde Marx debía comenzar a demonstrar algo de ´sentido comercial` en sus relaciones con los editores”; Idem, Elementos fundamentales para la crítica de la economia politica (borrador) 1857-1858. 4ª edición corregida. Siglo Veintiuno Argentina Editores, 1973. Vols. 1-2; ARNAUT, Jacques, História del Colonialismo. Ob. cit; BAECHLER, Jean, Les Origenes du Capitalisme. Paris: Éditions Gallimard, 1971, “La genèse du capitalisme”, pp. 105-180; HUBERMAN, Leo, História da Riqueza do Homem. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1974, entre outros.