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segunda-feira, 1 de abril de 2013

Deus, o universo e tudo mais



Deus, o Universo e tudo o resto é um colóquio de ensino, na tentativa de descobrir uma grande teoria unificada das leis que governam o universo. Este programa esclarecedor se aprofunda em temas como a Teoria do Big Bang, a expansão do universo, os buracos negros, a vida extraterrestre e as origens da criatividade.
Stephen Hawking é um físico teórico britânico que dedicou grande parte de sua vida a investigar as leis do tempo e do espaço descrito pela Teoria da Relatividade de Einstein. Stephen Hawking, o genial físico de Cambridge, é considerado sucessor de Galileu, Newton e Einstein.
Carl Sagan foi um astrônomo norte-americano que desempenhou um papel importante no desenvolvimento do programa espacial americano, bem como suas contribuições à ciência planetária.
Arthur C. Clarke é um autor britânico, famoso pelo clássico de ficção científica 2001: Uma Odisséia no Espaço, e sua visão otimista para a humanidade explorar a galáxia.

Apresentação: Drs. Stephen Hawking, Carl Sagan e Arthur C. Clarke

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Mulher, eleição, educação e poder: Entrevista com a Profª Drª Danyelle Nilin Gonçalves


ENTREVISTA COM A PROFª DRª DANYELLE NILIN GONÇALVES
22 DE JANEIRO DE 2013


 
Ela possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Ceará (1999), mestrado em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará (2001) e doutorado em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará (2006). Atualmente é professora adjunta da Universidade Federal do Ceará e membro de laboratório de pesquisa da mesma universidade. Tem experiência na área de Ciência Política e Sociologia Política atuando principalmente nos seguintes temas: anistia, campanhas eleitorais, memória, ditadura militar e educação.
http://lattes.cnpq.br/3467578535972274



Pedro Mourão
Qual foi seu primeiro contato com as Ciências Sociais?

Danyelle Nilin Gonçalves
O primeiro contato de fato foi com a entrada no vestibular.
Quando estava no pré-vestibular não tinha essa discussão
e nem tive Sociologia durante o ensino médio.
Mas, pensando bem, eu sabia que o FHC era sociólogo e adorava o Betinho
da Campanha contra a Fome.
Achava que o Betinho era uma figura muito interessante, muito sensível.

Pedro Mourão
O senso comum já lhe apresentou as Ciências Sociais então?

Danyelle Nilin Gonçalves
Isso mesmo. Como sempre fui leitora voraz e como a questão política sempre permeava as discussões lá em casa acabei conhecendo esses dois sociólogos.

Pedro Mourão
Sua família tem ligação com a política local?

Danyelle Nilin Gonçalves
Não. Mas na verdade, sempre fomos simpatizantes do PT
e como a minha mãe era presidente do Conselho da Mulher
e depois do Conselho da Criança sempre estivemos envolvidos com essa questão.

Pedro Mourão
Alguém mais na sua família é cientista social?

Danyelle Nilin Gonçalves
Não, somente eu. Minha mãe fez Letras, eu fiz Ciências Sociais, minha irmã fez Serviço Social
e meu irmão fez vários cursos até conseguir terminar um, de Gestão de Pessoas.
Minha irmã é bióloga e na família ampliada, tem jornalista, advogado, médico,
Mas nenhum cientista social.

Pedro Mourão
E na graduação, como foi que se deu sua entrada no ramo da Sociologia Política?

Danyelle Nilin Gonçalves
Entrei nas Ciências Sociais com essa questão do Betinho.
Estava naquela época de querer fazer a diferença no mundo.
Assim que entrei, tive um pouco de choque, porque não conseguia entender muito do que se falava.
Esse é um problema até hoje, para muitos.
Passei o primeiro ano "viajando na maionese" e aproveitando a vida universitária.
Entenda-se, festas, bebedeiras, etc.

Pedro Mourão
Normal de todo jovem.

Danyelle Nilin Gonçalves
No 3º semestre apareceu uma vaga para bolsista da Irlys Barreira
http://lattes.cnpq.br/1873147390513866
Eu só sabia que seria para entrevistar lideranças comunitárias.
Eu entreguei meu histórico e fui pra seleção.
Acho que ela gostou do meu interesse porque havia outra candidata com o IRA (Índice de Rendimento Acadêmico) maior que o meu, mas eu ganhei a vaga.
A partir daí, me encontrei no curso.
Me foquei, passei a ser uma aluna interessada e passei a perceber a importância da pesquisa.
Fizemos 60 questionários nas periferias de Fortaleza, algo muito bom porque pude conhecer a cidade de fato.
Como muitas dessas lideranças iam se candidatar ou apoiar alguém, resolvemos ampliar a pesquisa.
Então chegou o momento eleitoral e aí passamos a acompanha-las nos eventos e nos programas eleitorais.
Sempre gostei de programa eleitoral, portanto, não era problema assisti-los.
Em 1996, na disciplina de Teoria Antropológica, a Professora Simone Simões (http://lattes.cnpq.br/8580516535075460 ) queria que a gente fizesse uma etnografia
e eu fui pesquisar as candidatas a vereadoras em Russas, minha cidade.
Fiz entrevistas, questionários e acompanhei algumas delas nos comícios, reuniões, etc.
Quando chegou o momento de fazer a monografia, decidi pesquisar um fenômeno que me instigava que eram as candidaturas que não tinham chance real de vitória, mas que marcava um lugar no HGPE (Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral). Essas candidaturas eu denominei de "outsiders" como o Enéas Carneiro, o João Oliveira, e vários vereadores que usavam do sarcasmo, do ridículo, do riso para se apresentarem no programa eleitoral.

Pedro Mourão
Geralmente escolhemos o objeto de pesquisa por afetividades (positivas ou negativas) que temos pelo objeto de estudo. Então a sua monografia "Em nome do voto-discursos e estratégias dos outsiders." se liga a isso?

Danyelle Nilin Gonçalves
Isso mesmo. Gostava do horário eleitoral e queria escrever sobre algo que não se escrevia muito, que era sobre isso. Hoje já tem mais estudos sobre essa temática, mas não época não consegui achar nada.
Enfim, era um bom tema a ser explorado.
Fiz o trabalho e imediatamente fiz o projeto do mestrado na Universidade Federal do Ceará (UFC). Para a seleção fiz uma proposta para analisar os discursos do Juraci Magalhães e do Tasso Jereissati, mas quando entrei no mestrado, percebi que não teria tesão para levar adiante esse tema.

Pedro Mourão
Por quê?

Danyelle Nilin Gonçalves
Isso foi em 2000, quando fui chamada a ir para o México com a Irlys.
Não sei, tesão a gente tem ou não tem e eu não tinha.
Fiz o projeto, mas na verdade não tava a fim de analisar discurso.
Enfim, fui para o México acompanhar as eleições gerais e lá encontrei o objeto de pesquisa.



Danyelle Nilin Gonçalves
Então, no México encontramos uma realidade bem diferente das eleições aqui no Brasil.
Era um momento central da vida dos mexicanos porque poderia haver alternância de poder depois de 70 anos. Havia uma expectativa grande e muitos jovens se mobilizaram, por isso entrevistei jovens na universidade alguns céticos, outros confiantes no processo.
Quando encontrei um grupo de mulheres que trabalhava na campanha de um candidato, fui conhecer seu trabalho e aí descobri que na campanha mexicana, muitos jovens estavam sendo destacados para agenciar votos.
Quando voltei ao Brasil percebi que nos cruzamentos de ruas muitos jovens faziam a publicidade dos candidatos. Nos comícios eram eles quem agitavam as bandeiras, cantavam as músicas, etc. Passei a acompanhar dois grupos e percebi que era uma atividade central nas campanhas e que estava sendo feita por jovens.
Passei a querer entender o que isso representava para as campanhas eleitorais.
No mestrado, você estudou "Jovens na política: animação e agenciamento em campanhas eleitorais."
Qual era sua tese central?


Danyelle Nilin Gonçalves
A grande questão é essa: como os jovens são recrutados no momento eleitoral, que atividades desenvolvem e que disputas surgem em torno do fato de alguns deles serem remunerados. Passei a perceber essa atividade como festa, como trabalho e como ideologia.
Pedro Mourão
Então esse trabalho se aproxima da Antropologia da política?
Quais eram seus principais autores na época?

Danyelle Nilin Gonçalves
Sim, se aproxima. Inclusive porque na época estava tendo um Pronex (http://memoria.cnpq.br/programas/pronex/index.htm ) que era um grupo muito bom de antropólogos de várias instituições do Brasil que pesquisavam as eleições.
Foi muito rico esse momento.

Como essa temática da juventude e política em campanhas eleitorais não era um tema estudado, não havia autores centrais para isso. Mas trabalhei com Moacir Palmeira, Beatriz Heredia, Márcio Goldman, Karina Kuschnir, Gabriela Scotto, Irlys Barreira, esse grupo do NUAP (Núcleo de Antropologia da Política) http://nuap.ppgasmuseu.etc.br/ .
A dissertação me deu muito prazer, apesar de ter tido tendinite.
Até hoje gosto muito dela. Depois que saí da dissertação fui fazer o projeto do doutorado e aí decidi sair da temática das eleições. Fui para outro tema que me inquietava desde a adolescência: ditadura militar.
Decidi pesquisar a indenização aos ex-perseguidos políticos, de 2001 a 2006 pesquisei intensamente isso.

Pedro Mourão
Vc fez algo muito ousado e desgastante para maioria das pessoas.
Fez graduação, mestrado e doutorado praticamente sem intervalos.
Como foi esse desafio?

Danyelle Nilin Gonçalves
Bem cansativo e inclusive não recomendo para ninguém.
Acho que temos que ter um intervalo até para amadurecer as ideias
mas enfim, fiz e estou viva. Fiz uma pesquisa bem intensa e legal sobre esse processo e fui à Argentina para conhecer os perseguidos políticos de lá.

Pedro Mourão
E porque você não se deu esse intervalo?

Danyelle Nilin Gonçalves
Não dei o intervalo porque estava no embalo e achava que o mundo ia se acabar se eu não fizesse, depois vi que nem é verdade.

Danyelle Nilin Gonçalves
Tinha a pretensão inicial de fazer uma pesquisa comparativa sobre a Argentina, o Chile e o Brasil, mas depois percebi que não seria possível. Farei um dia....
Enfim, fiz a tese que também é um trabalho que eu gosto muito e depois que eu entrei na universidade, voltei pra minha temática original que são as mulheres na política.

Pedro Mourão
No seu doutorado, você trabalha a questão da ditadura militar e as indenizações aos presos e parentes de presos políticos. (O preço do passado: Anistia e reparação de perseguidos políticos no Brasil)
Como surgiu essa ideia?

Danyelle Nilin Gonçalves
Surgiu de uma matéria no jornal. Na verdade, na dissertação me chamou a atenção o fato de que a esquerda não consegue lidar tranquilamente com dinheiro. Ela vê o dinheiro como algo sujo, algo que mancha as relações. Quando vi que os anistiados iriam receber dinheiro e que muitos deles eram de esquerda achei que seria interessante estudar como eles resolveriam essa questão.

Pedro Mourão
De fato foi? O que a pesquisa revelou?

Danyelle Nilin Gonçalves
Primeiro, eles não são homogêneos, alguns recebem, outros não e existem diferentes motivações apresentadas por eles.
A partir daí descobri mais questões: de que esse processo aciona questões jurídicas, sociais, morais, administrativas. Diz respeito ao passado, à imagem que se tem do que foi feito no passado, remonta às lutas, às noções de heroísmo, de vencedor, e envolve mais gente do que somente os anistiados e suas famílias.

Pedro Mourão
Podemos falar em um Romantismo Marxista?

Danyelle Nilin Gonçalves
Para alguns somente. Para outros, a questão é diferente.
Talvez nem seja marxismo, acho que a esquerda é muito franciscana aqui no Brasil.
A questão do dinheiro é pesada, não é algo tranquilo.

Pedro Mourão
Uma noção de moralidade subjacente ao dinheiro pode ser lida através da teoria da Dádiva de Marcel Mauss? Os esquerdistas talvez não queiram esse vínculo com o governo no sentido de estabelecer laços de troca?

Danyelle Nilin Gonçalves
Alguns sim, mas não é só isso.Essa é uma das motivações apresentadas, mas existem várias outras. Não se deixa de aceitar dinheiro só por não querer receber dinheiro do governo, mas porque não se quer lembrar-se do passado. Porque não quer se sentir um combatente. Porque é pouco dinheiro para muito sofrimento. Enfim, são várias motivações distintas.Foram elas que apareceram nas falas dos meus entrevistados.

Pedro Mourão
Podemos falar que esse "franciscanismo" na esquerda é um fato social a lá Durkheim?

Danyelle Nilin Gonçalves
Sinceramente, nem sei responder.
Tem mais a ver com as origens dessa esquerda e da militância dos movimentos eclesiais, da AP (Ação Popular) e de coisas que viveram na ditadura também. O dinheiro aparecia como algo maldito.

Pedro Mourão
Talvez a visão marxista negando o capitalismo possa ter relação com isso. Visto que o dinheiro é o símbolo máximo do capitalismo.

Danyelle Nilin Gonçalves
Sim, também. Junta as duas coisas.

Pedro Mourão
E onde entra na sua trajetória o binômio: gênero e política?

Danyelle Nilin Gonçalves
Desde o início da minha vida acadêmica, desde 1996 pesquisávamos as mulheres em campanhas eleitorais. Quando voltei à universidade, agora como professora, voltei ao tema antigo.

Pedro Mourão
Existe uma auto-identificação entre você e o objeto?

Danyelle Nilin Gonçalves
Não, nesse caso, nenhuma. Gosto demais da temática, mas como curiosidade intelectual para entender como as mulheres aparecem nesse cenário o que querem, o que fazem. Como se apresentam, que dilemas enfrentam, como constroem discursos de diferença em relação aos homens.

Pedro Mourão
Sua ascensão no campo intelectual lhe coloca hoje numa posição de prestigio e poder. Isso tem alguma relação com seu objeto de estudo? O campo acadêmico pode ser encarado como um campo político (de disputas pelo espaço e pela a verdade legitima)?

Danyelle Nilin Gonçalves
Eu relativizo muito esse poder e prestígio. Nem acho que os professores tenham tanto poder e prestígio assim, só em algumas situações.

Pedro Mourão
Assim como na política, na universidade existe também um preconceito contra a mulher intelectual?

Danyelle Nilin Gonçalves
Se há, ele é velado. Nunca percebi preconceito.

Pedro Mourão
Você já ouviu algum caso?

Danyelle Nilin Gonçalves
Mas é fato que as mulheres que são intelectuais, são donas de casa, mães e que não necessariamente dividem as tarefas cotidianas com seus maridos. Isso pode dificultar a vida de algumas. Não, mas não duvido que tenha, já que a universidade é um espaço que, como qualquer outro, está sujeito aos preconceitos, aos conflitos e às disputas. Imagino que para algumas mulheres ascenderem em suas carreiras seja mais difícil por algumas dessas questões e de outras também. No meu caso, não sofro preconceito e penso que estou construindo a minha carreira independente desse fato.

Pedro Mourão
Sua produção cientifica é volumosa e invejável. Como você lida com esse desdobramento, a Danyelle cientista e a Danyelle pessoa com vida social (ou não) risos?

Danyelle Nilin Gonçalves
Sério?????????? Não sabia (risos). Bem, na verdade tento ter uma vida normal.

Pedro Mourão
O "tento" é uma palavra forte..(risos)

Danyelle Nilin Gonçalves
Mas obviamente, às vezes não dá para sair ou fazer nada no final de semana. Se tem um resumo para enviar, um artigo para fazer ou trabalho dos alunos para corrigir, minha vida social fica comprometida. Em geral, sei organizar meu tempo de modo que eu possa fazer as coisas que me dá prazer, além do trabalho. É tentar mesmo, porque nem sempre é possível.
Mas enfim, sou muito feliz com o que faço e a vida na universidade permite que você consiga de alguma forma organizar horários. Há dias que não escrevo nada e que vou ler Nelson Rodrigues ou ver televisão. Mas há semanas que não é possível. Acho que essa é uma profissão bastante interessante que permite conhecer várias situações, pessoas e lugares. Por isso, o "se desdobrar", para mim não é um sacrifício.

Pedro Mourão
Entendo. A título de provocação intelectual, eu gostaria de te perguntar algo.
Qual a importância da ciência que você faz para o resto da sociedade, fora dos muros da universidade?

Danyelle Nilin Gonçalves
Eu acho que a importância da ciência em geral e não somente a que eu faço é a seguinte:
Na medida em que conseguimos desnaturalizar os processos, eventos e fenômenos,
na medida em que o mundo social e as ações dos sujeitos se tornam mais inteligíveis, essa é a nossa grande contribuição. Tenho certeza que os anistiados, ao lerem meu livro, devem ter parado para se perguntar sobre várias questões que alguns deles não deviam pensar até então. Sendo assim, fico satisfeita com o trabalho.

Pedro Mourão
Interessante.

Danyelle Nilin Gonçalves
Mas existem outras pesquisas também como a do assentamento do movimento sem-terra que conseguimos ver in loco o resultado de nossa pesquisa-ação.

Pedro Mourão
Onde se localiza e em que consiste esse trabalho?

Danyelle Nilin Gonçalves
No Assentamento Zumbi do Palmares e é um trabalho financiado pela Petrobras para perceber a ambiência do local, já que este local é alvo de um projeto experimental da empresa. Acompanhamos a comunidade sobre a sua trajetória, os conflitos instalados, as lideranças oficiais e as emergentes e o capital social daquela comunidade. Nesse caso, já temos muitos dados concretos de pesquisa.

Pedro Mourão
Qual é a finalidade do projeto?

Danyelle Nilin Gonçalves
Nossa atuação permite ver como a comunidade vem construindo sua história.
Perceber qual a possibilidade de os assentados trabalharem em prol de algo coletivo.

Pedro Mourão
Muito interessante. Você foi professora no ramo privado e hoje é da universidade pública.
Quais as grandes semelhanças e diferenças dos dois campos?

Danyelle Nilin Gonçalves
Para mim foi super interessante ter as duas experiências.
Na faculdade privada, a gestão e a logística funcionam muito bem.
Nas minhas experiências também percebi certo respeito com o professor.
Não estou dizendo que isso ocorre sempre. Há também mais possibilidades de convívio entre os professores, nem que seja na sala dos professores antes da aula, no horário do intervalo e no final. Mas é bom deixar claro que estou falando da minha experiência pessoal e que não estou fazendo generalizações.

Pedro Mourão
Claro.

Danyelle Nilin Gonçalves
O grande problema da faculdade privada é a falta de autonomia para algumas coisas e pouco acesso à pesquisa, a ter bolsistas, a viajar para eventos, etc. Em relação aos alunos, há alunos bons nas duas. Sendo que na universidade pública há uma ideia de continuidade da carreira que talvez a universidade privada não estimule tanto.

Pedro Mourão
Hoje você faz parte do LEPEC-UFC (Laboratório de pesquisa em Política e Cultura) e da SBS (Sociedade brasileira de Sociologia). Qual é o seu papel nesses dois grupos?

Danyelle Nilin Gonçalves
Sou membro do LEPEC e coordenadora da comissão de ensino da SBS.

Pedro Mourão
Como se seu o convite para esse trabalho na SBS? Quais as suas principais atividades como coordenadora da comissão de educação da SBS?

Danyelle Nilin Gonçalves
O convite se deu pela Irlys Barreira que é a presidente as SBS. A ideia da comissão é estimular a discussão sobre o ensino de sociologia no ensino médio.

Pedro Mourão
Vocês estão organizando o ENESEB (Encontro Nacional sobre o Ensino de Sociologia)?

Danyelle Nilin Gonçalves
Isso mesmo, será em 31 de maio a 3 de junho em Fortaleza na Universidade Federal do Ceará, no campus Benfica. O Eneseb terá boas discussões sobre o ensino de sociologia e terá como tema central Juventude e Ensino Médio. Teremos como convidado Bernard Lahire para a conferência inicial.


Pedro Mourão
Gostaria que falasse sobre seu último livro que lançou.

Danyelle Nilin Gonçalves
Os dois livros, tanto o que resultou da dissertação e o da tese foram lançados um pela Editora Pontes (dissertação) e outro pela Expressão Popular (tese).

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Entrevista com o sociólogo Rubens Garcia falando sobre blues no Ceará


 
 

Nesse programa, o autor fala acerca de seu percurso antropológico nos principais eventos de Blues do Ceará ( Festival Jazz e Blues de Guaramiranga, Canoa Blues realizado na Praia Quebrada e o evento Casa do Blues realizado em Fortaleza). Na entrevista, podemos ver o Blues como um elemento também legitimador da produção cultural e musical cearense. Na discussão foram levantadas questões como a Fricção de Musicalidades( Roberto Cardoso de Oliveira), e a construção de estilos e distinções (Pierre Bourdieu) a partir da atividade musical em nos eventos de Blues no Ceará.

resumo da pesquisa do colega Rubens Garcia:


Esta pesquisa etnográfica objetiva uma análise sobre a movimentação cultural do gênero musical Blues na cidade de Fortaleza, tem como base para a reflexão os discursos dos agentes que divulgam o estilo na cidade (músicos, produtores) bem como os elementos valorativos que constituem a formação de público. De acordo com as estruturas do método etnográfico, foi realizado: a) trabalho de campo, que consistiu na observação dos eventos e shows promovidos pelas bandas de Blues nos espaços públicos e privados da cidade, entrevistas, b) captação de registros audiovisuais e, c) anotações em diário de campo. A partir dos dados colhidos e das análises dos significados atribuídos pelos agentes a suas práticas culturais, foi possível a compreensão dos processos de formação de identidades e símbolos de distinção tendo a musicalidade (Blues) como ferramenta para a concepção desses conceitos. O Blues, inserido num contexto urbano, também dialoga com questões contemporâneas relacionadas ao cotidiano das cidades.
Palavras-chave: blues, performance; arte; cidade; cultura.

Via: http://musiculturaufc.blogspot.com.br/2012/11/musicultura-61-entrevista-com-o.html

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Programa de entrevistas com Julien Assange: O Mundo Amanhã - Slavoj Žižek e David Horowitz



O intelectual superstar Slavoj Žižek foi um dissidente na Iugoslávia do ditador Tito e concorreu na eleição presidencial da Eslovênia nos anos 90. Notório provocador reconhecido mundialmente, se descreve como leninista e admirador da herança judaico-cristã da Europa. Já David Horowitz é um soldado linha dura do pensamento político conservador americano -- e um sionista sem o menor pudor. Nos anos 60 e 70, foi uma liderança de esquerda na universidade californiana de Berkeley. Depois de colaborar com os Panteras Negras, começou seu caminho sem volta para a direita. Hoje, seu instituto faz campanhas contra influências islâmicas e de esquerda na mídia, na academia e na política.

Este encontro entre mentes tão diferentes é no mínimo, acalorado. "Você é um apoiador da coisa mais próxima que temos do nazismo", diz Horowitz. "Você apoia os palestinos. Eu não vejo como diferenciar os palestinos, que querem matar os judeus, dos nazistas". Irritado, o esloveno dispara: "Desculpe, você já foi à Cisjordânia?".

Em alguns momentos, Assange tem que segurar Žižek, de tão irritado que ele fica embora seu adversário esteja em outro continente.

O tom da conversa varia entre combativo, pessoal e bem humorado. Os três falam de Stálin a Obama, de Israel à Palestina, da liberdade ao Estado de vigilância,-- passando, é claro, pelo trabalho o WikiLeaks, considerado "perigoso" por Horowitz. "Nós, totalitários das antigas, deveríamos, nos juntar e nos livrar deste liberal aqui!" brinca Zizek para Horowitz, referindo-se a Assange.

No final, Žižek conclui: "Isso foi uma loucura!".
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sábado, 22 de setembro de 2012

MASTURBAÇÃO SOCIOLÓGICA: AS DUAS FACES DA MOEDA 2 Entrevista com o Prof. Jorge Ventura de Morais


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Pedro Mourão
Ok, o senhor poderia falar brevemente sobre sua formação?
Como um bacharel em Administração de empresas foi querer fazer mestrado em Sociologia?

Jorge Ventura de Morais
Descobri, em uma disciplina chamada Sociologia das Organizações, que eu não tinha nada a ver com Administração. Como venho de uma família muito pobre do interior de Pernambuco, não tinha como voltar atrás. Terminei, então, o bacharelado em Administração e parti para o mestrado em sociologia, na UFPE, e doutorado em sociologia na London School of Economics (Universidade de Londres).

Pedro Mourão
Seus estudos no mestrado sobre a estrutura de poder no sindicato dos trabalhadores rurais de Arcoverde-PE tem relação com a sua trajetória familiar então?

Jorge Ventura de Morais
Tem, sim! Procurei dar algum tipo de contribuição à história da cidade onde me criei. Como eu estava interessado na trajetória política dos sindicatos brasileiros, que se abria com a emergência de Lula, como líder sindical, desenvolvi uma pesquisa em que mostro como os militares aparelharam os sindicatos, em grande parte do país, como centros de assistência médica e odontológica. Ao mesmo tempo, procurei, já ali, dialogar com a teoria sociológica mais geral - preocupação persistente dos meus trabalhos até hoje. No caso, minha referência foi Robert Michels e a sua obra “Sociologia dos Partidos Políticos”.

Pedro Mourão
E a temática de sua tese de doutorado na London School of Economic foi uma consequência de suas análises do sindicalismo em Pernambuco?
Como um pensador do sindicalismo se tornou um teórico da Sociologia do esporte?

Jorge Ventura de Morais
Foi desdobramento! Pesquisa séria se faz com uma agenda de pesquisa. Os achados primeiros me permitiram, no doutorado, ampliar a análise da política interna dos sindicatos. Mas, diferentemente da dissertação, tratei do processo político interno dos sindicatos - a democracia sindical, como se diz na literatura especializada. Meu foco se deu na dinâmica das eleições sindicais, construções de canais que ligassem os sindicatos ao chão-de-fábrica, construção de pautas de negociação, do processo de greve etc.

Jorge Ventura de Morais
Com relação à sua segunda pergunta, é fato que sou muito inquieto. Passo cerca de 6-7 anos pesquisando um assunto, mas daí já me sinto atraído pela riqueza da vida social. Antes de chegar ao futebol, já trabalhei - e continuo trabalhando - na área de sociologia das artes. Com relação ao futebol, foi uma mistura de amor pelo esporte, constatação da sua importância na constituição da nossa vida social e insight de que na dinâmica do jogo é possível compreender uma série de problemas sociológicos mais gerais.

Pedro Mourão
O senhor acredita que existe alguma analogia entre a Sociologia política e a Sociologia do Esporte?

Jorge Ventura de Morais
Sim, completamente! A minha pesquisa sobre regras no futebol (poderia ser em qualquer outro esporte) faz fronteira com o direito, a filosofia e a política, pois diz respeito, não às regras em abstrato, mas a como eles são de fato implementadas pelos atores sociais. Vou dar dois exemplos distintos para mostrar o paralelo. Embora possamos saber das regras do futebol, nós não sabemos como elas serão interpretadas e aplicadas nos jogos de hoje à tarde. Embora nós - e especialmente os juristas - saibamos das leis que regem o nosso país, nós temos de acompanhar a leitura das interpretações e invocações de artigos e parágrafos dos códigos (penal e processual penal), no caso da Ação Penal 470 (dita Mensalão), para sabermos - e muitas vezes nos surpreendermos, e criticarmos ou apoiarmos - quais foram os caminhos percorridos por cada Ministro na tomada de decisões. Esta característica das regras (regras do futebol, leis formais, normais), isto é, um certo grau de elasticidade, sem a qual não existiria a vida social, foi objeto de investigação de Wittgenstein e Heidegger na filosofia e de Bourdieu e, mais notadamente, de Norbert Elias, na sociologia.

Pedro Mourão
Muito interessante, "Assim na política, como no esporte".
           
Jorge Ventura de Morais
A política é mais dinâmica! No esporte, mais 'fechado'. Nós como torcedores não podemos influenciar diretamente o juiz (daí, talvez, porque o xinguemos a mãe dele. Na política, nós podemos votar e encaminhar protestos e propostas que podem ter influência no comportamento dos políticos. E o Congresso sempre está votando novas leis, enquanto que no futebol, as mudanças são muito conservadoras.

Pedro Mourão
Faço uma pergunta a título de provocação: Será que a política é hoje um campo tão aberto a intervenção popular como pensamos? Digo isso porque hoje meu objeto de estudo é a participação popular no parlamento estadual.
Mas mudando de assunto...

Essa relação entre a lógica da política e a lógica do esporte seria o que Bourdieu chamou de homologia entre os campos sociais? E quais são os teóricos que o senhor costuma articular em suas análises da Sociologia do Esporte e onde se encaixa a teoria sociológica de Jon Elster em suas análises?

Jorge Ventura de Morais
Eu responderia sim a pergunta sobre Bourdieu. Com relação à segunda, Elster não tem sido uma influência de maior monta. Uma leitura dele, em 2005, em conjunto com meu colega José Luiz Ratton, nos provocou a pergunta sobre como funcionaria a aplicação de sua teoria dos constrangimentos na área dos esportes. Aliás, Elster escreve que seria interessante fazer este tipo de pesquisa. No decorrer da pesquisa, me aproximei mais da obra de Norbert Elias. Entre 2009 e 2010, tive várias oportunidades, na Inglaterra, de conversar com Eric Dunning, aluno e colaborador de Norbert Elias, sobre futebol, regras, processo civilizador etc. Mas, ao mesmo tempo, redescobri os estudos de Harold Garfinkel, na etnometodologia, sobre funcionamento de regras de convivência, bem como em jogos. Li muito, também sobre a Sociologia das Práticas Sociais derivada de Ludwig Wittgenstein. Uma terceira vertente teórica tem a ver com a sociologia das moralidades decorrente do trabalho de Luc Boltanski. De modo que meu trabalho em sociologia do futebol é fortemente influenciado por estas perspectivas. Não necessariamente misturadas. O meu último paper publicado na Inglaterra é muito Garfinkeliano/Wittgensteiniano, mas outro sobre o gol da mão de Maradona na Copa de 1986 é mais Eliasiano/Boltanskiano.
Este segundo trabalho sairá publicado em coletânea especial sobre Herois, Mitos e lendas do futebol mundial um pouco antes da Copa do Mundo.
Pedro Mourão
Professor, e como começou o debate da legitimidade social das pesquisas sociológicas com Luis Nassif que escreveu o artigo criticando sua pesquisa? (para ver mais dados sobre a pesquisa do Professor Jorge Ventura clique aqui para ver o Curriculum Lattes http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=B922616)

Jorge Ventura de Morais
Debate? Não houve debate. Ele fatiou a introdução de um texto meu publicado em 2008 como exemplo da inutilidade de pesquisas financiadas pelo CNPq.
Depois o expôs à crítica anárquica dos internautas e não publicou minhas mensagens, a não ser a última - desconfio de por causa da pressão da comunidade acadêmica, que foi simplesmente um resumo de minhas publicações sobre sociologia do futebol.

Pedro Mourão
Compreendo. Mas eu obtive dados que indicam que houve um conflito anterior que desencadeou a crítica do Nassif sobre seu trabalho. Ver postagem anterior sobre esse assunto aqui: http://cienciasocialceara.blogspot.com.br/2012/09/masturbacao-sociologica-as-duas-fases.html
A que o senhor atribui crítica de Luis Nassif, e o que o senhor pensa a respeito desse debate que surgiu sobre a legitimidade social das pesquisas sociológicas?

Jorge Ventura de Morais
Ah, sim! Eu disse, no facebook, via um amigo comum que a análise dele sobre o chamado mensalão era ruim.

Pedro Mourão
Hummm

Jorge Ventura de Morais
Sobre as razões da forma da crítica do blogueiro, eu teria de fazer ilações...
É melhor nos concentrarmos na questão do debate sobre financiamento de ciência, tecnologia, artes etc, no país. Foi interessante perceber nos comentários desrespeitosos para comigo pelos internautas a distância que ainda separa as universidades, como centros de pesquisa, do cidadão comum. Com isto, não estou desculpando aqueles que me agrediram gratuitamente, sem me conhecer, sem me dar direito de resposta, sem, ao menos, olhar o meu (curriculum) Lattes. Só estou dizendo que é preciso fazer um esforço de ambos os lados para aproximarmos as universidades e a população, em termos de um nível mínimo de entendimento acerca das funções da primeira e como pesquisas - aparentemente inúteis podem servir à sociedade. Por outro lado, foi possível perceber a persistência de desentendimentos dentro da própria comunidade acadêmica sobre o que deve ou não ser financiado, que áreas são importantes etc. Para ilustrar, fui criticado por uma pessoa da área de humanidades por estar desenvolvendo este tipo de pesquisa quando "há muitas crianças morrendo de fome no País", ou "há altos níveis de violência urbana no Brasil". Já um físico postou a negativa que ele recebeu do CNPq para desenvolver pós-doutorado em importante universidade estrangeira, enquanto estaria financiando as minhas tolices.

Pedro Mourão
Como poderíamos estreitar esse abismo entre a sociedade e a sociologia?
Se de um lado todo trabalho científico serve algum interesse social, político e econômico seria possível fazer uma ciência social desvinculada dos interesses coletivos?
Não é de hoje que vemos colegas na pós-graduação procurando somente um título e uma bolsa sem buscar fazer um trabalho científico sério e responsável socialmente.
O que seria para o senhor uma Sociologia comprometida com as questões sociais? Isso iria acabar com a liberdade científica?

Jorge Ventura de Morais
Veja, eu não tenho uma resposta. É um problema difícil de ser resolvido. Acredito que seja um problema presente em todas as sociedades. Somente acho que aqui a falta de diálogo entre as duas partes ainda é alta. Acredito que o desenvolvimento da educação básica universal e de qualidade seria um caminho inicial. Mas nessa educação talvez as questões científicas pudessem ser mais bem trabalhadas para que os estudantes pudessem compreender a não somente a importância dos seus campos de atuação, mas também das outras áreas. Vou dar um exemplo: tenho muita dificuldade de convencer minha filha de 16 anos, que se interessa por estética, sobre a importância de estudar física, matemática e química. Acredito que pela forma como ensinam estas disciplinas nas escolas.
           
Um outro ponto - mas aí depende de outras variáveis -, seria uma maior oferta de revistas de divulgação cientifica. Existem poucas no Brasil, embora de qualidade. Tem havido um esforço, mas é preciso criar o hábito de leitura sobre estes assuntos. Em suma, nos tornarmos alfabetizadas em ciência, tecnologia e artes.
Pedro Mourão
Alfabetizados? Não seria analfabetizados?

Jorge Ventura de Morais
Nós somos analfabetos. É preciso nos alfabetizarmos sobre ciência, tecnologia e artes...
Pedro Mourão
Sim. Os critérios para concessão de financiamento das pesquisas científicas no Brasil são permeados pela subjetividade e pelos interesses políticos, culturais e sociais de quem libera a verba?

Jorge Ventura de Morais
Mas há outra parte da sua pergunta a que não respondi. Eu acredito que toda a sociologia trata de questões sociais sérias. Isto não deve ser confundido com o fato de haver, em qualquer sociedade, pessoas que não tem interesse sério nos estudos, mas simplesmente em manter uma bolsa de estudos. Se assim não fosse, não seríamos humanos, os seres sociais, para pensar com Durkheim. Uma certa taxa de desvio é normal numa sociedade como a nossa.

Pedro Mourão
O senhor se preocupa em fazer uma sociologia que saia dos muros da universidade e alcance a sociedade? Isso seria relevante para as ciências sociais?

Jorge Ventura de Morais
Depende do que você chame de "sair dos muros da universidade" e também o que seria "alcance a sociedade"... Eu deveria brecar financiamentos sobre teoria sociológica sob o argumento da falta de aplicabilidade imediata na sociedade e a uma intratabilidade para o público leigo? Acredito que não! Teoria "pura" é importante para uma série de áreas, enquanto não tem muita relevância para outras. No caso da sociologia, da ciência política, da antropologia, da física, da matemática, ela é fundamental, é parte do próprio fazer destas disciplinas. Já imaginou a gente brecar financiamento numa pesquisa em teoria da democracia sob o argumento de que tal pesquisa não vai trazer um bem tangível como uma geladeira para a sociedade?

Pedro Mourão
Kkkkkkkkkkk .           Verdade.

Jorge Ventura de Morais
Eu quero democracia e uma geladeira boa e econômica para a sociedade.
           
Pedro Mourão
Mas em certa medida, o senhor não achou que a crítica contida no artigo do Nassif foi fortuita para debater a questão da concessão de bolsas de pesquisa no Brasil?

Jorge Ventura de Morais
Fortuita em que sentido, Pedro?

Pedro Mourão
Pessoalmente, acredito que a crítica que ele fez foi vulgar e propositadamente rasa.
A forma como foi feita a crítica usando meias palavras e meias verdade já demonstrou o calibre do próprio artigo e do autor.
Mas essa discussão teve um lado bom para fazermos uma sociologia da sociologia, no sentido de refletirmos sobre a quem e a que serve a sociologia que fazemos..
Será que podemos fazer uma ciência pela ciência? Como uma arte pela arte?

Jorge Ventura de Morais
Ah, como subproduto do massacre moral? Pode ser!!!... Mas não acho que a concessão de bolsas no Brasil tenha mais problemas do que em outros países. No que respeita às bolsas de pós-graduação, supõe-se que os programas de pós-graduação saibam selecionar seus estudantes e o critério é claro: desempenho acadêmico. No caso das bolsas de pesquisa, cada projeto é avaliado por dois pares e depois vai para classificação dos comitês assessores. O sistema é perfeito? Não, não é de jeito nenhum. Há problemas relativos à distribuição geográfica dos grupos de pesquisa no Brasil, há problemas de grupos que controlam certas áreas. Mas não é o horror que se costuma pensar, mesmo dentro da academia. Tem um nível normal de problemas de qualquer outro sistema de pares pelo mundo afora.
Pedro, ainda vai demorar muito? A família já está cobrando minha !"presença"
           
Pedro Mourão
Não professor. Acho que acabamos.
Eu agradeço imensamente sua disponibilidade e sua boa vontade de se dedicar a essa entrevista.
Quer dizer algo para fechar a entrevista?
Jorge Ventura de Morais
Agradecido também, Pedro, pela possibilidade de eu poder me expressar e pela excelente qualidade das suas perguntas. Agora eu vou esquecer a sociologia e fazer um risoto de cogumelos frescos para Roberta e Clara, esposa e filha, respectivamente. Um abraço.