quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Parabéns ao novos mestrandos e doutorandos em sociologia da UFC

SELEÇÃO TURMA 2011
RESULTADO FINAL
DOUTORADO

Nome Classificação Nota Final
Igor Monteiro Silva 1º 8,75
Gerciane Maria da Costa Oliveira 2º 8,28
Janaína Sampaio Zaranza 3º 7,90
Antonio Marcos de Sousa Silva 4º 7,80
Silvana de Sousa Pinho 5º 7,79
Mayara Magalhães Martins 6º 7,78
Francisco Herbert Pimentel Monteiro 7º 7,69
Francisco Secundo da Silva Neto 8º 7,43
Maria Isabel Silva Bezerra Linhares 9º 7,40

SELEÇÃO MESTRADO TURMA 2011
R ESULTADO FINAL

1. Fernanda Vieira Crisóstomo 8,6
2. Francisco Williams Ribeiro Lopes 8,6
3. Talita Silva Bezerra 8,5
4. Antonio Kevan Brandão Pereira 8,4
5. Marília Passos Apoliano Gomes 8,3
6. Lara Denise Oliveira Silva 8,3
7. Helloana Rafaela Oliveira de Medeiros 8,2
8. Deuzimar da Silva Dantas 8,2
9. Alisson Assunção Silva 8,1
10. Larissa Jucá de Moraes Sales 8,1
11. Lara Virginia Saraiva Palmeira 8,0
12. Antônio Diogo Calls de Oliveira Filho 7,8
13. Vaneza Ferreira Araújo 7,8
14. Letícia de Sousa Araújo 7,8
15. Natália Ilka Morais Nascimento 7,7
16. Ana Cláudia Vieira Silva 7,7
17. Francisca Rosânia Ferreira de Almeida 7,6
18. Camila Oliveira de Almeida 7,6
19. Gina Oliveira Dantas 7,3
20. Gislania de Freitas Silva 7,2
21. Francis Emmanuelle Alves Vasconcelos 7,2

fonte:
http://www.posgradsoc.ufc.br/selecao.html

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Tópicos Utópicos: Emir Sader e "Os caminhos do Brasil em Nuestra América"

O sociólogo e cientista político de origem libanesa, Emir Simão Sader, é o convidado para a 4ª edição do Projeto Tópicos Utópicos. Com o tema “Os caminhos do Brasil em Nuestra América”, a Prefeitura de Fortaleza promove o debate acontecerá no dia 11 de dezembro (sábado), às 13h, no teatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.
O Projeto Tópicos Utópicos, vale ressaltar, é realizado através da parceria entre a Comissão de Participação Popular (PMF), a Secretaria de Cultura (PMF), a Universidade Federal do Ceará, a Editora Boitempo e a Escola Nacional Florestan Fernandes. A conferência é um convite ao pensamento sobre a conjuntura mundial atual. Com quatro encontros anuais, o objetivo é referenciar Fortaleza como polo de reflexão sobre política, economia, cultura, meio ambiente.
Na conferência que será ministrada em Fortaleza, o convidado Emir Sader nos levará a refletir sobre em que medida o neoliberalismo permanece hegemônico, ao analisar a natureza dos atuais governos latino-americanos, com destaque para o brasileiro, e assim incentivará um dos debates fundamentais para a compreensão das questões políticas de nosso tempo.
PREFEITURA DE FORTALEZA APRESENTA:




segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Seminário Filosofia e Sociologia no Ensino Médio

Seminário Filosofia e Sociologia no Ensino Médio: por quê? Para quê?
Inscrições
As inscrições para o evento ocorrerão entre os dias 6 e 16 de Dezembro de 2010, na secretaria do Humanas/UFC, localizada no Campus do Pici, no térreo da Biblioteca Central, anexo do Instituto UFC Virtual, ou pelo site: www.virtual.ufc.br/humanas.
As inscrições são gratuitas e os participantes terão direito a certificado.
 
Local do Evento
O evento ocorrerá no Auditório Rachel de Queiroz, do CH2 da UFC, situado na Av. da Universidade, nº 2762, em Fortaleza - CE, no dia 18 de dezembro de 2010, das 8h as 17h.
Informações
(85) 3366.9032
humanas@virtual.ufc.br
www.virtual.ufc.br/humanas

domingo, 5 de dezembro de 2010

Segundo Sérgio Adorno, falta de respeito à diferença e indiferença são as duas faces de uma mesma moeda

Ciência e violação dos Direitos Humanos


Coordenador do Núcleo de Estudos sobre a Violência (NEV-USP) e presidente da Associação Nacional de Direitos Humanos – Pesquisa e Pós-graduação (ANDHEP), o sociólogo e professor Sérgio Adorno tem como temas centrais de seus estudos a violência urbana e a justiça criminal. Ele conclui que tal violência é uma constante na sociedade brasileira, cuja democracia, afirma o pesquisador, ainda não está consolidada.
Embora não seja um criminologista e tenha tido como ponto de partida de suas pesquisas a questão dos direitos humanos, as preocupações do sociólogo Sérgio Adorno acabaram por evoluir para o problema tão atual da violência urbana. À medida que o crime foi se tornando tema cada vez mais presente no cotidiano do cidadão e na mídia, o Estado foi sendo cada vez mais obrigado a se transformar num agente importante de combate ao crime, o que muitas vezes implicou e implica grave violação dos direitos humanos. Juntaram-se, assim, para o pesquisador, os dois grandes temas em um só e indissociável bloco.
Como afirma Sérgio Adorno, o Estado democrático tem, sim, o direito de usar contra o crime a chamada violência física legítima, mas, toda vez que precisar utilizar esse recurso, especialmente o recurso último – a violência fatal –, terá de prestar contas à sociedade. “Hoje”, diz Sérgio Adorno, “nós temos claro que não há política de direitos humanos que não enfrente os problemas da lei e da ordem. Em outras palavras, falar em direitos humanos hoje é falar também no enfrentamento do crime.” E vice-versa: uma política de segurança pública adequada deve estar conectada com sólidas políticas de direitos humanos.
Assim, ainda segundo o sociólogo, se, por um lado, para conter a violência há abuso de autoridade, o resultado será sempre violência sobre violência, numa espiral crescente e de difícil solução. Mas, se nesse mesmo combate não forem aplicadas com toda a precisão a lei e as regras da sociedade e não for punido convenientemente o criminoso, teremos um vácuo de autoridade e o crescimento geométrico da impunidade. “É parte do nosso projeto de pesquisa”, informa ele, “entender por que se pune de maneira tão insatisfatória neste país. Entender como a democracia brasileira ainda convive com os desafios colocados pelo controle da violência e do crime.” Para isso, Sérgio Adorno tem seguido algumas linhas de estudo. 

Uma delas é compreender a violência na sociedade, a violência de civis contra civis, e como isso se vincula à carência de direitos econômico-sociais, de instituições, de um processo civilizacional completo. “Nós vivemos numa sociedade”, prossegue o pesquisador, “onde há bastante desrespeito ao direito do outro. Uma sociedade muito pouco tolerante com a diversidade.” Além disso, o pesquisador constata, com preocupação, certa indiferença com relação ao que se passa nas periferias. Falta de respeito à diferença e indiferença são as duas faces de uma mesma moeda. Mas, como diz o sociólogo, se queremos uma sociedade pacificada, é preciso entender o que está se passando do outro lado da cidade, onde se carece de instituições e de uma rede de solidariedade que permitam às pessoas viver no mundo da legalidade. 

“Uma colega minha”, cita Sérgio Adorno, “a doutora Vera Perez, está fazendo uma enorme pesquisa também nas periferias urbanas, e o que ela está descobrindo é que uma parte substantiva da população brasileira vive no mundo da ilegalidade.” Ilegalidade de vários tipos: a dos terrenos que as pessoas ocupam, a do mundo do trabalho informal, a do mercado ilegal de remédios e assim por diante. E essa ampla inclusão na ilegalidade, segundo o estudioso, supõe uma exclusão do contrato social, o que sem dúvida acrescenta forte ingrediente ao caldo da violência atual. Naturalmente, a grande maioria das pessoas que vivem excluídas nas imensas periferias brasileiras desejaria sair dessa situação; mas o próprio fato de estarem nela freqüentemente as torna reféns do crime organizado.
Sim, porque, embora seja verdade que só cerca de 1% da população pobre está de alguma maneira ligado ao tráfico de drogas e outras atividades criminosas, a maioria dela assiste silenciosa à violência, sofrendo, também silenciosamente, suas duras conseqüências. “A miséria fragiliza essa parcela substantiva da população. Por isso, enquanto nos bairros de classe média e média alta as taxas de crimes contra o patrimônio são mais altas e as de crime contra a vida, muito mais baixas, nos bairros da periferia a situação é exatamente inversa”, constata o sociólogo. Daí a hipótese defendida pelo pesquisador: a miséria não explica diretamente o crime, mas explica a vitimização das populações que a padecem.
Os estudos de Sérgio Adorno indicam que a soma de fatores como a ausência de instituições de proteção social, um contingente muito grande de população jovem, um congestionamento habitacional e um espaço social público degradado abre caminho para a chegada do crime organizado, para o tráfico de drogas, e para a violência tanto de grupos da sociedade civil como da própria polícia. A solução para tudo isso, como diz o pesquisador, “é fazer com que as pessoas tenham uma relação de reciprocidade caracterizada pela justiça e pelo mínimo de igualdade, além de criar políticas de segurança eficientes, muito diferentes das que temos hoje”.
Independentemente, porém, do resultado dos estudos sobre a influência mais ou menos direta da miséria na exacerbação da violência, “eu quero viver”, afirma Sérgio Adorno, “numa sociedade onde não encontre pedintes nas ruas, crianças nas ruas. Onde pelo menos os direitos humanos de habitação, alimentação, educação e saúde estejam minimamente garantidos”. E é este querer, se for o querer de toda a sociedade, o que pode acabar com a escalada galopante de uma violência “de que todos certamente somos e seremos vítimas”, conclui o sociólogo.

Produção Bibliográfica:
ADORNO, S. Os Aprendizes do Poder (O Bacharelismo Liberal Na Politica Brasileira). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.
ADORNO, S. O Que Todo Cidadao Precisa Saber Sobre Constituicão. São Paulo: Global, 1985.


Fonte: http://globouniversidade.globo.com/GloboUniversidade/0,,AA1641468-8744,00.html 




Programa Guerrilha da TV do Itaú Cultural que discute ação, cultura e cidadania, apresentado por Anelis Assumpção. Participação de Sérgio Adorno, Barracões Culturais de Itapecerica da Serra e Gabrriel Muzak.
Vídeo nº1


Vídeo nº2



sábado, 4 de dezembro de 2010

Dica de Filme: Dogville






Anos 30, Dogville, um lugarejo nas Montanhas Rochosas. Grace (Nicole Kidman), uma bela desconhecida, aparece no lugar ao tentar fugir de gângsters. Com o apoio de Tom Edison (Paul Bettany), o auto-designado porta-voz da pequena comunidade, Grace é escondida pela pequena cidade e, em troca, trabalhará para eles. Fica acertado que após duas semanas ocorrerá uma votação para decidir se ela fica. Após este "período de testes" Grace é aprovada por unanimidade, mas quando a procura por ela se intensifica os moradores exigem algo mais em troca do risco de escondê-la. É quando ela descobre de modo duro que nesta cidade a bondade é algo bem relativo, pois Dogville começa a mostrar seus dentes. No entanto Grace carrega um segredo, que pode ser muito perigoso para a cidade.

Fonte:http://www.adorocinema.com/filmes/dogville

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Duas entrevistas com o sociólogo Chico de Oliveira

Foto chico oliveiraInesc: Quais são os princípios fundamentais que devem ser levados em conta para a construção de uma agenda alternativa de desenvolvimento?
C.O: A questão fundamental é como reinventar a política. A política hoje é um espaço de irrelevância que os movimentos sociais não alcançam. Os partidos políticos foram engolfados por essa irrelevância da política e a cidadania não pode atuar. A política é a invenção grega mais eminente porque é através dela, e não pela economia, que você corrige as distorções sistêmicas. Quando a política fica anulada, os cidadãos perdem a importância. Então, é preciso reinventar a política. Essa reinvenção tem que partir dos próprios cidadãos, de suas organizações, para poder fazer com que a política seja de novo o elemento da transformação, pois agora ela não é.
 
“(para construir uma agenda alternativa de desenvolvimento) é preciso, primeiramente, reiventar a política, para poder fazer com que a política seja de novo o elemento da transformação, pois agora ela não é”

Inesc: O senhor fala, então, no esvaziamento da política e no predomínio da questão econômica?
C.O: Exatamente isso: há uma colonização da política pela economia. Isso torna a política irrelevante porque a economia – capitalista, evidentemente, que é a que conhecemos, na qual vivemos - obedece a constrangimentos muito fortes. A economia não tem espaço para a ação cidadã porque é o reino da propriedade privada. Enquanto a política, não. Por isso a política deve controlar a economia. Quando isso não acontece, o desastre é quase fatal.
 
“A economia não tem espaço para a ação cidadã porque é o reino da propriedade privada. Enquanto a política, não”

Inesc: Como o senhor vê essa situação, que se mantém no segundo  governo Lula, de termos uma política econômica alimentada pela idéia hegemônica de que não há outra alternativa?
C.O: Eu vejo de uma forma muito pessimista. O governo Lula já foi engolfado; não é que ele será, ele já foi engolfado e está submetido a esses constrangimentos. E, ao contrário de reagir, ele ajuda: é um barco remando a favor da maré. Portanto, o governo fica nesse terreno entre vender produtos brasileiros no exterior, virando garoto-propaganda por excelência do Brasil, combinando com a venda de políticas assistencialistas, que tomam o lugar da política.

“O governo Lula já foi engolfado; não é que ele será, ele já foi engolfado e está submetido a esses constrangimentos”

Inesc: Qual papel deve ter, então, o campo social, as organizações sociais, nesse contexto, visando à construção de uma agenda alternativa de desenvolvimento?
C.O: O primeiro papel é o de inventar formas novas de atuação, formas novas de organização e associação na própria sociedade para poder intervir. Isso é uma tarefa complicadíssima porque o capitalismo contemporâneo tem, talvez, mais do que no passado, elementos de coerção sobre os indivíduos e sobre as organizações que lhes retiram quase todo o poder de intervenção. É uma tarefa árdua, longa, mas tem que ser feita. Eu não sou otimista porque a minha idade também já me leva mais para o campo dos profetas apocalípticos.
Inesc: Como é que o senhor vê o papel da mídia na construção da idéia hegemônica  de que não há um caminho alternativo à atual política econômica?
C.O: Eu não vejo com nenhum otimismo. A grande mídia, quer dizer, a que penetra nos lares, a que forma as cabeças, as opiniões, essa está a favor da privatização da vida, a favor da irrelevância da política. Veja bem: durante o primeiro mandato de Lula, houve a chamada crise do mensalão, escândalo de corrupção que atingiu membros eminentes do governo. Sem entrar no mérito se eram ou não, o que se notava na mídia era o seguinte: todos os âncoras mais radicais, aqueles mais radicais na crítica ao governo, até os âncoras mais soft,  toda a imprensa escrita e falada batia numa tecla “essa crise política não pode afetar o desempenho da  economia”.  Isto é tudo sobre a irrelevância da política. Uma crise política que não afeta a economia não vale a pena.

fonte: http://www.inesc.org.br/equipe/ivonem/entrevistas-pensando-uma-agenda-para-o-brasil/entrevistas/e-preciso-reiventar-a-politica

 







A política interna se tornou irrelevante, diz sociólogo
“O PSOL ESTÁ em busca de uma miragem.” Quem afirma é Francisco de Oliveira, 72, professor titular aposentado de sociologia da USP e um dos fundadores do partido, após ter se desligado, em 2003, do PT, sigla que também ajudara a formar. Oliveira afirma que a candidata do partido à Presidência da República, Heloísa Helena, “não deve passar dos 15%” e que, mesmo em candidaturas futuras, o PSOL não tem condições de vir a se tornar um partido capaz “sequer de pautar a política brasileira”.

Raimundo Paccó/Folha Imagem
Francisco de Oliveira, que atuou na fundação do PSOL e na do PT
FERNANDO DE BARROS E SILVA
EDITOR DE BRASIL

RAFAEL CARIELLO
DA REPORTAGEM LOCAL

“A única coisa que o PSOL pode fazer [na política nacional] é ser uma espécie de Grilo Falante, uma espécie de consciência crítica”, afirma Francisco de Oliveira. Não se trata de incapacidade específica da legenda, mas da constatação, ele diz, de que a política se tornou completamente irrelevante. Entre as causas deste fato, para ele incontornável, estão a financeirização da economia -que tira a autonomia de decisões dos governos nacionais- e a quebra das identidades de classe e sua representação em partidos políticos -também decorrente das transformações recentes do capitalismo. Na entrevista a seguir, Oliveira relaciona o Bolsa-Família e a política de cotas para negros a esse fim da política e diz que o PT pós-Lula pode ter o mesmo destino do peronismo argentino -com a criação de grupos gangsterizados que disputariam o espólio da penetração política e simbólica, a partir de programas sociais, entre os mais pobres. O sociólogo relaciona ainda o crescimento da facção criminosa PCC e os recentes ataques em São Paulo ao desenvolvimento do capitalismo no país, que, de acordo com ele, funciona em parte na ilegalidade e “não respeita nenhuma institucionalidade”. A seguir, trechos da conversa, realizada em seu escritório, em São Paulo.  
FOLHA – Como o sr. vê a subida de Heloísa Helena no Datafolha? Como o sr. vê suas chances eleitorais?
FRANCISCO DE OLIVEIRA
- Ela pode crescer mais alguns pontos, mas não para passar dos 15%. Não acredito. O eleitorado que vai votar em Heloísa é fácil de se presumir. São ex-petistas, desiludidos com o PT, e, de outro lado, gente não necessariamente partidarizada decepcionada com o governo Lula ou que acha que o Alckmin não é nada. É nessa faixa que ela navega e vai crescer no máximo até 15%.
FOLHA – O sr. fazia a avaliação, já há algum tempo, de que havia um esgotamento da política, de sua capacidade de representar possibilidade de mudança. O sr. acha que a candidatura dela e o PSOL podem representar uma saída para isso?
OLIVEIRA
- Seria desejável, mas eu não acredito. O fenômeno da irrelevância da política é muito profundo. A candidatura agora, ou outra do PSOL repetida no futuro, será uma espécie de desafogo, mas com muito poucas chances de ser majoritária e muito poucas chances de tornar-se hegemônica e sobretudo de pautar politicamente. Os partidos não têm noção das raízes dessa irrelevância da política. Nem o PSOL. Ele imagina que pode refazer um partido tal como o PT foi na sua origem.
FOLHA – Não há possíveis semelhanças entre Heloísa Helena e o Lula nos anos 80?
OLIVEIRA
- Apesar de tudo, não há nenhuma semelhança entre os dois partidos. No sentido de bases e de poder pautar a política brasileira. O PT pautou. A única coisa que o PSOL pode fazer é ser uma espécie de Grilo Falante, uma espécie de consciência crítica, mas sem possibilidades de hegemonia, sem possibilidades sequer de pautar a política brasileira. Essa é uma conclusão muito dura, para mim mesmo e para os militantes em geral. É preciso pesquisar as razões da irrelevância da política hoje, e não só no Brasil. Aqui, isso tem um efeito devastador. Aqui, o fundo da irrelevância da política é a desigualdade. Não é mais plausível, para nenhum de nós, que você possa, por meio da política, atravessar o Rubicão. Não é mais possível. A formação do PT foi algo muito específico. É preciso não esquecer que ele se formou dentro da ditadura, com um movimento sindical em ascensão, numa espécie de eco de um Estado de Bem-Estar privatizado. Trabalhadores de certos ramos, sobretudo do metalúrgico, tinham planos de benefícios muito importantes. Era privatizado porque eram as empresas que davam. Esse movimento estava em ascensão -não como agora, que está em refluxo. E é importante não esquecer que aconteceu simultâneo a um movimento de democratização muito importante. Foi dentro desse movimento que o PT nasceu. Esse conjunto é irrepetível. As forças sindicais foram muito desgastadas. A queda de sindicalização é vertical. Os petroleiros foram arrasados pelo Fernando Henrique Cardoso. Além disso há um movimento de reestruturação produtiva, misturado à globalização, que devastou as fileiras do operariado. Não tem a conjuntura e a estrutura de forças que fizeram o PT. O movimento sindical, tal como o conhecemos, e tal como ele formou a pauta social e política dos anos 70, não existe mais. Aquele tipo de movimento sindical não existe mais e não existirá. O PSOL está, portanto, em busca de uma miragem.
FOLHA – Há alguma relação entre isso que o sr. descreve e o governo Lula?
OLIVEIRA
- Tomem a última declaração de bens de Lula. A metade de seu patrimônio está em aplicações financeiras. O paradoxo é que ele está à testa de um governo que endivida o país, e essa dívida é parte do seu patrimônio. É a cobra mordendo o próprio rabo. É apenas emblemático. Onde ele aplica? Como não é um especulador da bolsa, provavelmente em títulos da dívida pública. Não é só o Lula. Quem tiver um pouco de dinheiro vai fazer a mesma coisa. Ele aumenta o patrimônio graças ao endividamento do governo que preside. Sua posição política é completamente irrelevante. Faça o que fizer, está amarrado nessa financeirização do Estado. Isso não começou com ele, evidentemente. Seu governo até faz um esforço de reduzir a relação da dívida com o PIB. Com o Fernando Henrique, isso foi de 1 para 10. Isso financeirizou a economia e amarrou-a às determinações de fora. Este é o fator principal da irrelevância da política. Todas as relações sociais estão mediadas agora pela relação externa. A política interna perdeu a capacidade de dirigir a sociedade. Qualquer que seja a relação, ela tem que passar pelas relações externas. Isso quebra na espinha a política. Política é escolha. Política é opção. Mais ou menos, todos agora têm que seguir a mesma regra.
FOLHA – O sr. não reconhece nenhum mérito na política social do governo Lula, no Bolsa-Família? O sr. chegou a dizer que Lula exclui os trabalhadores da política, quando perguntado sobre o programa e as possíveis relações entre Lula e Getúlio Vargas.
OLIVEIRA
- As analogias entre Lula e Getúlio estão sendo propagandeadas aos quatro ventos. Até ele, quando líder sindical contrário a todas as criações sindicais da era varguista, até Lula agora quer se identificar com o Getúlio. Reafirmo: são antípodas. Lula não tem nada que ver com Getúlio. É o oposto. Lula não é populista, porque ele não faz o movimento de incluir o proletariado na política -ele faz o movimento de excluí-lo. Como é que pode? Pode no momento em que todas as medidas do governo são contra a centralidade do trabalho na política. O Bolsa-Família é algo que se pode entender a partir da irrelevância da política. Não adianta dizer que é assistencialista -isso é óbvio. De forma pedante, poderíamos dizer que o Bolsa-Família é uma criação foucaultiana. Um instrumento de controle, em primeiro lugar. Restaura uma espécie de clientelismo que não leva à política. Ela passa a ser determinada não por opções, mas pela “raça”. Não é raça em termos raciais, é a “raça” da classe. É pelas suas carências que você é classificado perante o Estado. A política se constrói pelas carências. Então é abominável. Seria cínico dizer que é uma porcaria total, porque tem gente que come por causa do Bolsa-Família. Do outro lado, é isso. É a morte da política. Acabou a história de você depender das relações de força, das relações de classe para desenhar as políticas sociais. Elas são desenhadas agora por uma espécie de dispositivo foucaultiano. Quanto você tem de renda, qual é o seu estatuto de miserável, aí a política é desenhada. É uma clara regressão.
FOLHA – Não é mais desenhada a partir de direitos universais.
OLIVEIRA
- De jeito nenhum. É um dispositivo. Da mesma forma que as cotas, que as ações afirmativas. É também um dispositivo. É o paradoxo. É uma antipolítica na forma de uma política. Porque a desigualdade é tão abissal no Brasil que é difícil você resistir que é preciso um estatuto especial para você tratar da questão racial. Vejo a questão das cotas no mesmo registro que o Bolsa-Família. É uma biopolítica. As relações sociais não suportam mais uma política que na verdade envolva escolhas, opções e política. Seu substituto é um dispositivo foucaultiano.
FOLHA – Qual a função do PT hoje? Ele foi um catalisador de demandas nas últimas décadas.
OLIVEIRA
- O papel transformador do PT se esgotou. As razões são essas [da irrelevância da política]. O PT ficou dependente de Lula e não vai se libertar nunca mais. Talvez o PT tenha o destino do peronismo. Com essa política do Bolsa-Família, ele vai muito fundo, até as camadas mais pobres. E isso provavelmente fique como um legado para o PT pós-Lula. O que é extremamente perigoso, porque o partido peronista pós-Perón se tornou uma confederação de gangues. Eles se matam entre si. Eu não descarto esse cenário para o PT.
FOLHA – Grupos internos disputando um espólio?
OLIVEIRA
- Que é o peronismo. É isso. Grupos que disputam um espólio, numa luta interna que é um fenômeno extraordinário. A diferença do peronismo em relação a outras experiências chamadas populistas é que ele foi fundo. A ponto de visitarmos o cemitério da Recoleta, em Buenos Aires, e o túmulo de Evita ter flores novas todos os dias. Chegaram aos mais pobres dos pobres. Isso o PT faz por meio do Bolsa-Família. Mas a aura transformadora do PT se foi, como no próprio peronismo.
FOLHA – Como isso que o sr. chama de esgotamento da política se liga com o dia-a-dia brasileiro, com a violência urbana, por exemplo?
OLIVEIRA
- É algo muito sério. É o rabo do rnitorrinco, que surgiu agora. Um sinal de que o capitalismo periférico não respeita nenhuma institucionalidade. Ele está se lixando para elas. A institucionalidade criada nos últimos dois séculos não agüenta o capitalismo periférico. Ela é incapaz de regular os conflitos postos pela marcha forçada do capitalismo periférico. Por todos os lados que você olhe, é tudo furado. Não tem uma regra que possa ser obedecida durante três meses. Nenhuma. Em qualquer atividade econômica. Tudo ultrapassa a regra institucional.
Por causa de sua velocidade. O pesado imposto que ele impõe para você acompanhar a marcha. O Brasil não tem condição de acompanhá-la. Eu fico espantado. A velocidade dessa espécie de remodelação permanente é espantável.
Isso desbarata qualquer regra. E aí vem o pior, que são os vasos comunicantes. A fronteira entre o legal e o ilegal acabou. Não existe. Estabeleceu-se um sistema de vasos comunicantes, e o PCC está no meio disso tudo. Deve estar no meio de altos negócios. Trata-se de uma questão de negócios.
saiba mais
Michel Foucault criou o conceito de biopoder
DA REPORTAGEM LOCAL
O filósofo francês Michel Foucault (1926-1984) cunhou os conceitos de biopoder e de biopolítica, citados pelo sociólogo e economista Francisco de Oliveira em sua análise sobre o Bolsa-Família, programa de transferência de renda do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo Foucault, para além de sanções e punições, os Estados exercem controle sobre as populações de maneira positiva, definindo modos de pensamento e de comportamento e normatizando grupos sociais distintos.
A partir desse tipo de disciplina e controle, defendia o filósofo francês, “somos julgados, condenados, classificados, obrigados a desempenhar tarefas e destinados a um certo modo de viver ou morrer”.
No ensaio “O Ornitorrinco”, que escreveu em 2003, primeiro ano de mandato de Lula, Francisco de Oliveira relacionava o comportamento político do governo do petista, do próprio PT e do PSDB com o capitalismo financeirizado contemporâneo.
Nova classe social
Segundo o sociólogo, a elite do sindicalismo nacional, e por conseqüência o grupo dirigente do PT, passou a constituir uma nova classe social ao ocupar posições nos conselhos de administração das principais fontes de recursos para investimentos no país, entre elas o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e os fundos de pensão das empresas estatais, como a Petrobras.
Assim esses novos “gestores” descolariam-se da representação dos interesses específicos dos trabalhadores, que não seriam mais os seus.


fonte: http://filosofiaehumanidades.ning.com/notes/A_pol%C3%ADtica_interna_se_tornou_irrelevante
 

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A obesidade mental



  
  Por João César das Neves, do Blog Teoria da Conspiração
  
 O prof. Andrew Oitke, catedrático de Antropologia em Harvard, publicou em  2001 o seu polêmico livro “Mental Obesity”, que revolucionou os campos da  educação, jornalismo e relações sociais em geral.
  
  Nessa obra introduziu o conceito em epígrafe para descrever o que
  considerava o pior problema da sociedade moderna. Há apenas algumas décadas,a Humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física  decorrente de uma alimentação desregrada. É hora de refletir sobre os nossos abusos no campo da informação e do conhecimento, que parecem estar dando origem a problemas tão ou mais sérios do que a barriga proeminente. ”

  Segundo o autor, “a nossa sociedade está mais sobrecarregada de preconceitos do que de proteínas; e mais intoxicada de lugares-comuns do que de hidratos de carbono.
  
  As pessoas se viciaram em estereótipos, em juízos apressados, em
ensinamentos tacanhos e em condenações precipitadas. Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada. ”  
  “Os ‘cozinheiros’ desta magna “fast food” intelectual são os jornalistas, os articulistas, os editorialistas, os romancistas, os falsos filósofos, os autores de telenovelas e mais uma infinidade de outros chamados ‘profissionais da informação’”.
  
  “Os telejornais e telenovelas estão se transformando nos hamburgers do espírito. As revistas de variedades e os livros de venda fácil são os “donuts” da imaginação. Os filmes se transformaram na pizza da sensatez.”
  
  “O problema central está na família e na escola”.
  
  “Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se
  abusarem dos doces e chocolates. Não se entende, então, como aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, por videojogos que se aperfeiçoam em estimular a violência e por telenovelas que exploram, desmesuradamente, a sexualidade, estimulando, cada vez com maior ênfase, a desagregação familiar, a permissividade e, não raro, a promiscuidade. Com uma ‘alimentação intelectual’ tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção, é possível supor que esses jovens jamais conseguirão viver uma vida saudável e regular”.
  
  Um dos capítulos mais polêmicos e contundentes da obra, intitulado “Os  abutres”, afirma: “O jornalista alimenta-se, hoje, quase que exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, e de restos mortais das realizações humanas. A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular.”
  
  O texto descreve como os “jornalistas e comunicadores em geral se  desinteressam da realidade fervilhante, para se centrarem apenas no lado polêmico e chocante”.
  “Só a parte morta e apodrecida ou distorcida da realidade é que chega aos jornais.”
  
  “O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades. Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy. Todos dizem que a Capela Sistina tem teto, mas ninguém suspeita para quê ela serve. Todos acham mais cômodo acreditar que Saddam é o mau e Mandella é o bom, mas ninguém se preocupa em questionar o que lhes é empurrado goela abaixo como “informação”.
  
  Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um
  “cateto.”
  Prossegue o autor: “Não admira que, no meio da prosperidade e da abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência. A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura banalizou-se e o folclore virou ‘mico’. A arte é fútil, paradoxal ou
  doentia. Floresce, entretanto, a pornografia, o cabotinismo (aquele que se elogia), a imitação, a sensaboria (sem sabor) e o egoísmo. Não se trata nem de uma era em decadência, nem de uma ‘idade das trevas’ e nem do fim da civilização, como tantos apregoam. Trata-se, na realidade, de uma questão de obesidade que vem sendo induzida, sutilmente, no espírito e na mente humana.
  O homem moderno está adiposo no raciocínio, nos gostos e nos sentimentos. O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos. Precisa sobretudo de dieta mental.”
  *
  *Retirado do portal Mercado Ético (http://mercadoetico.terra.com.br/) e
  publicado originalmente no Blog Teoria da Conspiração - O Que Eles não
  gostariam que você soubesse… (http://www.deldebbio.com.br/)*

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Telhado do R.U da UECE cai e estudantes são atingidos

Estudantes ficam feridos em desabamento de parte do telhado de restaurante universitário na Uece


Dois estudantes da Universidade Estadual do Ceará (Uece) ficou ferido em um desabamento de parte do telhado de amianto do restaurante universitário do Campus do Itaperi, na manhã desta quarta-feira, 1°.

O acidente aconteceu na fila de entrada para o restaurante. Os alunos que se feriram, Bruno Firmeza e Jéssica Gadelha, são do terceiro semestre do curso de Nutrição.

Bruno sofreu um corte profundo na cabeça e foi socorrido para o Frotinha da Parangaba e já foi liberado. De acordo com o setor de serviço social do hospital, Bruno sofreu um corte profundo na cabeça, mas esteve consciente. Os pais do estudante o acompanharam no atendimento.

O acidente aconteceu no mesmo dia em que universitários realizaram um protesto em que cobravam a finalização da reforma do restaurante universitário.

Video documentário: We All Want to Be Young (legendado)



O vídeo foi desenvolvido pela Box1824 (empresa de pesquisa especializada em tendências de comportamento e consumo).
O nome do video é "We All Want to Be Young".
A tradição é "Todos queremos ser jovens".

Interessante o video-documentário, tem um carater elucidativo e bem dinâmico.
Vale a pena ver.

http://www.youtube.com/watch?v=52e7i-2D6HU


Forte abraço e boa luta para todos.